{"id":6086,"date":"2021-06-16T08:45:00","date_gmt":"2021-06-16T11:45:00","guid":{"rendered":"http:\/\/latinoamerica21.com\/?p=6086"},"modified":"2021-06-16T08:51:19","modified_gmt":"2021-06-16T11:51:19","slug":"argentina-de-coalizoes-eleitorais-e-colisoes-governamentais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/argentina-de-coalizoes-eleitorais-e-colisoes-governamentais\/","title":{"rendered":"Argentina: de coaliz\u00f5es eleitorais e colis\u00f5es governamentais"},"content":{"rendered":"\n<p>Ser\u00e1 que a coaliz\u00e3o governamental Frente de Todos se transformar\u00e1 numa frente de todos contra todos? Ser\u00e1 que a alian\u00e7a da oposi\u00e7\u00e3o Juntos por el Cambio (Juntos pela Mudan\u00e7a) conseguir\u00e1 preservar a sua unidade na diversidade? Dado este contexto pol\u00edtico, parece que na Argentina estamos na presen\u00e7a de um presidencialismo de colis\u00e3o e n\u00e3o de coaliz\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Um governo de coaliz\u00e3o \u00e9 geralmente um grupo de partidos pol\u00edticos que concorda em perseguir objetivos comuns, reunir recursos para os concretizar e distribuir os benef\u00edcios da realiza\u00e7\u00e3o desses objetivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos modelos cl\u00e1ssicos de governo de coaliz\u00e3o na Europa Ocidental, bem como nos n\u00e3o t\u00e3o cl\u00e1ssicos na Am\u00e9rica Latina, a distribui\u00e7\u00e3o de tais benef\u00edcios \u00e9 feita verticalmente, atrav\u00e9s da distribui\u00e7\u00e3o da responsabilidade pela gest\u00e3o de diferentes ag\u00eancias estatais entre os membros da coaliz\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A distribui\u00e7\u00e3o de benef\u00edcios<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mas, como foram distribu\u00eddos os benef\u00edcios no seio da coaliz\u00e3o governamental ap\u00f3s a posse de Alberto Fern\u00e1ndez e o regresso do peronismo em 2019?<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/latinoamerica21.com\/br\/equador-argentina-e-bolivia-a-tentacao-da-lideranca-delegada\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A forma\u00e7\u00e3o da Frente de Todos nasceu da iniciativa de Cristina Fern\u00e1ndez de Kirchner <\/a>de nomear como candidato \u00e0 presid\u00eancia um l\u00edder com uma longa trajet\u00f3ria, embora com pouco poder territorial, como Alberto Fern\u00e1ndez. E ela, ao contr\u00e1rio daquilo a que estamos habituados, nomeou-se a si pr\u00f3pria como sua companheira de candidatura na sua condi\u00e7\u00e3o de l\u00edder natural do espa\u00e7o que representa a primeira minoria no seio da coaliz\u00e3o. Isto deveu-se \u00e0 sua falta de capacidade para garantir por si mesma sucesso eleitoral: &#8220;Com Cristina n\u00e3o \u00e9 suficiente, sem Cristina n\u00e3o o se pode &#8221; acabou sendo o slogan.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isto levantou quest\u00f5es sobre como funcionaria a coaliz\u00e3o, tanto em termos do rumo da rela\u00e7\u00e3o entre o presidente e a vice-presidente, como da distribui\u00e7\u00e3o de responsabilidades na futura administra\u00e7\u00e3o entre os diferentes atores da nova coaliz\u00e3o dominante.