{"id":7030,"date":"2021-08-07T08:45:00","date_gmt":"2021-08-07T11:45:00","guid":{"rendered":"http:\/\/latinoamerica21.com\/?p=7030"},"modified":"2021-08-06T17:49:20","modified_gmt":"2021-08-06T20:49:20","slug":"a-longo-prazo-estaremos-todos-mortos-talvez-mais-cedo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/a-longo-prazo-estaremos-todos-mortos-talvez-mais-cedo\/","title":{"rendered":"&#8220;A longo prazo, estaremos todos mortos&#8221;, talvez mais cedo"},"content":{"rendered":"\n<p>&#8220;A longo prazo estaremos todos mortos&#8221;, \u00e9 provavelmente a frase mais conhecida do famoso economista J. M. Keynes, com a qual em 1923 quis chamar a aten\u00e7\u00e3o para a urg\u00eancia de abandonar o padr\u00e3o ouro e assim evitar a depress\u00e3o. As medidas eram necess\u00e1rias a curto prazo; o longo prazo n\u00e3o importava. Mas as circunst\u00e2ncias mudam e os significados tamb\u00e9m. Desde o in\u00edcio de 2020, uma data que poderia bem definir o in\u00edcio do novo mil\u00eanio, a humanidade enfrenta outra crise, desta vez causada por uma pandemia com efeitos que v\u00e3o al\u00e9m da esfera econ\u00f4mica. Entretanto, os problemas associados a qualquer crise &#8211; desemprego, aumento da pobreza, etc. &#8211; empalidecem em compara\u00e7\u00e3o com as conseq\u00fc\u00eancias que o mundo poderia sofrer se a temperatura m\u00e9dia global subisse acima de 2,0\u00b0C.<\/p>\n\n\n\n<p>Estar\u00edamos, portanto, na presen\u00e7a de novos problemas: um efeito domin\u00f3 com conseq\u00fc\u00eancias de longo alcance. A incerteza \u00e9 profunda, e poderemos ver o surgimento de fen\u00f4menos imprevistos e perturbadores, com impactos de todos os tipos. E seria in\u00fatil olhar para o passado em busca de respostas, pois os modelos tradicionais n\u00e3o nos serviriam de guia.<\/p>\n\n\n\n<p>Os fen\u00f4menos clim\u00e1ticos implicam em fortes riscos f\u00edsicos com amplas repercuss\u00f5es econ\u00f4micas. Embora as explica\u00e7\u00f5es pare\u00e7am desnecess\u00e1rias, considere um empres\u00e1rio cuja f\u00e1brica est\u00e1 localizada em uma \u00e1rea propensa a tornados ou qualquer outro evento clim\u00e1tico. As conseq\u00fc\u00eancias s\u00e3o \u00f3bvias: a deteriora\u00e7\u00e3o ou perda de seu ativo de capital (estoque) afetaria suas vendas (fluxos).<\/p>\n\n\n\n<p>Numa perspectiva mais ampla, os efeitos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica s\u00e3o cada vez mais devastadores para as economias nacionais. Ela afeta vari\u00e1veis macro, tais como emprego, investimento ou balan\u00e7o de pagamentos, influencia o sistema financeiro -maiores riscos, custos financeiros, estabilidade- e tamb\u00e9m impacta nas finan\u00e7as p\u00fablicas atrav\u00e9s de receitas fiscais, d\u00edvida ou pre\u00e7os de t\u00edtulos soberanos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Reduzindo o risco de perdas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Acelerar o progresso para reduzir o risco da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, reduziria, por sua vez, o risco de perda. A m\u00e9dio prazo, isto poderia ser alcan\u00e7ado atrav\u00e9s de avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos, redu\u00e7\u00e3o de custos de equipamentos renov\u00e1veis, implementa\u00e7\u00e3o de regras e regulamentos, e consumo verde.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, avan\u00e7ar nessa dire\u00e7\u00e3o <a href=\"https:\/\/www.bankofengland.co.uk\/speech\/2015\/breaking-the-tragedy-of-the-horizon-climate-change-and-financial-stability\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">aumenta o risco financeiro<\/a> associado ao problema dos ativos irrecuper\u00e1veis: a perda de valor dos ativos intensivos em carbono. Obviamente, este tipo de situa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 prejudicial para as empresas, reduzindo a rentabilidade dos produtores intensivos em carbono que acabam achando mais rent\u00e1vel produzir com menor capacidade ou fechar completamente a f\u00e1brica.