{"id":688,"date":"2017-11-09T18:55:20","date_gmt":"2017-11-09T21:55:20","guid":{"rendered":"http:\/\/latinoamerica21.com\/?p=688"},"modified":"2022-12-15T06:20:22","modified_gmt":"2022-12-15T09:20:22","slug":"corrupcao-na-america-latina-um-fenomeno-endemico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/corrupcao-na-america-latina-um-fenomeno-endemico\/","title":{"rendered":"Corrup\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina: um fen\u00f4meno end\u00eamico?"},"content":{"rendered":"\n<p>Em outubro, a <a href=\"https:\/\/transparencia.org.es\/en\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Transpar\u00eancia Internacional<\/a> publicou uma atualiza\u00e7\u00e3o de seu relat\u00f3rio sobre a corrup\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina. O que poder\u00edamos esperar? De fato, a percep\u00e7\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o aumentou em toda a regi\u00e3o e a confian\u00e7a nos governos, bem como nos funcion\u00e1rios p\u00fablicos, deteriorou-se acentuadamente. No entanto, \u00e9 curioso que o agravamento das percep\u00e7\u00f5es de corrup\u00e7\u00e3o ocorra ao mesmo tempo que as campanhas pol\u00edticas em curso &#8211; como mencionamos anteriormente, v\u00e1rios pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina iniciaram um ciclo eleitoral -, prometendo medidas mais fortes contra a apropria\u00e7\u00e3o indevida de fundos p\u00fablicos, suborno, tr\u00e1fico de influ\u00eancia e corrup\u00e7\u00e3o em geral. O agravamento da percep\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m reflete uma s\u00e9rie de protestos massivos que surgiram de esc\u00e2ndalos envolvendo muitas autoridades de alto n\u00edvel em toda a regi\u00e3o, como o caso Odebrecht ou os Documentos do Panam\u00e1. No entanto, estas campanhas t\u00eam (e ter\u00e3o) um impacto limitado no sentimento da popula\u00e7\u00e3o, pelo que a luta contra a corrup\u00e7\u00e3o ser\u00e1 verdadeiramente uma quest\u00e3o fundamental no horizonte de 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>Em sua\npublica\u00e7\u00e3o People and Corruption: Latin America and the Caribbean, a\nTransparency International compilou os \u00faltimos resultados regionais da pesquisa\ndo Bar\u00f4metro Global de Corrup\u00e7\u00e3o. Nele, 62% dos entrevistados acreditam que a\ncorrup\u00e7\u00e3o aumentou na regi\u00e3o nos \u00faltimos 12 meses, enquanto apenas 10%\nacreditam que a mesma diminuiu. Em 20 pa\u00edses pesquisados, a maioria das\nrespostas de 17 pa\u00edses mostrou que a corrup\u00e7\u00e3o aumentou, incluindo uma parcela\nparticularmente alta na Venezuela, Chile, Brasil e Peru.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As\nfiguras institucionais continuam sendo corruptas. Mas n\u00e3o as religiosas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um\ndesdobramento da pesquisa por tipo de institui\u00e7\u00e3o mostrou que 47% das pessoas\nna regi\u00e3o pensam que a pol\u00edcia e os pol\u00edticos s\u00e3o os mais corruptos, enquanto\nos l\u00edderes religiosos s\u00e3o vistos como os menos corruptos. Na Venezuela, 76% das\nrespostas mostram que a pol\u00edcia \u00e9 corrupta, refletindo a alta politiza\u00e7\u00e3o das\nfor\u00e7as de seguran\u00e7a venezuelanas e o aumento da viol\u00eancia em todo o pa\u00eds. Os\nvenezuelanos tamb\u00e9m foram os mais cr\u00edticos dos esfor\u00e7os do governo para\ncombater a corrup\u00e7\u00e3o: 76% dos entrevistados disseram que o governo est\u00e1 fazendo\num mau trabalho. Isto n\u00e3o \u00e9 de todo surpreendente, tendo em conta os elevados\nn\u00edveis de corrup\u00e7\u00e3o e impunidade no pa\u00eds. O \u00cdndice de