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s 18 meses de governo, a gest\u00e3o da coaliz\u00e3o tem sido caracterizada por tr\u00eas aspectos fundamentais. O primeiro foi uma distribui\u00e7\u00e3o horizontal de minist\u00e9rios, secret\u00e1rios, subsecret\u00e1rios e dire\u00e7\u00f5es nacionais. Isto significa que as tarefas dentro da administra\u00e7\u00e3o se basearam na coexist\u00eancia de atores de diferentes agrupamentos de coaliz\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo aspecto \u00e9 que este processo de atribui\u00e7\u00e3o horizontal tamb\u00e9m coexiste com um particular e ins\u00f3lito esquema de rendi\u00e7\u00e3o de contas dos ministros perante os seus secret\u00e1rios, ou subsecret\u00e1rios, e do chefe do Poder Executivo perante a vice-presidente da Na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por \u00faltimo, a conflituosa coexist\u00eancia entre diferentes vis\u00f5es sobre a dire\u00e7\u00e3o a imprimir ao governo nacional \u00e9 evidente entre os chefes dos minist\u00e9rios, secretarias, subsecretarias e dire\u00e7\u00f5es nacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado desta modalidade de distribui\u00e7\u00e3o de responsabilidades n\u00e3o tem sido outra coisa sen\u00e3o a paralisia pol\u00edtica, o bloqueio institucional e a aus\u00eancia de uma defini\u00e7\u00e3o da rumo geral da administra\u00e7\u00e3o. Isto vai desde a defini\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o da Argentina com o contexto internacional, a estrat\u00e9gia para conter a infla\u00e7\u00e3o e a negocia\u00e7\u00e3o da d\u00edvida externa, at\u00e9 \u00e0 estrat\u00e9gia para enfrentar a crise sanit\u00e1ria, para al\u00e9m da ortodoxa e compartilhada restri\u00e7\u00e3o da circula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um estranho paradoxo o dos economistas heterodoxos que se tornam os defensores mais ortodoxos da estrat\u00e9gia sanit\u00e1ria: a rejei\u00e7\u00e3o do ajuste econ\u00f4mico coexiste com uma defesa mais que fervorosa do ajuste sanit\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E a oposi\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um panorama n\u00e3o menos complexo se observa no seio da coaliz\u00e3o opositora, Juntos por el Cambio. H\u00e1 uma aus\u00eancia de lideran\u00e7a nacional, mas tamb\u00e9m t\u00e1ticas e estrat\u00e9gias diferentes entre os setores &#8220;duros&#8221; e &#8220;suaves&#8221; da coaliz\u00e3o na constru\u00e7\u00e3o de uma mensagem que d\u00e1 conta tanto dos limites da experi\u00eancia de governo entre 2015 e 2019, como de uma proposta para o futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns dos aspectos a enfrentar no seio desta coaliz\u00e3o s\u00e3o a necessidade de explorar uma poss\u00edvel amplia\u00e7\u00e3o da alian\u00e7a, de levar a cabo um processo de reinven\u00e7\u00e3o de Juntos por el Cambio &#8211; antigo Cambiemos &#8211; que estabele\u00e7a novos objetivos comuns para al\u00e9m dos originais, ou de definir um protocolo para processar conflitos no seio de uma alian\u00e7a heterog\u00eanea.<\/p>\n\n\n\n<p>Como colis\u00e3o pode se entender um confronto entre ideias, interesses e sentimentos opostos, ou entre as pessoas que os representam. Mas tamb\u00e9m pode ser entendido como o choque entre dois ou mais objetos de forma violenta porque est\u00e3o no mesmo caminho.<\/p>\n\n\n\n<p>Ser\u00e1 este \u00faltimo o resultado inevit\u00e1vel? A experi\u00eancia traum\u00e1tica da alian\u00e7a eleitoral entre a Uni\u00e3o C\u00edvica Radical, UCR, e a Frente por um Pa\u00eds Solid\u00e1rio, FREPASO, (1999-2001) nos levaria a pensar que sim, enquanto que a experi\u00eancia de Cambiemos (2015-2019), entre o fracasso econ\u00f4mico e o sucesso pol\u00edtico, mesmo na derrota eleitoral, nos levaria a pensar que n\u00e3o. Em suma, como geralmente acontece em contextos incertos, as perguntas abundam e as respostas s\u00e3o escassas.<\/p>\n\n\n\n<p><em><sub>*Tradu\u00e7\u00e3o do espanhol por Luiza Tavares da Silva<\/sub><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A coaliz\u00e3o governista Frente de Todos ser\u00e1 transformada em uma frente de todos contra todos? 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