{"id":52121,"date":"2025-10-09T09:00:00","date_gmt":"2025-10-09T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/latinoamerica21.com\/?p=52121"},"modified":"2025-12-02T09:44:25","modified_gmt":"2025-12-02T12:44:25","slug":"cop-30-o-momento-de-atuar-para-os-defensores-do-planeta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/cop-30-o-momento-de-atuar-para-os-defensores-do-planeta\/","title":{"rendered":"COP30: o momento de agir pelos defensores do planeta"},"content":{"rendered":"\n<p>A Am\u00e9rica Latina enfrenta uma de suas mais profundas contradi\u00e7\u00f5es: \u00e9 a regi\u00e3o mais perigosa do mundo para quem defende o meio ambiente, mas tamb\u00e9m \u00e9 o ber\u00e7o do primeiro tratado internacional que busca proteg\u00ea-los: o Acordo de Escaz\u00fa. \u00c0s v\u00e9speras da Confer\u00eancia das Partes (COP-30), que ocorrer\u00e1 na Amaz\u00f4nia brasileira, abre-se uma oportunidade \u00fanica para que os governos da regi\u00e3o passem das promessas \u00e0 a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ser\u00e1 este o momento em que Escaz\u00fa se tornar\u00e1 realidade?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 2023, <a href=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/defensores-do-ambiente-sao-ameacados-tratados-como-criminosos-e-assassinados\/\">pelo menos 196 ativistas foram assassinados<\/a> no mundo por defenderem a terra e um ambiente saud\u00e1vel. Segundo dados da ONG <a href=\"https:\/\/globalwitness.org\/en\/\">Global Witness<\/a>, 85% desses crimes ocorreram na Am\u00e9rica Latina: a Col\u00f4mbia liderou a lista com 79 mortes, seguida por Brasil (25), Honduras e M\u00e9xico (18). No entanto, segundo a organiza\u00e7\u00e3o, o n\u00famero real de v\u00edtimas provavelmente \u00e9 ainda maior, j\u00e1 que a maioria dos casos n\u00e3o \u00e9 denunciada e muitos permanecem impunes.<\/p>\n\n\n\n<p>Os assassinatos n\u00e3o ocorrem de forma isolada: s\u00e3o acompanhados de amea\u00e7as, persegui\u00e7\u00f5es judiciais, estigmatiza\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia sexual, especialmente contra as mulheres defensoras. Mesmo assim, muitas das que est\u00e3o na linha de frente da defesa dos territ\u00f3rios se tornaram s\u00edmbolos internacionais: Berta C\u00e1ceres, Francia M\u00e1rquez, Nemonte Nenquimo e M\u00e1xima Acu\u00f1a s\u00e3o s\u00f3 alguns exemplos de defensoras da terra premiadas internacionalmente e encarnam a resist\u00eancia contra a destrui\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A sede da COP-30 como epicentro da viol\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil \u00e9 um caso paradigm\u00e1tico. No estado do Par\u00e1, onde ser\u00e1 realizada a COP-30 em 2025, a viol\u00eancia contra defensores ambientais atinge n\u00edveis alarmantes. Entre 1985 e 2023, pelo menos 612 pessoas foram assassinadas em conflitos pela terra no estado, segundo a <a href=\"https:\/\/cptnacional.org.br\/caderno\/conflitos-no-campo-brasil-2024\/\">Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT)<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Um <a href=\"https:\/\/www.global.org.br\/blog\/na-linha-de-frente-2022-2024\/\">relat\u00f3rio recente<\/a> das organiza\u00e7\u00f5es <em>Justi\u00e7a Global <\/em>e<em> Terra de Direitos<\/em> documentou 486 v\u00edtimas em 318 epis\u00f3dios de viol\u00eancia, especialmente contra l\u00edderes ind\u00edgenas, quilombolas e camponeses. Em apenas dois anos, foram registrados 55 mortes e 96 tentativas de assassinato. Embora as causas dos conflitos que motivam essas mortes sejam heterog\u00eaneas, em mais de 8 em cada 10 casos envolvem a defesa de territ\u00f3rios e do meio ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p>Por tr\u00e1s desses conflitos est\u00e3o din\u00e2micas estruturais: concentra\u00e7\u00e3o de terras, atrasos na demarca\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios ind\u00edgenas e avan\u00e7o de atividades extrativistas, como minera\u00e7\u00e3o e monoculturas. Tudo isso alimenta um modelo de desenvolvimento que amea\u00e7a tanto a vida das comunidades quanto a do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>COP-30: o momento de agir<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nas palavras da ministra brasileira do Meio Ambiente e Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas, Marina Silva, a COP-30 deve ser \u201ca COP da implementa\u00e7\u00e3o\u201d. Durante o Congresso das Universidades Ibero-americanas sobre os 10 anos da enc\u00edclica <em>Laudato Si\u2019<\/em>, realizado em abril de 2025 no Rio de Janeiro, ela foi enf\u00e1tica: \u201cTem que ser justo para todos e todas, especialmente para os mais vulner\u00e1veis. J\u00e1 discutimos or\u00e7amentos, j\u00e1 fizemos tudo o que pod\u00edamos para adiar. Agora, n\u00e3o h\u00e1 mais nada a fazer. \u00c9 implementar, implementar, implementar\u201d. Uma dessas implementa\u00e7\u00f5es urgentes \u00e9 o Acordo de Escaz\u00fa, assinado pelo Brasil em 2018, mas ainda pendente de ratifica\u00e7\u00e3o. Sua implementa\u00e7\u00e3o poderia marcar um antes e um depois na prote\u00e7\u00e3o daqueles que cuidam da terra.<\/p>\n\n\n\n<p>O <a href=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/o-acordo-de-escazu-e-a-democracia-ambiental\/\">Acordo de Escaz\u00fa \u00e9 o primeiro tratado ambiental da Am\u00e9rica Latina e do Caribe<\/a>, e tamb\u00e9m o \u00fanico instrumento internacional derivado diretamente da Confer\u00eancia Rio+20. Assinado em 2018 e em vigor desde 2021, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/transparencia-publica\/2025\/07\/cop30-sem-aprovacao-do-acordo-de-escazu-e-uma-vergonha.shtml\">foi ratificado por 17 pa\u00edses<\/a> e busca garantir tr\u00eas pilares fundamentais: acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o ambiental, participa\u00e7\u00e3o p\u00fablica nas decis\u00f5es ambientais e acesso \u00e0 justi\u00e7a em quest\u00f5es ambientais. Mas seu car\u00e1ter mais revolucion\u00e1rio reside no fato de ser o primeiro tratado do mundo que protege explicitamente os defensores dos direitos humanos em assuntos ambientais. Seu artigo 9\u00ba estabelece que: \u201cCada Parte garantir\u00e1 um ambiente seguro e prop\u00edcio no qual as pessoas, grupos e organiza\u00e7\u00f5es que promovem e defendem os direitos humanos em quest\u00f5es ambientais possam agir sem amea\u00e7as, restri\u00e7\u00f5es e inseguran\u00e7a\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A ratifica\u00e7\u00e3o do Escaz\u00fa pelo Brasil teria um valor simb\u00f3lico e pr\u00e1tico imenso. Como um dos pa\u00edses com mais viol\u00eancia contra ativistas e sede da pr\u00f3xima COP30, o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/transparencia-publica\/2025\/07\/cop30-sem-aprovacao-do-acordo-de-escazu-e-uma-vergonha.shtml\">Brasil \u00e9 chamado a liderar pelo exemplo<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a falta de implementa\u00e7\u00e3o desse tipo de marco jur\u00eddico n\u00e3o se deve apenas \u00e0 lentid\u00e3o do Estado. A <em>Global Witness<\/em> lembra que as empresas tamb\u00e9m devem prestar contas. Como exemplo: <a href=\"https:\/\/www.infobae.com\/espana\/agencias\/2024\/09\/06\/fondo-soberano-noruego-retira-inversiones-a-prosegur-y-la-empresa-rechaza-las-acusaciones\/\">o fundo soberano da Noruega recomendou recentemente excluir de seus investimentos a empresa Prosegur<\/a>, cuja filial no Brasil (Segurpro) tem sido associada a atos de viol\u00eancia contra povos ind\u00edgenas no Par\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Escaz\u00fa pode ajudar a reverter essa impunidade, promover a transpar\u00eancia e fomentar uma democracia ambiental que n\u00e3o deixe ningu\u00e9m para tr\u00e1s, em conson\u00e2ncia com a Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS).