{"id":53410,"date":"2025-11-22T09:00:00","date_gmt":"2025-11-22T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/latinoamerica21.com\/?p=53410"},"modified":"2025-11-21T18:33:10","modified_gmt":"2025-11-21T21:33:10","slug":"o-triunfo-da-raiva-como-la-libertad-avanza-capitalizou-a-frustracao-social-na-argentina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/o-triunfo-da-raiva-como-la-libertad-avanza-capitalizou-a-frustracao-social-na-argentina\/","title":{"rendered":"O triunfo da raiva: como La Libertad Avanza capitalizou a frustra\u00e7\u00e3o social na Argentina"},"content":{"rendered":"\n<p>A pol\u00edtica \u00e9 a gest\u00e3o das expectativas, mas, sobretudo, a administra\u00e7\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es coletivas. As elei\u00e7\u00f5es legislativas na Argentina tiveram um resultado que, \u00e0 primeira vista, parece uma contradi\u00e7\u00e3o flagrante: La Libertad Avanza (LLA) obteve uma vit\u00f3ria contundente com <strong>40,7% dos votos em n\u00edvel nacional<\/strong>, impondo-se em <strong>15 das 24 prov\u00edncias<\/strong>, incluindo os cinco distritos eleitorais de maior peso (Buenos Aires, CABA, C\u00f3rdoba, Santa Fe e Mendoza). No entanto, uma an\u00e1lise de escuta social de 15.000.500 intera\u00e7\u00f5es na semana anterior \u00e0 elei\u00e7\u00e3o revela uma atmosfera social dominada pela frustra\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s filtrar as men\u00e7\u00f5es com clara carga emocional, <strong>71,4% delas eram de \u201craiva\u201d<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/o-efeito-surpresa-como-motor-da-politica-argentina\/\">Como explicar esse paradoxo?<\/a> A resposta n\u00e3o est\u00e1 na nega\u00e7\u00e3o de um dos dois dados, mas em sua integra\u00e7\u00e3o. O partido governista n\u00e3o venceu por mudar o humor social, mas por demonstrar ser o \u00fanico ator capaz de representar e capitalizar as diferentes facetas dessa raiva.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A arquitetura da fratura: os dois eleitorados digitais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise do conjunto de dados n\u00e3o mostrou um debate, mas dois universos paralelos que explicam a composi\u00e7\u00e3o dos 40,7% obtidos:<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro \u00e9 o <strong>Arquip\u00e9lago da Convic\u00e7\u00e3o<\/strong> (19,4% de \u201cAlegria\u201d). Esse segmento, embora minorit\u00e1rio na conversa total, \u00e9 o n\u00facleo duro do governo. Suas palavras-chave (obrigado, for\u00e7a, vamos, liberdade) denotam um voto identit\u00e1rio e \u00e9pico. \u00c9 uma base eleitoral que n\u00e3o est\u00e1 avaliando a gest\u00e3o conjuntural, mas defendendo o projeto cultural. Esses 19% s\u00e3o a \u201cbase\u201d leal que a LLA consolidou como sua.<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo \u00e9 o <strong>Continente da \u201cRaiva\u201d<\/strong> (71,4% dominante). Aqui reside a chave da elei\u00e7\u00e3o. A \u201cRaiva\u201d n\u00e3o \u00e9 um bloco monol\u00edtico. A an\u00e1lise sem\u00e2ntica desse cluster revela uma frustra\u00e7\u00e3o sist\u00eamica. As palavras-chave (pa\u00eds, gente, merda) se misturam n\u00e3o s\u00f3 com cr\u00edticas a @jmilei, mas tamb\u00e9m com uma profunda rejei\u00e7\u00e3o aos atores tradicionais: macrismo e kirchnerismo aparecem com destaque.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa \u201cRaiva\u201d \u00e9, portanto, o \u201cvoto de protesto\u201d de 2023 que, dois anos depois, continua ativo. \u00c9 a fadiga c\u00edvica diante das consequ\u00eancias da gest\u00e3o, mas tamb\u00e9m a mem\u00f3ria do motivo pelo qual se votou por uma mudan\u00e7a disruptiva.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A batalha pela \u201craiva\u201d: como se constru\u00edram os 40,7%<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A recente elei\u00e7\u00e3o foi uma disputa pela propriedade desses 71% de \u201craiva\u201d. Os resultados provis\u00f3rios nos mostram como ela se dividiu. A posi\u00e7\u00e3o (Fuerza Patria, ~34%) conseguiu capturar uma parte significativa dessa raiva, a mais cr\u00edtica com a gest\u00e3o atual, mas foi incapaz de aglutinar tudo. Falhou em se apresentar como uma alternativa vi\u00e1vel para o eleitor irritado com o sistema como um todo. Enquanto a vit\u00f3ria da LLA se explica por uma soma de for\u00e7as. Seus 40,7% s\u00e3o a soma dos 19% que representam o voto da \u201calegria\u201d (sua base leal e identit\u00e1ria) e os 21% do voto da \u201craiva\u201d (os \u201cpragm\u00e1ticos revoltados\u201d).<\/p>\n\n\n\n<p>O governo venceu porque conseguiu convencer uma parte majorit\u00e1ria desse eleitorado frustrado de que, apesar das dificuldades da gest\u00e3o, a alternativa (o peronismo e seus aliados) continuava sendo a causa original dessa raiva. LLA revalidou seu mandato ao continuar sendo percebido como o instrumento de puni\u00e7\u00e3o contra a \u201ccasta\u201d, embora agora ele pr\u00f3prio fa\u00e7a parte do poder.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Um mandato condicionado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Esta ampla vit\u00f3ria n\u00e3o \u00e9, de forma alguma, um \u201ccheque em branco\u201d. N\u00e3o \u00e9 uma aprova\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o, mas uma renova\u00e7\u00e3o do mandato de ruptura. O governo n\u00e3o venceu o mau humor social; simplesmente demonstrou que a oposi\u00e7\u00e3o tradicional tamb\u00e9m n\u00e3o consegue capitalizar isso.<\/p>\n\n\n\n<p>O governo ganhou a guerra das narrativas ao conseguir que a \u201craiva\u201d pela gest\u00e3o (o \u201cvoto consequ\u00eancia\u201d) fosse menor do que a \u201craiva\u201d contra o establishment (o \u201cvoto de protesto\u201d). Mas 71% da frustra\u00e7\u00e3o continua latente. O governo venceu a elei\u00e7\u00e3o, mas o plebiscito sobre o humor social continua em aberto e ser\u00e1 o verdadeiro desafio para 2027.<\/p>\n\n\n\n<p><em><sub>Tradu\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica revisada por Isabel Lima<\/sub><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O partido La Libertad Avanza transformou a enorme indigna\u00e7\u00e3o social em uma m\u00e1quina eleitoral, alcan\u00e7ando expressivos 40,7% dos votos e se consolidando como a principal via de express\u00e3o do descontentamento argentino.<\/p>\n","protected":false},"author":567,"featured_media":53237,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"episode_type":"","audio_file":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[16711,16734],"tags":[17187],"gps":[],"class_list":{"0":"post-53410","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-elecciones-pt-br","8":"category-argentina-pt-br","9":"tag-debates-2"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53410","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/567"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53410"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53410\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/53237"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53410"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53410"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53410"},{"taxonomy":"gps","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gps?post=53410"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}