Percep\u00e7\u00e3o de Corrup\u00e7\u00e3o\nproduzido pela Transpar\u00eancia Internacional para 2016 colocou a Venezuela em\n166\u00ba lugar de 176 pa\u00edses. <\/p>\n\n\n\n<p>Depois da\nVenezuela, o pa\u00eds que mostrou uma deteriora\u00e7\u00e3o na percep\u00e7\u00e3o foi o Peru. L\u00e1, 73%\nacham que o governo est\u00e1 fazendo um mau trabalho na luta contra a corrup\u00e7\u00e3o e\n64% dos entrevistados acham que os representantes eleitos s\u00e3o altamente\ncorruptos. A pesquisa foi realizada entre maio e dezembro de 2016, por isso n\u00e3o\nrefletiu o impacto das novas iniciativas do presidente Pedro Pablo Kuczynski,\nque assumiu o cargo em julho de 2016 e fez da luta contra a corrup\u00e7\u00e3o um\ncompromisso chave da campanha eleitoral. No entanto, no Peru tem havido um\nfluxo constante de esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o dentro do establishment pol\u00edtico\ndesde ent\u00e3o, e Kuczynski est\u00e1 sentindo a press\u00e3o para manter sua promessa\neleitoral, juntamente com uma posi\u00e7\u00e3o legislativa fraca (o partido PPK do\npresidente det\u00e9m apenas 17 dos 130 assentos no Congresso).<\/p>\n\n\n\n<p>Surpreendentemente,\nos entrevistados guatemaltecos tiveram uma opini\u00e3o relativamente positiva sobre\na luta contra a corrup\u00e7\u00e3o, com apenas 42% dos entrevistados dizendo que a\ncorrup\u00e7\u00e3o havia aumentado no ano passado e 54% que o governo estava fazendo\nprogressos em sua luta. Essa vis\u00e3o mais otimista provavelmente reflete o\nmomento da pesquisa, que foi realizada n\u00e3o muito depois das elei\u00e7\u00f5es de janeiro\nde 2016, nas quais Jimmy Morales conquistou a presid\u00eancia do pa\u00eds, gra\u00e7as a uma\ncampanha anticorrup\u00e7\u00e3o e ap\u00f3s a destitui\u00e7\u00e3o do ex-presidente Otto P\u00e9rez Molina\nem setembro de 2015, como resultado de nada menos que um grande esc\u00e2ndalo de\ncorrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar dos\nresultados na Guatemala, \u00e9 improv\u00e1vel que as perspectivas positivas sejam\nsustentadas. Desde que a pesquisa foi encerrada em dezembro de 2016, Jimmy\nMorales tem estado sob constante press\u00e3o de esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o ligados a\naliados pol\u00edticos pr\u00f3ximos e familiares. Al\u00e9m disso, seus esfor\u00e7os em agosto de\n2017 para expulsar o chefe da Comiss\u00e3o Contra a Impunidade na Guatemala\n(CICIG), apoiada pela ONU, provocaram protestos que agora exigem sua ren\u00fancia. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>A\ncorrup\u00e7\u00e3o dominar\u00e1 um per\u00edodo eleitoral j\u00e1 intenso em 2018<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/br\/notas-republicanas-sobre-a-corrupcao-na-america-latina\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 um denominador comum em toda a regi\u00e3o<\/a> e a quest\u00e3o desempenhar\u00e1 um papel importante nas campanhas eleitorais de 2018. Brasil, Col\u00f4mbia, Costa Rica e M\u00e9xico s\u00e3o v\u00e1rios pa\u00edses que realizar\u00e3o elei\u00e7\u00f5es presidenciais em 2018 e um n\u00famero consider\u00e1vel de entrevistados desses pa\u00edses considerou que a corrup\u00e7\u00e3o aumentou. Os resultados mostram que em cada um desses pa\u00edses h\u00e1 uma crescente frustra\u00e7\u00e3o popular com o sistema pol\u00edtico, o que contribuir\u00e1 para uma maior incerteza sobre os resultados eleitorais.