{"id":56917,"date":"2026-06-05T09:00:00","date_gmt":"2026-06-05T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/latinoamerica21.com\/?p=56917"},"modified":"2026-06-05T17:35:57","modified_gmt":"2026-06-05T20:35:57","slug":"os-brasileiros-chegam-ao-dia-mundial-do-meio-ambiente-entre-a-apreensao-e-o-cansaco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/os-brasileiros-chegam-ao-dia-mundial-do-meio-ambiente-entre-a-apreensao-e-o-cansaco\/","title":{"rendered":"Os brasileiros chegam ao Dia Mundial do Meio Ambiente entre a apreens\u00e3o e o cansa\u00e7o"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Seis meses ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o da COP30 na cidade de Bel\u00e9m, o Brasil n\u00e3o parece ter muito a celebrar em mat\u00e9ria ambiental. A flexibiliza\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o para a explora\u00e7\u00e3o mineral por parte do Congresso, os planos governamentais de explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo na Amaz\u00f4nia, as den\u00fancias de esgotamento de fontes h\u00eddricas com objetivos puramente lucrativos contra empresas como a Nestl\u00e9 ou de destrui\u00e7\u00e3o de \u00e1reas naturais e protegidas por empresas nacionais emblem\u00e1ticas como a JBS alimentam o cinismo p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo com not\u00edcias positivas, como a grande queda no n\u00edvel de desmatamento registrada em 2025, o corte de \u00e1rvores continua ocorrendo, sobretudo em uma das regi\u00f5es mais intocadas do pa\u00eds, devido \u00e0 expans\u00e3o do agroneg\u00f3cio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o surpreende, portanto, que os brasileiros cheguem ao Dia Mundial do Meio Ambiente entre a apreens\u00e3o e o cansa\u00e7o. Essa sensa\u00e7\u00e3o se reflete nas pesquisas e condiciona a agenda p\u00fablica, ainda mais em pleno ano eleitoral e \u00e0s v\u00e9speras das elei\u00e7\u00f5es presidenciais. Apesar de n\u00e3o ter a urg\u00eancia atribu\u00edda \u00e0 criminalidade e \u00e0 inseguran\u00e7a, \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o e \u00e0 desigualdade social, que aparecem como os principais problemas da sociedade, a crise clim\u00e1tica no Brasil \u00e9 considerada fundamental e preocupante. De fato, segundo um estudo recente da consultoria Market Analysis, uma s\u00f3lida maioria de 82% reconhece o aquecimento global como uma grave amea\u00e7a \u00e0 humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os brasileiros consideram que a crise \u00e9 preocupante e a associam ao aumento de desastres naturais, como secas, inc\u00eandios, inunda\u00e7\u00f5es e furac\u00f5es. Segundo os relat\u00f3rios do CEMADEN e da plataforma de monitoramento PREVOTS, o ano de 2025 bateu outro recorde de desastres, al\u00e9m de ter sido um dos mais quentes desde a d\u00e9cada de 1960, quando as medi\u00e7\u00f5es come\u00e7aram. Esses fen\u00f4menos s\u00e3o agora tang\u00edveis para a popula\u00e7\u00e3o em geral e indicadores inequ\u00edvocos de que a crise clim\u00e1tica \u00e9 uma realidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A constante deteriora\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica abala o otimismo habitual do brasileiro t\u00edpico. O fatalismo ambiental sobre a irreversibilidade da crise est\u00e1 aumentando, passando de 20% em 2019 para 31% em 2026, porcentagem que considera que j\u00e1 \u00e9 tarde para reverter as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Esse crescente pessimismo clim\u00e1tico (apesar de ainda ser minorit\u00e1rio) se explica n\u00e3o apenas pela evid\u00eancia de fen\u00f4menos extremos cada vez mais frequentes e com consequ\u00eancias mais calamitosas, mas tamb\u00e9m pela crescente desconfian\u00e7a nos agentes que deveriam resolver o problema, como o governo e as empresas, em primeiro lugar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo da <em>Market Analysis <\/em>aponta que a maioria dos brasileiros entende que os respons\u00e1veis t\u00eam nome e sobrenome: primeiro o governo e depois as empresas. Os primeiros, por suas pol\u00edticas err\u00e1ticas e pela falta de regulamenta\u00e7\u00e3o ou puni\u00e7\u00e3o efetiva diante de viola\u00e7\u00f5es ou desastres ambientais. Os segundos, devido aos seus modelos question\u00e1veis de produ\u00e7\u00e3o e lucro, e ao seu marketing ancorado no \u201cgreenwashing\u201d ou em falsas alega\u00e7\u00f5es de virtudes ecol\u00f3gicas, o que alimenta o cinismo