{"id":59193,"date":"2026-09-01T07:38:57","date_gmt":"2026-09-01T10:38:57","guid":{"rendered":"https:\/\/latinoamerica21.com\/?p=59193"},"modified":"2026-09-21T10:40:58","modified_gmt":"2026-09-21T13:40:58","slug":"nora-a-lideranca-firme-de-uma-jovem-ayorea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/nora-a-lideranca-firme-de-uma-jovem-ayorea\/","title":{"rendered":"Nora: a lideran\u00e7a firme de uma jovem ayorea"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre as estradas de terra que ligam Filad\u00e9lfia a Campo Loro, vive Nora Galarza Picanerai Chique\u00f1oi. Nesta comunidade ayoreo, a l\u00edngua \u00e9 mais do que um meio de comunica\u00e7\u00e3o: \u00e9 identidade, cultura, hist\u00f3ria e sobreviv\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAqui falamos ayoreo cem por cento\u201d, diz Nora, uma jovem professora de 21 anos que d\u00e1 aula para meninas e meninos da terceira e quarta s\u00e9ries. \u201cMuito poucos de n\u00f3s sabemos espanhol. S\u00f3 eu, meu irm\u00e3o e minha prima\u201d, ressalta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sua hist\u00f3ria come\u00e7a marcada pela l\u00edngua. Aos quatro anos, Nora foi enviada para um internato longe de sua comunidade. L\u00e1, ela completou cinco anos. \u201cO mais dif\u00edcil foi a l\u00edngua, entender como as pessoas falavam\u201d, lembra ela. \u201cEu tinha dificuldade para me relacionar com minha fam\u00edlia quando voltava, porque j\u00e1 quase n\u00e3o falava ayoreo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora essa separa\u00e7\u00e3o tenha sido um sacrif\u00edcio para ela e sua fam\u00edlia, ao mesmo tempo foi fundamental para que Nora crescesse e se desenvolvesse em seguran\u00e7a. Isso \u00e9 muito relevante, considerando que, no grupo de meninas de at\u00e9 12 anos, o Paraguai tem a taxa espec\u00edfica de fecundidade mais alta do Cone Sul, o que tem rela\u00e7\u00e3o direta com o abuso sexual de meninas*.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Educar para podermos dizer quem somos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje, com serenidade e determina\u00e7\u00e3o, Nora d\u00e1 aulas na mesma comunidade onde cresceu. Em uma sala de aula simples, com um quadro-negro como \u00fanica ferramenta, ela acompanha uma d\u00fazia de meninas e meninos curiosos que aprendem palavras novas a cada dia. \u201cEscrevo tudo s\u00f3 no quadro-negro\u201d, conta ela. \u201cUso meu celular para pesquisar no Google as coisas que preciso ensinar.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sua principal motiva\u00e7\u00e3o \u00e9 que as meninas cres\u00e7am seguras, desenvolvendo seus projetos. Em contrapartida, segundo dados do Instituto Nacional de Estat\u00edstica (INE), em 2022, 6.130 meninas e adolescentes entre 12 e 17 anos deram \u00e0 luz, e um total de 10.371 meninas e adolescentes estavam casadas, viviam em uni\u00e3o est\u00e1vel ou eram vi\u00favas, separadas ou divorciadas, o que violou seu direito de viver uma vida livre de viol\u00eancia e de exercer sua autonomia corporal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nora reflete e nos diz que pretende ajudar para que elas possam se expressar em espanhol \u201cporque, se algum dia precisarem ir ao hospital, n\u00e3o v\u00e3o conseguir explicar \u00e0 enfermeira onde est\u00e1 doendo, j\u00e1 que ela n\u00e3o vai entend\u00ea-las em ayoreo. \u00c9 por isso que quero ensin\u00e1-las\u201d. Cada aula se torna, assim, um ato de conex\u00e3o entre dois mundos: o das ra\u00edzes que sustentam a identidade ayorea e o das oportunidades que o aprendizado oferece.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Um ambiente que exige resili\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Campo Loro abriga mais de 400 pessoas que vivem cercadas pela mata do Chaco. A temperatura chega a 45 graus e as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o hoje uma amea\u00e7a direta \u00e0s comunidades ind\u00edgenas e comprometem o futuro de adolescentes e jovens. A isso se soma o fato de que o acesso aos servi\u00e7os b\u00e1sicos continua sendo um desafio: em caso de emerg\u00eancias m\u00e9dicas, \u00e9 preciso se deslocar at\u00e9 Villa Choferes, que fica a mais de 60 quil\u00f4metros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A comunidade conta com eletricidade e algumas bombas d\u2019\u00e1gua, mas o acesso ainda \u00e9 limitado. \u201cA \u00e1gua \u00e9 o que mais faz falta\u201d, diz Nora. \u201cMuitos sofrem por n\u00e3o terem acesso a esse recurso\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"667\" src=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-15.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-59195\" style=\"aspect-ratio:1.5012468827930174;width:602px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-15.jpeg 1000w, https:\/\/latinoamerica21.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-15-300x200-1.jpeg 300w, https:\/\/latinoamerica21.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-15-768x512.jpeg 768w, https:\/\/latinoamerica21.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-15-150x100.jpeg 150w, https:\/\/latinoamerica21.