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil,\nos quatro anos desde as \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es foram dominados por uma s\u00e9rie de\nesc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o relacionados \u00e0 estatal Petrobras, \u00e0 construtora\nOdebrecht e aos v\u00ednculos que ambas as empresas tinham com a elite pol\u00edtica do\nBrasil e de outros pa\u00edses da regi\u00e3o. At\u00e9 mesmo o atual presidente, Michel\nTemer, que tomou posse em 2016 depois que Dilma Rousseff foi removida por\nacusa\u00e7\u00f5es mais relacionadas \u00e0 viola\u00e7\u00e3o da lei or\u00e7ament\u00e1ria, foi contaminado por\nacusa\u00e7\u00f5es de desvio de fundos e sua capacidade de evitar acusa\u00e7\u00f5es formais\ndespertou ainda mais desencanto popular com a classe pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse\nambiente, o panorama eleitoral brasileiro n\u00e3o est\u00e1 claro a um ano das elei\u00e7\u00f5es\nde outubro de 2018. Numerosos pol\u00edticos dos principais partidos pol\u00edticos\nforam, em certa medida, desacreditados por acusa\u00e7\u00f5es de corrup\u00e7\u00e3o,\nproporcionando uma oportunidade de ouro a figuras exteriores ao aparelho\npol\u00edtico. \u00c9 o caso de Jair Bolsonaro, pol\u00edtico de direita e ex-oficial do\nex\u00e9rcito, cujo foco na lei e na ordem est\u00e1 atraindo muitos brasileiros devido \u00e0\nonda de crimes violentos dos \u00faltimos anos. Por outro lado, Luiz In\u00e1cio Lula da\nSilva (ex-presidente de 2003-11), do Partido dos Trabalhadores, lidera as\npesquisas por enquanto, apesar de ter sido condenado por acusa\u00e7\u00f5es de corrup\u00e7\u00e3o\n(e em outras investiga\u00e7\u00f5es) e de ter sido impedido de competir. <\/p>\n\n\n\n<p>Considerando\nque a incipiente recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do Brasil se fortalecer\u00e1 no pr\u00f3ximo ano\n(e aqui vou ao Consenso de analistas privados da FocusEconomics que diz que o\nBrasil crescer\u00e1 em m\u00e9dia 2,4% em 2018), isso apoiaria as chances de vit\u00f3ria de\num candidato centrista, provavelmente do Partido da Social Democracia\nBrasileira. Isto baseia-se no pressuposto de que, numa poss\u00edvel &#8211; mas incerta &#8211;\nsegunda volta das elei\u00e7\u00f5es, as classifica\u00e7\u00f5es altamente negativas dos\ncandidatos da esquerda ou da extrema-direita arruinariam as suas hip\u00f3teses de\nvit\u00f3ria. No entanto, a campanha eleitoral ser\u00e1 ofuscada por preocupa\u00e7\u00f5es sobre\num poss\u00edvel retorno ao populismo econ\u00f4mico que contribuiu para a enorme\nrecess\u00e3o do Brasil em 2015 e 2016.<\/p>\n\n\n\n<p>As elei\u00e7\u00f5es\npresidenciais do M\u00e9xico ser\u00e3o realizadas em julho de 2018 e o atual Partido\nRevolucion\u00e1rio Institucional (PRI), partido governista, est\u00e1 em ascens\u00e3o na\ncorrida, dada a percep\u00e7\u00e3o p\u00fablica de que contribuiu para a deteriora\u00e7\u00e3o do\nEstado de Direito em meio a uma s\u00e9rie de esc\u00e2ndalos envolvendo membros da\nadministra\u00e7\u00e3o, ex-governadores de Estados onde o PRI governa e o crime\norganizado. Ultimamente, essas cr\u00edticas t\u00eam aumentado depois que dois\nterremotos graves atingiram o centro e o sul do pa\u00eds em setembro, quando as\npreocupa\u00e7\u00f5es da popula\u00e7\u00e3o em \u00e1reas urbanas altamente concentradas aumentaram\ndevido \u00e0 falta de cumprimento das normas de constru\u00e7\u00e3o. Neste contexto, e por\nenquanto, o candidato mais bem posicionado para conquistar a presid\u00eancia \u00e9 o\nesquerdista Andr\u00e9s Manuel L\u00f3pez Obrador, do Movimento de Regenera\u00e7\u00e3o Nacional\n(Morena). No entanto, importa referir que esta \u00e9 a terceira vez que L\u00f3pez\nObrador contesta as elei\u00e7\u00f5es presidenciais.