p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, os brasileiros confiam cada vez menos na capacidade de resolu\u00e7\u00e3o desses agentes. Por exemplo, apenas 30% acreditam que os governos (nacional e estaduais) est\u00e3o tomando as medidas necess\u00e1rias para cuidar do meio ambiente. Esse ceticismo \u00e9 maior no Brasil do que nos outros pa\u00edses latino-americanos que participaram do estudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao contr\u00e1rio de outros pa\u00edses da regi\u00e3o, os brasileiros atribuem um papel especial de resolu\u00e7\u00e3o aos indiv\u00edduos, endossando fortemente a cren\u00e7a de que os comportamentos pessoais podem contribuir para melhorar o meio ambiente. De fato, 78% dos entrevistados abra\u00e7am essa convic\u00e7\u00e3o, uma porcentagem alta, mas que j\u00e1 foi maior no final da d\u00e9cada passada, revelando o cansa\u00e7o mencionado e o pessimismo nascente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De qualquer forma, essa f\u00e9 no empoderamento individual n\u00e3o se traduz necessariamente em a\u00e7\u00f5es efetivas ou transformadoras. Por exemplo, no Brasil, h\u00e1 muito menos pessoas dispostas a pagar mais por produtos que cuidam do meio ambiente do que em outros pa\u00edses da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como afirmava o soci\u00f3logo Ulrich Beck, tentar resolver um problema sist\u00eamico a partir do indiv\u00edduo ou de solu\u00e7\u00f5es biogr\u00e1ficas \u00e9 uma causa perdida antes mesmo de nascer. A possibilidade \u2014 e o senso de justi\u00e7a \u2014 de que um indiv\u00edduo consiga dar as respostas adequadas a problemas causados por d\u00e9cadas de neglig\u00eancia e p\u00e9ssima gest\u00e3o por parte de atores muito mais poderosos, como governos e empresas, \u00e9 nula (ou quase isso). Isso n\u00e3o significa invalidar a capacidade e o potencial de a\u00e7\u00e3o que o indiv\u00edduo possui. Ningu\u00e9m melhor do que Greta Thunberg para ilustrar isso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o faltam lideran\u00e7as individuais que seguem uma l\u00f3gica semelhante no caso brasileiro, talvez como n\u00e3o se tenha visto em nenhum outro pa\u00eds da Am\u00e9rica Latina, com a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, \u00e0 frente, mas tamb\u00e9m in\u00fameros outros ativistas de ONGs, think tanks, meios de comunica\u00e7\u00e3o ou \u2014 inclusive \u2014 do pr\u00f3prio Congresso. Os nomes de Chico Mendes, Fernando Gabeira, Ailton Krenak, Sonia Guajajara e Carlos Nobre, entre tantos outros, s\u00e3o exemplos disso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante da ansiedade clim\u00e1tica da popula\u00e7\u00e3o, o Brasil enfrenta um novo calend\u00e1rio de desafios ambientais, enquanto a campanha eleitoral continua ignorando essas quest\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><sub>Tradu\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica revisada por Isabel Lima<\/sub><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A crescente preocupa\u00e7\u00e3o com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas coexiste com o cansa\u00e7o e a desconfian\u00e7a dos brasileiros em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s respostas dos governos e das empresas diante da crise ambiental.<\/p>\n","protected":false},"author":96,"featured_media":56896,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"episode_type":"","audio_file":"","podmotor_file_id":"","podmotor_episode_id":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[16728,16751],"tags":[17187],"gps":[],"class_list":["post-56917","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-brasil-pt-br","category-medioambiente-pt-br","tag-debates-2"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56917","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/96"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=56917"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56917\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":56919,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56917\/revisions\/56919"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/56896"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=56917"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=56917"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=56917"},{"taxonomy":"gps","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gps?post=56917"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}