{"id":53012,"date":"2025-11-18T09:00:00","date_gmt":"2025-11-18T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/latinoamerica21.com\/?p=53012"},"modified":"2025-11-17T12:46:01","modified_gmt":"2025-11-17T15:46:01","slug":"cenarios-de-violencia-no-mexico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/cenarios-de-violencia-no-mexico\/","title":{"rendered":"Cen\u00e1rios de viol\u00eancia no M\u00e9xico"},"content":{"rendered":"\n<p>A maioria dos mexicanos naturalizou a viol\u00eancia em suas vidas. Se cuidam minimamente, pagam extors\u00f5es e tentam n\u00e3o se meter em problemas. Muitos outros, que n\u00e3o podem ou n\u00e3o querem pagar as imposi\u00e7\u00f5es, protestam com medo, alguns perdem a vida ou veem seus familiares desaparecerem. E outros s\u00e3o obrigados a entrar na l\u00f3gica criminosa e acabam sofrendo as consequ\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>Compreender a viol\u00eancia no M\u00e9xico exige um olhar al\u00e9m dos dados nacionais, pois cada munic\u00edpio reflete din\u00e2micas pr\u00f3prias onde confluem fatores sociais, pol\u00edticos e criminais que moldam realidades contrastantes. Para dimension\u00e1-la adequadamente, \u00e9 necess\u00e1rio analis\u00e1-la a partir do n\u00edvel local, onde se observa como coexistem, em uma mesma entidade federativa, territ\u00f3rios com alta conflitividade, zonas sob controle criminoso e regi\u00f5es onde a presen\u00e7a do Estado \u00e9 quase impercept\u00edvel. No caso mexicano, essa complexidade se manifesta em quatro cen\u00e1rios distintos de viol\u00eancia, que refletem a diversidade de contextos e desafios que o pa\u00eds enfrenta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quatro cen\u00e1rios de viol\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro cen\u00e1rio de viol\u00eancia \u00e9 o que se apresenta em munic\u00edpios com grande presen\u00e7a do Estado e do crime organizado, onde o \u00edndice de homic\u00eddios \u00e9 muito alto e supera as taxas de 60 por cem mil habitantes, superando em diferentes anos taxas de 100. Munic\u00edpios com mais de meio milh\u00e3o de habitantes, como Tijuana (Baixa Calif\u00f3rnia) e Ciudad Ju\u00e1rez (Chihuahua), ultrapassam as 1.000 mortes violentas por ano, enquanto Canc\u00fan (Quintana Roo), Acapulco (Guerrero), Celaya ou Irapuato (Guanajuato) t\u00eam n\u00fameros que variam de 500 a 800 homic\u00eddios por ano. Entre os munic\u00edpios com menos de meio milh\u00e3o de habitantes destacam-se Playa del Carmen, Tulum (Quintana Roo) ou Cajeme (Sonora), entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo cen\u00e1rio corresponde \u00e0 maioria das \u00e1reas urbanas, que apresentam taxas de homic\u00eddios que variam de 10 a 30 por 100.000 habitantes. Em geral, ultrapassam 200 homic\u00eddios por ano, e estes concentram-se especialmente nas \u00e1reas marginais das \u00e1reas metropolitanas de cidades como Guadalajara e Monterrey, ou em bairros da Cidade do M\u00e9xico como Iztapalapa ou Cuauth\u00e9moc, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p>O terceiro cen\u00e1rio se encontra em zonas onde a presen\u00e7a do Estado n\u00e3o \u00e9 forte ou constante e onde a din\u00e2mica de confronto entre grupos do crime organizado faz com que as taxas de homic\u00eddios superem os 50 por 100 mil habitantes. Esse contexto se encontra especialmente em \u00e1reas rurais de munic\u00edpios de Michoac\u00e1n, Guerrero, Oaxaca e, mais recentemente, em diferentes munic\u00edpios de Sinaloa e Tabasco.<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente, o quarto cen\u00e1rio \u00e9 aquele onde o crime organizado tem o controle do territ\u00f3rio e o Estado n\u00e3o tem presen\u00e7a efetiva. Nesses espa\u00e7os, h\u00e1 \u00edndices moderados e baixos de viol\u00eancia homicida, mas presume-se que haja um <a href=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/desaparecer-duas-vezes-no-mexico\/\">n\u00famero significativo de desaparecidos<\/a> e que os cidad\u00e3os estejam sujeitos ao controle social e pol\u00edtico dos criminosos. Isso ocorre especialmente em Tamaulipas, Veracruz e regi\u00f5es do sudeste mexicano, como Tabasco, Chiapas, Campeche e as comunidades rurais de Quintana Roo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Um Estado falido?