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Costa\nRica, tradicionalmente um dos pa\u00edses mais est\u00e1veis e transparentes da regi\u00e3o, a\ncorrup\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m ser\u00e1 um tema central de preocupa\u00e7\u00e3o at\u00e9 as elei\u00e7\u00f5es de\nfevereiro de 2018. Enquanto a Transpar\u00eancia Internacional classificou a Costa\nRica em 41\u00ba lugar no \u00cdndice de Percep\u00e7\u00f5es de Corrup\u00e7\u00e3o de 2016 &#8211; fazendo do\npa\u00eds um dos mais altos da regi\u00e3o &#8211; a corrup\u00e7\u00e3o continua sendo motivo de\npreocupa\u00e7\u00e3o, especialmente depois do <em>Cementazo<\/em>: um esc\u00e2ndalo envolvendo\num banco estatal, membros do judici\u00e1rio e v\u00e1rios legisladores. O esc\u00e2ndalo\ncontribuir\u00e1 para a volatilidade antes das elei\u00e7\u00f5es de Fevereiro, pois colocar\u00e1\na corrup\u00e7\u00e3o no centro da campanha. <\/p>\n\n\n\n<p>Na\nCol\u00f4mbia, a corrup\u00e7\u00e3o pode desempenhar um papel menos relevante nas elei\u00e7\u00f5es do\npa\u00eds do que o estado da economia e da seguran\u00e7a do cidad\u00e3o (dada a\nimplementa\u00e7\u00e3o do controverso acordo de paz com guerrilheiros das FARC). Mas a\ninsatisfa\u00e7\u00e3o do p\u00fablico com a corrup\u00e7\u00e3o est\u00e1 afetando a corrida \u00e0 presid\u00eancia\nem maio. At\u00e9 agora, mais de duas d\u00fazias de candidatos est\u00e3o procurando maneiras\nde criar movimentos independentes como plataformas para suas aspira\u00e7\u00f5es\npresidenciais. Isto \u00e9 apenas um reflexo da perda de prest\u00edgio que os partidos\ntradicionais colombianos ganharam como resultado de revela\u00e7\u00f5es de corrup\u00e7\u00e3o\nenvolvendo figuras pol\u00edticas e tribunais superiores (minando a credibilidade do\nsistema num ponto crucial da implementa\u00e7\u00e3o do acordo de paz transit\u00f3rio). <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Algum\nvislumbre de esperan\u00e7a?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A percep\u00e7\u00e3o\nda corrup\u00e7\u00e3o tem vindo aumentando na Am\u00e9rica Latina como resultado direto da\nprolifera\u00e7\u00e3o de esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de alto n\u00edvel no \u00faltimo ano.\nNo entanto, esta tend\u00eancia pode ser vista como &#8220;positiva&#8221; no sentido\nde que estes esc\u00e2ndalos est\u00e3o vindo \u00e0 luz e sendo investigados, sugerindo que,\nem alguns pa\u00edses, as estruturas institucionais est\u00e3o finalmente funcionando e\nque est\u00e3o indo na dire\u00e7\u00e3o certa. <\/p>\n\n\n\n<p>No entanto,\ncasos recentes tamb\u00e9m refor\u00e7aram a opini\u00e3o de que a corrup\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina\n\u00e9 end\u00e9mica e n\u00e3o foi abordada por administra\u00e7\u00f5es sucessivas. Mas isso tamb\u00e9m\npoderia ajudar a impulsionar uma tend\u00eancia nas elei\u00e7\u00f5es em alguns pa\u00edses, como\nBrasil, Peru e M\u00e9xico, para candidatos independentes ou candidatos de partidos\npol\u00edticos menos estabelecidos, mas menos comprometidos com a corrup\u00e7\u00e3o. No\nentanto, como a Guatemala ilustrou no ano passado com um candidato externo como\nJimmy Morales, que fez campanha com um slogan eleitoral de &#8220;nem corrupto\nnem ladr\u00e3o&#8221;, esses candidatos podem ser rapidamente manchados pela\ncorrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Foto de Presidencia Per\u00fa on Trend Hype \/ CC BY-NC-SA<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em outubro, a Transpar\u00eancia Internacional publicou uma atualiza\u00e7\u00e3o de seu relat\u00f3rio sobre a corrup\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina. O que poder\u00edamos esperar? 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