{"id":52472,"date":"2025-10-23T09:00:00","date_gmt":"2025-10-23T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/latinoamerica21.com\/?p=52472"},"modified":"2025-10-22T19:02:05","modified_gmt":"2025-10-22T22:02:05","slug":"quando-as-ideias-conquistam-mas-os-partidos-alienam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/quando-as-ideias-conquistam-mas-os-partidos-alienam\/","title":{"rendered":"Quando as ideias conquistam, mas os partidos alienam"},"content":{"rendered":"\n<p>Em tempos em que a pol\u00edtica gera mais d\u00favidas do que certezas, os partidos n\u00e3o devem ter s\u00f3 boas ideias: eles t\u00eam que lidar com o que representam como marca. Saber\u00e3o faz\u00ea-lo de modo que joguem a seu favor? Segundo o relat\u00f3rio <em>GPS<\/em> <em>Ciudadano<\/em>, da consultoria DATAVOZ: uma parte relevante do eleitorado chileno compartilha algumas ideias estatistas associadas ao Partido Comunista (PC), mas o rejeita de forma emocional e identit\u00e1ria. Mesmo que as propostas fa\u00e7am sentido para eles, o nome do partido continua sendo um obst\u00e1culo.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso ficou evidente ap\u00f3s a vit\u00f3ria da l\u00edder comunista <strong>Jeannette Jara<\/strong> nas prim\u00e1rias do partido governista. Sua plataforma, que prop\u00f5e um Estado economicamente mais ativo, reabriu o debate sobre o lugar do PC no bloco governista, mas tamb\u00e9m sobre como ele \u00e9 percebido fora dele.<\/p>\n\n\n\n<p>Para entender esse contraponto, o relat\u00f3rio desenvolveu dois indicadores: um que mede <strong>a predisposi\u00e7\u00e3o program\u00e1tica ao estatismo<\/strong> (ou seja, o quanto as pessoas concordam com um papel maior do Estado) e outro que mede <strong>a predisposi\u00e7\u00e3o emocional ao Partido Comunista<\/strong>. Ambos est\u00e3o em uma escala de 1 a 5, onde 1 \u00e9 apoio e 5 \u00e9 rejei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A diferen\u00e7a entre os dois indicadores est\u00e1 no cerne da an\u00e1lise. Porque enquanto a rejei\u00e7\u00e3o emocional ao PC \u00e9 alta e concentrada (com muitos marcando 5, o n\u00edvel mais alto de rejei\u00e7\u00e3o), as opini\u00f5es sobre o estatismo s\u00e3o mais divididas, com uma maioria no meio (valores de 2 a 4). Em outras palavras: <strong>muitos n\u00e3o querem o partido, mas n\u00e3o necessariamente rejeitam suas propostas econ\u00f4micas<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dado importante: <strong>36,1% dos entrevistados se enquadram nessa categoria<\/strong>, onde h\u00e1 uma dist\u00e2ncia afetiva ao PC, mas n\u00e3o \u00e0s suas ideias. Quem s\u00e3o eles? Principalmente mulheres jovens, de baixa renda, com ensino m\u00e9dio ou b\u00e1sico. E isso as torna eleitoralmente decisivas.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa lacuna entre programa e marca n\u00e3o \u00e9 exclusiva do Chile. Esse cen\u00e1rio se repete em v\u00e1rios pa\u00edses latino-americanos: <strong>cidad\u00e3os que desejam um Estado mais presente, mas que n\u00e3o confiam nos partidos que o promovem<\/strong>. O problema n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 program\u00e1tico; \u00e9 simb\u00f3lico.<\/p>\n\n\n\n<p>Os partidos, sobretudo os de esquerda ou com tradi\u00e7\u00e3o estatista, muitas vezes carregam uma hist\u00f3ria que os desfavorece. N\u00e3o por suas propostas atuais, mas pelo que evocam: discursos de outra \u00e9poca, est\u00e9ticas r\u00edgidas, alian\u00e7as passadas, ideologias que os cidad\u00e3os percebem como distantes ou ultrapassadas. Isso pode at\u00e9 bloquear ideias que, no fundo, s\u00e3o compartilhadas por grande parte da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Na regi\u00e3o, <strong>a insatisfa\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria est\u00e1 aumentando<\/strong>. O voto n\u00e3o \u00e9 mais movido s\u00f3 por programas. \u00c9 movido pela confian\u00e7a, pela emo\u00e7\u00e3o, pelo que as pessoas acreditam que um partido ou seu l\u00edder representa. E esse componente emocional se tornou t\u00e3o importante, se n\u00e3o mais, do que o ideol\u00f3gico. Como estudos recentes t\u00eam demonstrado, o \u201celeitor sem ra\u00edzes\u201d est\u00e1 crescendo: algu\u00e9m que n\u00e3o se alinha a nenhum partido, que pode concordar com certas ideias, mas se distanciar\u00e1 se n\u00e3o confiar em quem as prop\u00f5e.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso for\u00e7a os partidos a se fazerem perguntas inc\u00f4modas. O quanto eles podem mudar sua forma de se apresentar sem perder sua identidade? O que est\u00e3o dispostos a ajustar para se conectar com setores programaticamente pr\u00f3ximos, mas simbolicamente distantes? Como construir confian\u00e7a quando sua marca \u00e9 rejeitada?<\/p>\n\n\n\n<p>O caso do Partido Comunista no Chile levanta um grande desafio para muitas for\u00e7as pol\u00edticas na Am\u00e9rica Latina: <strong>n\u00e3o basta ter propostas que respondam \u00e0s demandas sociais<\/strong>. \u00c9 preciso tamb\u00e9m <strong>construir uma narrativa que gere pertencimento<\/strong>, que se conecte com o cotidiano, que n\u00e3o assuste, que n\u00e3o soe alheia.<\/p>\n\n\n\n<p>E isso n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Porque n\u00e3o se trata s\u00f3 de \u201ccomunicar melhor\u201d, mas de entender que, <strong>em contextos de desafeto, a emo\u00e7\u00e3o precede a raz\u00e3o<\/strong>. O programa pode ser bom, mas se a marca n\u00e3o for convincente, o voto ir\u00e1 para outro lugar.<\/p>\n\n\n\n<p>Grande parte do futuro pol\u00edtico est\u00e1 em jogo nessa tens\u00e3o entre programa e marca, ideias e emo\u00e7\u00f5es. E este talvez seja <strong>o maior desafio para quem busca representar a maioria com uma vis\u00e3o transformadora<\/strong>: fazer com que as pessoas n\u00e3o apenas ou\u00e7am suas propostas, mas tamb\u00e9m acreditem naqueles que as representam.<\/p>\n\n\n\n<p><em><sub>Tradu\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica revisada por Isabel Lima<\/sub><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muitas pessoas compartilham ideias de esquerda, mas rejeitam emocionalmente os partidos que as promovem, revelando que hoje a confian\u00e7a pesa mais do que o programa.<\/p>\n","protected":false},"author":479,"featured_media":52457,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"episode_type":"","audio_file":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[16708,17069],"tags":[15839],"gps":[],"class_list":{"0":"post-52472","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-politica-pt-br","8":"category-valores-pt-br","9":"tag-ideias-pt-br"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52472","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/479"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=52472"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52472\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/52457"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=52472"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=52472"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=52472"},{"taxonomy":"gps","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gps?post=52472"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}