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No caso dos dois primeiros cen\u00e1rios, a presen\u00e7a importante do Estado torna inadequado apontar a fraqueza estatal; no entanto, \u00e9 muito claro que a resposta do Estado tem sido claramente ineficiente para controlar a viol\u00eancia. At\u00e9 o momento, as diferentes estrat\u00e9gias de gest\u00e3o da inseguran\u00e7a fracassaram no M\u00e9xico.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto ao terceiro e quarto cen\u00e1rios, pode-se abrir o debate sobre se, nesses casos, podemos falar de um Estado falido e como ele deve se fortalecer para recuperar a governabilidade democr\u00e1tica efetiva. A falta de policiais profissionais, bem pagos e confi\u00e1veis em n\u00edvel local, e a aposta em uma resposta militarizada \u00e0 viol\u00eancia tornam muito dif\u00edcil gerenciar essas situa\u00e7\u00f5es, pois n\u00e3o h\u00e1 presen\u00e7a nem intelig\u00eancia efetiva no territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>O quarto cen\u00e1rio \u00e9 particularmente delicado porque demonstra que os indicadores de homic\u00eddios n\u00e3o s\u00e3o determinantes para saber se o crime organizado tem controle efetivo sobre a popula\u00e7\u00e3o. E sem um conhecimento profundo do terreno, \u00e9 muito dif\u00edcil saber se estamos diante de uma zona livre de viol\u00eancia ou diante de uma zona controlada por grupos do crime organizado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Persist\u00eancia da viol\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A viol\u00eancia tem persistido ao longo dos anos em amplas zonas do pa\u00eds e se desloca pontualmente, conforme algum conflito eclode ou algum acordo \u00e9 alcan\u00e7ado. Ela est\u00e1 presente em todo o territ\u00f3rio nacional, mas, para ser interpretada, deve ser analisada com aten\u00e7\u00e3o no n\u00edvel local. Os esfor\u00e7os das autoridades para maquiar os n\u00fameros de homic\u00eddios em todo o pa\u00eds n\u00e3o conseguem ocultar sua importante dimens\u00e3o e impacto, que, al\u00e9m disso, se complica com o aumento do n\u00famero de desaparecidos, que em 2015 n\u00e3o chegava a 4.200 e em 2024 ultrapassou 13.200.<\/p>\n\n\n\n<p>As quest\u00f5es para os pr\u00f3ximos anos centram-se em saber se a estrat\u00e9gia da atual administra\u00e7\u00e3o de Claudia Sheibaum dar\u00e1 resultados (at\u00e9 ao momento, n\u00e3o se vislumbra uma mudan\u00e7a na tend\u00eancia) e quais s\u00e3o os efeitos das leis antiterroristas aprovadas pelos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>O que acontecer\u00e1 se os Estados Unidos obrigarem a suspender o pagamento de extors\u00f5es, alegando que elas representam uma colabora\u00e7\u00e3o com atividades terroristas?<\/p>\n\n\n\n<p><em><sub>Tradu\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica revisada por Isabel Lima<\/sub><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A viol\u00eancia no M\u00e9xico assume quatro faces territoriais distintas, revelando um pa\u00eds onde o Estado coexiste, compete ou desaparece diante do crime organizado.<\/p>\n","protected":false},"author":251,"featured_media":53005,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"episode_type":"","audio_file":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[16736,16706],"tags":[17187],"gps":[],"class_list":{"0":"post-53012","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-crimen-organizado-pt-br","8":"category-mexico-pt-br","9":"tag-debates-2"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53012","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/251"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53012"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53012\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/53005"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53012"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53012"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53012"},{"taxonomy":"gps","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gps?post=53012"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}