<\/p>\n\n\n\n<p>Devemos ter em mente que a COP-30 n\u00e3o ser\u00e1 apenas mais uma: ser\u00e1 a primeira realizada na Amaz\u00f4nia. Isso implica um simbolismo pol\u00edtico e ecol\u00f3gico sem precedentes. A regi\u00e3o amaz\u00f4nica n\u00e3o \u00e9 apenas um regulador clim\u00e1tico global, mas tamb\u00e9m lar de centenas de povos ind\u00edgenas, antigos guardi\u00f5es do equil\u00edbrio ecol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta COP pode e deve marcar uma mudan\u00e7a de paradigma. Novos compromissos com a redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o suficientes. \u00c9 necess\u00e1rio transformar as formas de governan\u00e7a clim\u00e1tica, incluindo as vozes daqueles que foram historicamente exclu\u00eddos: comunidades locais, mulheres defensoras, povos ind\u00edgenas, popula\u00e7\u00e3o quilombola ou palenquera e juventudes rurais, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p>A democracia ambiental que Escaz\u00fa prop\u00f5e n\u00e3o \u00e9 uma utopia. \u00c9 uma necessidade urgente. Em uma regi\u00e3o onde a prote\u00e7\u00e3o ambiental pode custar vidas, proteger aqueles que a protegem torna-se um ato de justi\u00e7a hist\u00f3rica.<\/p>\n\n\n\n<p>A COP-30 em Bel\u00e9m do Par\u00e1 representa uma oportunidade \u00fanica para os governos da regi\u00e3o demonstrarem seu compromisso com a vida, a justi\u00e7a e o planeta. Ratificar o Acordo de Escaz\u00fa, dot\u00e1-lo de um or\u00e7amento, garantir sua implementa\u00e7\u00e3o efetiva e construir mecanismos de monitoramento cidad\u00e3o s\u00e3o passos fundamentais. Escaz\u00fa n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um tratado; \u00e9 uma porta aberta para uma nova era de prote\u00e7\u00e3o ambiental com justi\u00e7a social, onde viver em harmonia com a natureza n\u00e3o \u00e9 um privil\u00e9gio, mas um direito de todos. Na Amaz\u00f4nia, onde tudo come\u00e7a, um novo pacto pela vida tamb\u00e9m pode come\u00e7ar.<\/p>\n\n\n\n<p><em><sub>Tradu\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica revisada por Isabel Lima<\/sub><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os l\u00edderes latino-americanos mostraram uma postura cr\u00edtica e diversificada diante dos desafios globais, desde a guerra em Gaza at\u00e9 a crise clim\u00e1tica e a governan\u00e7a internacional.<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":51942,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"episode_type":"","audio_file":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[17474,16897],"tags":[17187],"gps":[],"class_list":{"0":"post-52121","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-cop30-2","8":"category-cambio-climatico-pt-br","9":"tag-debates-2"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52121","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=52121"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52121\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/51942"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=52121"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=52121"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=52121"},{"taxonomy":"gps","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gps?post=52121"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}