{"id":49014,"date":"2025-06-23T10:00:00","date_gmt":"2025-06-23T13:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/latinoamerica21.com\/?p=49014"},"modified":"2025-06-23T18:08:57","modified_gmt":"2025-06-23T21:08:57","slug":"seca-mudanca-climatica-e-diplomacia-cientifica-uma-resposta-coletiva-da-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/seca-mudanca-climatica-e-diplomacia-cientifica-uma-resposta-coletiva-da-america-latina\/","title":{"rendered":"Seca, mudan\u00e7a clim\u00e1tica e diplomacia cient\u00edfica: uma resposta coletiva da Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"\n<p>A seca j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um fen\u00f4meno natural ou c\u00edclico: \u00e9 um dos impactos mais destrutivos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas na Am\u00e9rica Latina e no Caribe. \u00c0 medida que as temperaturas globais aumentam \u2014 como confirma a Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial (OMM), que informou que 2024 foi o ano mais quente em 174 anos \u2014, eventos extremos como secas prolongadas, inc\u00eandios florestais, ondas de calor e inunda\u00e7\u00f5es se intensificam. Suas consequ\u00eancias se estendem da agricultura \u00e0 energia e ao transporte, afetando a vida cotidiana e a seguran\u00e7a de milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante dessa amea\u00e7a crescente, os pa\u00edses da regi\u00e3o est\u00e3o ativando estrat\u00e9gias compartilhadas para monitorar, antecipar e reduzir os impactos das secas. Durante a recente CoP-33 do Instituto Interamericano para Pesquisa sobre Mudan\u00e7as Globais (IAI), celebrada em Assun\u00e7\u00e3o, Paraguai, v\u00e1rias iniciativas multilaterais que combinam ci\u00eancia, dados abertos e coopera\u00e7\u00e3o pol\u00edtica se consolidaram. Uma delas \u00e9 o Sistema de Informa\u00e7\u00e3o sobre Secas para o Sul da Am\u00e9rica do Sul (SISSA), que fornece ferramentas coproduzidas com atores locais para fortalecer as capacidades institucionais e fomentar a governan\u00e7a do risco em setores-chave como agricultura e \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p>Um exemplo do uso dessas ferramentas na agricultura \u00e9 o desenvolvido pela prov\u00edncia argentina de C\u00f3rdoba, onde se consolida e amplia a informa\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica local para realizar acompanhamentos e previs\u00f5es do conte\u00fado de \u00e1gua no solo. Ademais, utiliza-se o \u00edndice padronizado de precipita\u00e7\u00e3o-vaz\u00e3o (TSI) para gerar modelos de previs\u00e3o hidrol\u00f3gica que impactam a hidroenergia regional.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra iniciativa pioneira \u00e9 a Rede de Laborat\u00f3rios de Observa\u00e7\u00e3o da Terra para a Redu\u00e7\u00e3o do Risco de Desastres (REDLABOT), liderada pela Ag\u00eancia Espacial do Paraguai (AEP), em parceria com a Geo Lab, ESRI Panam\u00e1 e a NASA. Essa rede nasceu ap\u00f3s as inunda\u00e7\u00f5es extremas de 2019 e hoje integra tecnologia geoespacial para enfrentar secas, inc\u00eandios e outros eventos clim\u00e1ticos com informa\u00e7\u00f5es em tempo real. Como apontou o diretor da AEP, Alejandro Rom\u00e1n, o objetivo \u00e9 claro: \u201clevar os benef\u00edcios do espa\u00e7o aos nossos pa\u00edses emergentes e construir capacidades nacionais em agricultura, educa\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o de emerg\u00eancias\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns dos principais eventos meteorol\u00f3gicos e clim\u00e1ticos extremos que afetaram a regi\u00e3o durante o ano de 2024 ocorreram em Belize e no Panam\u00e1, segundo o relat\u00f3rio \u201cEstado do clima na Am\u00e9rica Latina e no Caribe 2024\u201d da OMM. Em Belize, as condi\u00e7\u00f5es extremamente secas, agravadas por intensas ondas de calor, provocaram o pior epis\u00f3dio de inc\u00eandios florestais na hist\u00f3ria recente do pa\u00eds. J\u00e1 no Panam\u00e1, a seca no Canal do Panam\u00e1, que come\u00e7ou em 2022, foi classificada em janeiro de 2024 como a pior da hist\u00f3ria dessa via interoce\u00e2nica. Em resposta a esses fen\u00f4menos, Paraguai, Brasil, Uruguai e Argentina refor\u00e7aram a organiza\u00e7\u00e3o de <a href=\"https:\/\/www.iai.int\/administrador\/assets\/images\/ckfinder\/files\/IAI_DeclaracionAsuncion_30may2025.pdf\">projetos multilaterais de monitoramento e alerta precoce<\/a>, utilizando a diplomacia cient\u00edfica para construir resili\u00eancia clim\u00e1tica conjunta.