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-15-324x216.jpeg 324w, https:\/\/latinoamerica21.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-15-696x464.jpeg 696w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><sub>Ao matricul\u00e1-la naquela escola, seus pais tomaram uma decis\u00e3o crucial que mais tarde se tornaria um benef\u00edcio para Nora e toda a comunidade. \u00a9UNFPA Paraguai \/ Laura Iparraguirre<\/sub><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar das dificuldades, ela fala com esperan\u00e7a. Quer continuar estudando inform\u00e1tica e aprimorar suas aulas com mais recursos tecnol\u00f3gicos. \u201cGosto muito disso\u201d, afirma, com um sorriso t\u00edmido. Sua fam\u00edlia foi seu maior apoio nos estudos e, hoje, a comunidade confia nela como guia das novas gera\u00e7\u00f5es. Em cada palavra que ela ensina h\u00e1 um prop\u00f3sito profundo: garantir o exerc\u00edcio dos direitos, para que seu povo possa se expressar, pedir ajuda, aprender e decidir. Seu trabalho representa uma forma silenciosa e firme de lideran\u00e7a jovem que nasce do compromisso cotidiano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Pontes que transformam<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hist\u00f3rias como a de Nora revelam o poder da educa\u00e7\u00e3o como ferramenta para o exerc\u00edcio dos direitos fundamentais, entre eles os direitos sexuais e reprodutivos. Nas comunidades ind\u00edgenas, isso significa que meninas e adolescentes cres\u00e7am seguras, longe de casamentos precoces e de gravidez indesejada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"667\" src=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-16.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-59198\" style=\"aspect-ratio:1.5012468827930174;width:602px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-16.jpeg 1000w, https:\/\/latinoamerica21.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-16-300x200-1.jpeg 300w, https:\/\/latinoamerica21.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-16-150x100.jpeg 150w, https:\/\/latinoamerica21.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-16-768x512.jpeg 768w, https:\/\/latinoamerica21.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-16-324x216.jpeg 324w, https:\/\/latinoamerica21.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-16-696x464.jpeg 696w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><sub>Nesta comunidade Ayoreo, onde a l\u00edngua \u00e9 identidade, cultura, hist\u00f3ria e sobreviv\u00eancia, construir pontes interculturais \u00e9 essencial para garantir direitos e op\u00e7\u00f5es para todas as pessoas. \u00a9UNFPA Paraguai \/ Laura Iparraguirre<\/sub><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade P\u00fablica e o UNFPA trabalham em conjunto com as comunidades ind\u00edgenas do Chaco paraguaio para fortalecer esses la\u00e7os: garantindo o acesso \u00e0 sa\u00fade sexual e reprodutiva e produzindo materiais educacionais que respeitem as l\u00ednguas e cosmovis\u00f5es locais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma iniciativa bem-sucedida tem sido a consolida\u00e7\u00e3o da oferta de planejamento familiar, acompanhada de palestras e conversas em seus idiomas e culturalmente adequadas, para que as adolescentes e as mulheres conhe\u00e7am e possam optar por um m\u00e9todo anticoncepcional moderno. \u201cDesde o ano passado, em nossa comunidade, as adolescentes que j\u00e1 tiveram um filho puderam ter acesso ao implante subd\u00e9rmico como m\u00e9todo para prevenir uma nova gravidez precoce\u201d, explica Alejandra Uneai (30), do povo Ayoreo, que <strong>participou do processo de elabora\u00e7\u00e3o e valida\u00e7\u00e3o de materiais de planejamento familiar em sua l\u00edngua<\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>In the Paraguayan Chaco, Nora Galarza converted intercultural education into a tool to preserve the Ayorean identity and expand the opportunities of new generations.<\/p>\n","protected":false},"author":947,"featured_media":59030,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"episode_type":"","audio_file":"","podmotor_file_id":"","podmotor_episode_id":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[16724],"tags":[17187],"gps":[],"class_list":["post-59193","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-historia-pt-br","tag-debates-2"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59193","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/947"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=59193"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59193\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":59201,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59193\/revisions\/59201"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/59030"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=59193"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=59193"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=59193"},{"taxonomy":"gps","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gps?post=59193"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}