{"id":48959,"date":"2025-06-20T09:00:00","date_gmt":"2025-06-20T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/latinoamerica21.com\/?p=48959"},"modified":"2025-06-20T19:21:51","modified_gmt":"2025-06-20T22:21:51","slug":"venezuela-de-eleicoes-fraudulentas-a-eleicoes-clandestinas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/venezuela-de-eleicoes-fraudulentas-a-eleicoes-clandestinas\/","title":{"rendered":"Venezuela: de elei\u00e7\u00f5es fraudulentas a elei\u00e7\u00f5es clandestinas"},"content":{"rendered":"\n<p>As elei\u00e7\u00f5es parlamentares e regionais celebradas em 25 de maio passado na Venezuela foram marcadas por uma combina\u00e7\u00e3o cr\u00edtica de irregularidades estruturais, opacidade institucional e uma alt\u00edssima absten\u00e7\u00e3o cidad\u00e3, reflexo do aprofundamento autocr\u00e1tico que o pa\u00eds atravessa. Desde que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) cometeu uma <a href=\"https:\/\/transparenciaelectoral.org\/blog\/transparencia-electoral-advierte-que-las-elecciones-de-venezuela-no-cumplieron-con-los-mas-basicos-estandares-internacionales\/\">grande fraude eleitoral<\/a> em 28 de julho de 2024 para ignorar a vit\u00f3ria contundente do opositor Edmundo Gonz\u00e1lez Urrutia, o \u00f3rg\u00e3o eleitoral perdeu a pouca credibilidade que lhe restava. Sem apresentar resultados desagregados por mesa, sem um site na internet e sem que fossem realizadas as auditorias p\u00f3s-eleitorais de 2024, o CNE atribuiu em tempo recorde a presid\u00eancia a Nicol\u00e1s Maduro, embora as atas emitidas pelas m\u00e1quinas de vota\u00e7\u00e3o e recuperadas pelos testemunhos da oposi\u00e7\u00e3o <a href=\"https:\/\/resultadosconvzla.com\">dessem uma ampla vit\u00f3ria a Gonz\u00e1lez<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, foram convocadas as elei\u00e7\u00f5es parlamentares e regionais de 2025. Originalmente marcadas para o m\u00eas de abril, finalmente foram realizadas em 25 de maio. Desde sua convoca\u00e7\u00e3o, o processo apresentou graves falhas. A resolu\u00e7\u00e3o formal para convocar as elei\u00e7\u00f5es n\u00e3o foi publicada no Di\u00e1rio Oficial, nem foi apresentado publicamente o cronograma de atividades, e n\u00e3o foi permitida a inscri\u00e7\u00e3o e atualiza\u00e7\u00e3o no registro eleitoral. As garantias t\u00e9cnicas tamb\u00e9m brilharam por sua aus\u00eancia: as auditorias do sistema n\u00e3o contaram com a participa\u00e7\u00e3o de atores imparciais, e a infraestrutura digital do CNE, incluindo seu site, ficou inativa, bloqueando o acesso p\u00fablico a informa\u00e7\u00f5es essenciais. Sem mecanismos de controle independentes nem ferramentas de fiscaliza\u00e7\u00e3o abertas, o processo careceu dos padr\u00f5es m\u00ednimos de transpar\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>A l\u00edder da oposi\u00e7\u00e3o, Mar\u00eda Corina Machado, convidou, da clandestinidade, os opositores a se absterem de participar de um processo com essas caracter\u00edsticas. Por sua vez, representantes da oposi\u00e7\u00e3o minorit\u00e1ria, como Henrique Capriles, Manuel Rosales ou Juan Requesens, promoveram a via eleitoral.<\/p>\n\n\n\n<p>Se havia alguma d\u00favida sobre quem lidera os setores da oposi\u00e7\u00e3o, ela foi resolvida em 25 de maio: a popula\u00e7\u00e3o venezuelana n\u00e3o participou das elei\u00e7\u00f5es. Imagens de centros eleitorais vazios circularam amplamente na m\u00eddia e nas redes sociais, refletindo uma rejei\u00e7\u00e3o dos eleitores que o governo n\u00e3o conseguiu esconder.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar desse contexto, o CNE anunciou uma participa\u00e7\u00e3o de 5,5 milh\u00f5es de pessoas, equivalente a 25% do eleitorado (21.485.669 cidad\u00e3os), mas ao mesmo tempo garantiu que esse n\u00famero representava 42% dos eleitores habilitados, sem oferecer nenhuma explica\u00e7\u00e3o ou dados verific\u00e1veis que sustentassem esse c\u00e1lculo. Os resultados oficiais s\u00e3o n\u00e3o apenas incontest\u00e1veis \u2014 por falta de acesso a dados e auditorias independentes \u2014, mas tamb\u00e9m inconsistentes, o que aprofunda a desconfian\u00e7a dos cidad\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dia ap\u00f3s a elei\u00e7\u00e3o, Jorge Rodr\u00edguez, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela e estrategista eleitoral de Maduro (foi reitor do CNE e depois chefe de campanha de Maduro), anunciou detalhes dos resultados que nem mesmo o pr\u00f3prio \u00f3rg\u00e3o eleitoral havia publicado. Por exemplo, afirmou que Henrique Capriles e outros candidatos que n\u00e3o fazem parte do Polo Patri\u00f3tico, partido do governo, haviam conseguido cadeiras na Assembleia Nacional que entrar\u00e1 em funcionamento em 2026.