{"id":672,"date":"2018-01-04T18:34:35","date_gmt":"2018-01-04T21:34:35","guid":{"rendered":"http:\/\/latinoamerica21.com\/?p=672"},"modified":"2022-12-07T17:16:17","modified_gmt":"2022-12-07T20:16:17","slug":"a-esquerda-na-america-latina-o-fim-de-um-ciclo-e-o-inicio-de-outro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/a-esquerda-na-america-latina-o-fim-de-um-ciclo-e-o-inicio-de-outro\/","title":{"rendered":"A esquerda na A.L.: O fim de um ciclo e o in\u00edcio de outro?"},"content":{"rendered":"\n<p>Este ano\nmarca o 20\u00ba anivers\u00e1rio da primeira vit\u00f3ria de Hugo Ch\u00e1vez nas urnas\nvenezuelanas e o in\u00edcio de um ciclo de governos de esquerda que se espalharam\npor grande parte da regi\u00e3o. Durante duas d\u00e9cadas, governos que abrangeram todo\no espectro da esquerda, desde os regimes moderados de centro-esquerda at\u00e9 os\nneo-populistas, foram estabelecidos na maioria dos pa\u00edses latino-americanos,\nexceto no M\u00e9xico, na Col\u00f4mbia e em outros pa\u00edses menores. Diferentes enfoques caracter\u00edsticos\ndo mesmo ciclo e que ser\u00e3o lembradas pelo grande crescimento econ\u00f4mico gra\u00e7as\nao boom das mat\u00e9rias-primas e \u00e0 disponibilidade de capital global, \u00e0 queda\nsignificativa da pobreza, da desigualdade e do aumento da classe m\u00e9dia, e \u00e0\ndescoberta dos maiores casos de corrup\u00e7\u00e3o na hist\u00f3ria da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n\n\n\n<p>Duas d\u00e9cadas antes do in\u00edcio do ciclo liderado por Ch\u00e1vez, a nova vit\u00f3ria de Sebasti\u00e1n Pi\u00f1era, candidato de direita no Chile, \u00e9 apenas o \u00faltimo rev\u00e9s sofrido pela <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/ln\/a\/ZgZvpsdkjtJvFwcrDLtjtsF\/?lang=pt\">esquerda<\/a> na regi\u00e3o. A estagna\u00e7\u00e3o da economia depois de 2014, principalmente devido \u00e0 queda dos pre\u00e7os das mat\u00e9rias-primas, e os numerosos casos de corrup\u00e7\u00e3o provocaram um aumento da instabilidade na regi\u00e3o e, pouco a pouco, v\u00e1rios governos de esquerda foram substitu\u00eddos por governos de direita em sucessivas elei\u00e7\u00f5es ou por demiss\u00f5es, como no caso de Dilma Rousseff no Brasil e Fernando Lugo no Paraguai.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>dois ter\u00e7os dos latino-americanos ter\u00e3o que eleger seu pr\u00f3ximo presidente em 2018<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s o fim da recess\u00e3o econ\u00f4mica, a recupera\u00e7\u00e3o da demanda e dos pre\u00e7os das commodities restaurou alguma esperan\u00e7a para os pa\u00edses sul-americanos, enquanto o M\u00e9xico, amea\u00e7ado pelo protecionismo de Trump e pelo fim do Acordo de Livre Com\u00e9rcio da Am\u00e9rica do Norte (NAFTA), est\u00e1 procurando novos horizontes. Neste contexto, dois ter\u00e7os dos latino-americanos ter\u00e3o que eleger seu pr\u00f3ximo presidente em 2018 nas <a href=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/br\/1092-2\/\">elei\u00e7\u00f5es<\/a> gerais do M\u00e9xico, Brasil, Col\u00f4mbia, Paraguai, Costa Rica e supostamente Venezuela.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro\nturno das elei\u00e7\u00f5es costarriquenhas em fevereiro ser\u00e1 o primeiro concurso\nregional e as pesquisas apontam para a recupera\u00e7\u00e3o do governo de\ncentro-direita. No Paraguai, o claro favorito para as elei\u00e7\u00f5es de abril \u00e9 o\ncandidato de direita ligado \u00e0 ala mais conservadora do Partido Colorado. E na\nCol\u00f4mbia, as elei\u00e7\u00f5es a serem realizadas em maio, em um clima polarizado entre\ndefensores e detratores dos acordos de paz com a guerrilha das FARC, ainda n\u00e3o\nt\u00eam um favorito claro. Mas, por enquanto, as pesquisas colocam o candidato\nindependente Sergio Fajardo, l\u00edder da Coliga\u00e7\u00e3o Col\u00f4mbia, formado pelos setores\nde centro-esquerda e centro-direita, no topo.