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, os sistemas de alerta precoce n\u00e3o s\u00e3o simplesmente ferramentas t\u00e9cnicas, mas plataformas para a\u00e7\u00e3o coletiva. Mas sua efic\u00e1cia depende de outro pilar fundamental: a diplomacia cient\u00edfica. Essa pr\u00e1tica, que conecta pesquisadores, tomadores de decis\u00e3o e comunidades atrav\u00e9s das fronteiras, consolidou-se como uma via essencial para fortalecer respostas regionais coordenadas. Durante a CoP-33, o IAI liderou workshops e treinamentos em diplomacia cient\u00edfica com participantes do Paraguai, Brasil, Uruguai e Argentina, apostando em uma agenda regional comum para a Confer\u00eancia das Partes das Na\u00e7\u00f5es Unidas (COP30), que ser\u00e1 realizada no Brasil em novembro de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos esses esfor\u00e7os foram reconhecidos na declara\u00e7\u00e3o assinada pelos governos e institui\u00e7\u00f5es participantes, que reafirma o compromisso com: fortalecer sistemas de alerta precoce multirriscos; integrar conhecimentos cient\u00edficos, ind\u00edgenas e tradicionais; compartilhar dados abertos e metodologias; e mobilizar recursos financeiros para pesquisa e a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica. Esta declara\u00e7\u00e3o simboliza um apelo urgente para agir em conjunto, colocando a ci\u00eancia a servi\u00e7o de pol\u00edticas resilientes e sustent\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Um exemplo concreto dessa coopera\u00e7\u00e3o regional foi a coordena\u00e7\u00e3o entre Paraguai, Argentina e Brasil para garantir o funcionamento da Usina Hidrel\u00e9trica de Yacyret\u00e1 durante os anos de vazante extraordin\u00e1ria do rio Paran\u00e1. Entre 2018 e 2021, os pa\u00edses envolvidos estabeleceram acordos t\u00e9cnicos e operacionais que permitiram manter a gera\u00e7\u00e3o de energia, garantir a navega\u00e7\u00e3o fluvial segura e assegurar o abastecimento de \u00e1gua \u00e0s comunidades ribeirinhas.<\/p>\n\n\n\n<p>As chamadas \u201cjanelas de navega\u00e7\u00e3o\u201d permitiram a passagem organizada de comboios de carga por meio de uma opera\u00e7\u00e3o conjunta baseada em previs\u00f5es hidrol\u00f3gicas, log\u00edstica compartilhada e uso de plataformas tecnol\u00f3gicas. Este caso \u00e9 uma demonstra\u00e7\u00e3o de como a diplomacia t\u00e9cnica e cient\u00edfica pode se traduzir em solu\u00e7\u00f5es concretas diante de desafios clim\u00e1ticos extremos.<\/p>\n\n\n\n<p>A seca \u00e9 e continuar\u00e1 sendo uma amea\u00e7a, mas n\u00e3o estamos indefesos. Com conhecimento compartilhado, alian\u00e7as estrat\u00e9gicas e diplomacia cient\u00edfica, a regi\u00e3o pode n\u00e3o apenas mitigar seus efeitos, mas tamb\u00e9m preparar o terreno para uma transforma\u00e7\u00e3o profunda. A ci\u00eancia n\u00e3o pode agir sozinha, mas nenhuma transforma\u00e7\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel sem ela.<\/p>\n\n\n\n<p><em><sub>*Este \u00e9 um texto da plataforma Voces de Mujeres Iberoamericanas, uma colabora\u00e7\u00e3o entre a Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Ibero-Americanos para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (OEI) e a Latinoam\u00e9rica21. Junte-se <\/sub><\/em><a href=\"https:\/\/vocesdemujeres.com\/sign-up-expert\"><sub><em>AQUI<\/em><\/sub><\/a><em><sub> \u00e0 Plataforma.<\/sub><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><sub>Tradu\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica revisada por Isabel Lima<\/sub><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A seca \u00e9 e continuar\u00e1 sendo uma amea\u00e7a, mas n\u00e3o estamos indefesos. 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