<\/p>\n\n\n\n<p>A opacidade em rela\u00e7\u00e3o aos resultados \u00e9 de tal magnitude que n\u00e3o h\u00e1 garantias de que esse grupo de opositores tenha sido efetivamente eleito. Andr\u00e9s Caleca, ex-candidato da oposi\u00e7\u00e3o nas prim\u00e1rias de 2023 e ex-presidente do Conselho Nacional Eleitoral, afirmou que, se os resultados anunciados forem verdadeiros e se o m\u00e9todo de distribui\u00e7\u00e3o de cadeiras estabelecido legalmente (D&#8217;Hondt) for aplicado corretamente, a esse grupo de opositores que decidiram participar foram atribu\u00eddas artificialmente mais cadeiras do que lhes correspondem.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, parece que a Venezuela est\u00e1 entrando em uma nova etapa onde os resultados eleitorais n\u00e3o s\u00f3 s\u00e3o incompreens\u00edveis e inconsistentes, mas tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o decisivos na hora da atribui\u00e7\u00e3o de cargos.<\/p>\n\n\n\n<p>Dez dias ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es parlamentares e regionais, e sem publicar seus resultados desagregados por mesa (embora os cargos j\u00e1 tenham sido atribu\u00eddos), o CNE convocou as elei\u00e7\u00f5es municipais para o pr\u00f3ximo dia 27 de julho.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde a fraude em massa de 28 de julho de 2024, ficou claro que o governo de Nicol\u00e1s Maduro abandonou a via eleitoral. Embora elei\u00e7\u00f5es tenham sido manipuladas anteriormente (no estado de Bol\u00edvar e na Consulta Popular de 2017), ou os resultados tenham sido ignorados (nas elei\u00e7\u00f5es legislativas de 2015), uma fraude da magnitude da elei\u00e7\u00e3o do ano passado nunca foi perpetrada.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos anos, <a href=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/a-inadiavel-responsabilidade-de-uma-nova-lideranca-para-a-venezuela\/\">a oposi\u00e7\u00e3o venezuelana<\/a>, apesar das condi\u00e7\u00f5es adversas, entrou em um processo de negocia\u00e7\u00e3o com o governo atrav\u00e9s da media\u00e7\u00e3o internacional, realizou um processo de elei\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias para legitimar suas lideran\u00e7as, no qual Mar\u00eda Corina Machado foi aclamada, e, apesar de sua ilegal desqualifica\u00e7\u00e3o para as elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2024, continuou na rota eleitoral e designou Edmundo Gonz\u00e1lez como candidato substituto. Ela elaborou uma mensagem mobilizadora, canalizou o descontentamento e o transformou em participa\u00e7\u00e3o e at\u00e9 construiu uma estrutura de controle do voto (comanditos) que lhe permitiu obter quase 80% das atas de escrut\u00ednio emitidas pelas urnas eletr\u00f4nicas, com o que p\u00f4de demonstrar a vit\u00f3ria da oposi\u00e7\u00e3o. Apesar desses esfor\u00e7os em um contexto extremamente desigual, o governo de Nicol\u00e1s Maduro optou por desconsiderar os resultados, reprimir e violar os direitos humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o voto n\u00e3o tem consequ\u00eancias, n\u00e3o h\u00e1 incentivos para a participa\u00e7\u00e3o. Os venezuelanos decidiram se abster nas elei\u00e7\u00f5es regionais e municipais, e certamente far\u00e3o o mesmo nas elei\u00e7\u00f5es municipais de 27 de julho, porque o poder de mudan\u00e7a do sufr\u00e1gio foi anulado.<\/p>\n\n\n\n<p><em><sub>Tradu\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica revisada por Isabel Lima<\/sub><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando o voto n\u00e3o tem consequ\u00eancias, n\u00e3o h\u00e1 incentivos para a participa\u00e7\u00e3o. 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