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 no dia 1\nde Julho ter\u00e1 lugar a primeira das duas elei\u00e7\u00f5es que marcar\u00e3o o futuro da\nregi\u00e3o. Em meio \u00e0 maior onda de viol\u00eancia e com esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o que\nultrapassam qualquer limite, os mexicanos ter\u00e3o que eleger seu pr\u00f3ximo presidente\nnaquele dia. E dentro desse quadro, o que lidera todas as sondagens \u00e9 o\ncandidato de esquerda Andr\u00e9s Manuel L\u00f3pez Obrador, que em 2006 foi derrotado\npor Felipe Calder\u00f3n por uma diferen\u00e7a de apenas 0,56%. Embora o candidato de\nesquerda &#8211; que deixou o Partido Revolucion\u00e1rio Democr\u00e1tico (PRD) depois das\nelei\u00e7\u00f5es de 2012 e atualmente lidera a coaliz\u00e3o Movimento Nacional de\nRegenera\u00e7\u00e3o (MORENA) &#8211; tenha o apoio de importantes setores empresariais,\nmuitos de seus oponentes tentam semear a d\u00favida no eleitorado, apresentando-o\ncomo o &#8220;Ch\u00e1vez mexicano&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda\nescolha chave \u00e9 o Brasil em outubro. Em um clima de maior estabilidade pol\u00edtica\ne uma economia em recupera\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s a destitui\u00e7\u00e3o pol\u00eamica da presidente Dilma\nRousseff e a assun\u00e7\u00e3o de Michel Temer, todas as pesquisas d\u00e3o um claro vencedor\na Lula da Silva. No entanto, sua candidatura est\u00e1 nas m\u00e3os do poder judici\u00e1rio,\npois depende do resultado do recurso do ex-presidente contra sua condena\u00e7\u00e3o por\ncorrup\u00e7\u00e3o. Uma elei\u00e7\u00e3o sem Lula como candidato seria radicalmente diferente. No\nentanto, segundo o Instituto Datafolha de S\u00e3o Paulo, no momento, 38% dos\neleitores pretendem votar em quem o ex-presidente designar para substitu\u00ed-lo\ncaso ele n\u00e3o possa ser candidato.<\/p>\n\n\n\n<p>O pa\u00eds que\ndeve fechar o calend\u00e1rio eleitoral \u00e9 a Venezuela. &#8220;Em 2018 chove, trov\u00f5es\nou flashes, vamos \u00e0s elei\u00e7\u00f5es presidenciais como ordena nossa\nConstitui\u00e7\u00e3o&#8221;, disse Maduro no ano passado. A data das pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es\nainda n\u00e3o foi anunciada e, de acordo com os analistas, o mau momento que a\noposi\u00e7\u00e3o est\u00e1 atravessando poderia ser usado pelo governo para antecipar a data\nque tradicionalmente tem sido em dezembro. No entanto, resta saber se Nicol\u00e1s\nMaduro manter\u00e1 a sua palavra de que realizar\u00e1 as t\u00e3o esperadas elei\u00e7\u00f5es\npresidenciais.<\/p>\n\n\n\n<p>O pa\u00eds que\nh\u00e1 20 anos impulsionou a esquerda na regi\u00e3o \u00e9 hoje n\u00e3o s\u00f3 incapaz de garantir\nas condi\u00e7\u00f5es fundamentais de uma democracia, como tamb\u00e9m testemunha o fim do\nciclo que viu nascer. A esquerda latino-americana est\u00e1 enfraquecida e as\npr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es na Costa Rica provavelmente acrescentar\u00e3o uma nova derrota.\nNo entanto, apesar de as elei\u00e7\u00f5es no Brasil e no M\u00e9xico ainda estarem a v\u00e1rios\nmeses de dist\u00e2ncia, se os resultados das pesquisas forem cumpridos e a esquerda\nchegar ao governo nas duas pot\u00eancias da regi\u00e3o, 2018 poder\u00e1 inaugurar um novo\nciclo de esquerda na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Foto de Eneas on Trend Hype \/ CC BY<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este ano marca o 20\u00ba anivers\u00e1rio da primeira vit\u00f3ria de Hugo Ch\u00e1vez e o in\u00edcio de um ciclo de governos de esquerda que se espalharam por grande parte da regi\u00e3o. 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