<\/p>\n\n\n\n<p>O surgimento deste problema tamb\u00e9m tem repercuss\u00f5es macroecon\u00f4micas sobre o emprego, os investimentos, o PIB e a balan\u00e7a de pagamentos, afetando severamente os pa\u00edses exportadores de petr\u00f3leo e g\u00e1s. Obviamente, uma queda nas vendas externas afetaria os cofres p\u00fablicos e a estabilidade do sistema financeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Cada vez mais, os investidores j\u00e1 consideram que estes riscos devem ser internalizados em suas decis\u00f5es. Os formuladores de pol\u00edticas tamb\u00e9m os devem ter em conta, pois colocam em perigo a estabilidade macroecon\u00f4mica dos pa\u00edses, quanto qualquer possibilidade de desenvolvimento futuro. E se os riscos macro-financeiros da transi\u00e7\u00e3o n\u00e3o forem considerados e o processo acabar sendo imposto pelos principais parceiros comerciais, as perdas podem ser ainda maiores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Am\u00e9rica Latina e a explora\u00e7\u00e3o dos recursos naturais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/latinoamerica21.com\/br\/emissoes-zero-uma-encruzilhada\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A Am\u00e9rica Latina segue um modelo de inser\u00e7\u00e3o global baseado na explora\u00e7\u00e3o de recursos naturais<\/a>, sendo a explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo uma das ind\u00fastrias chave de v\u00e1rios pa\u00edses. N\u00e3o importa a orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, quem se apropria das rendas, ou se s\u00e3o governos neoliberais ou neo-desenvolventistas, pois ambos est\u00e3o comprometidos com os combust\u00edveis f\u00f3sseis como fonte de divisas. Seja na Col\u00f4mbia, Venezuela, Brasil, Argentina, Peru, Equador ou Guiana, todos os governos continuam a apostar em hidrocarbonetos.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar dos sinais vindos dos principais parceiros comerciais, os governos da regi\u00e3o continuam a concorrer a \u00e1reas de explora\u00e7\u00e3o, seja offshore, como no caso da Argentina, ou na Amaz\u00f4nia, como no caso do Equador. Estes investimentos, cuja rentabilidade depende de subs\u00eddios, perder\u00e3o inexoravelmente todo o valor num futuro n\u00e3o muito distante. E esta situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 sendo levada em conta nas previs\u00f5es macroecon\u00f4micas dos analistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Tal inconsist\u00eancia impede que aqueles no poder vejam os graves problemas de balan\u00e7a comercial que nos esperam, a crise de emprego que surgir\u00e1 entre aqueles que continuam a apostar na explora\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo, ou a necessidade de gastar recursos fiscais para aliviar a crise financeira que se aproxima.<\/p>\n\n\n\n<p>A amea\u00e7a da mudan\u00e7a clim\u00e1tica d\u00e1 novo significado \u00e0 frase de J.M. Keynes e nos for\u00e7a a olhar a macroeconomia atrav\u00e9s de uma lente diferente. A grave situa\u00e7\u00e3o em que nos encontramos devido \u00e0 pandemia exige estrat\u00e9gias claras para sair da crise, mas sem nos atar a objetivos que s\u00e3o contradit\u00f3rios com os desenhos da transi\u00e7\u00e3o. Precisamos agir agora, considerando as conseq\u00fc\u00eancias futuras de nossas a\u00e7\u00f5es. N\u00e3o podemos pensar em uma estrat\u00e9gia de recupera\u00e7\u00e3o sem considerar o objetivo de emiss\u00f5es zero a m\u00e9dio prazo. Se n\u00e3o levarmos isso em conta, empurraremos nossas sociedades para a extin\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o mais a longo prazo.<\/p>\n\n\n\n<p><sub><em>Foto de ANGELOUX no Foter.com<\/em><\/sub><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os problemas associados a qualquer crise, tais como o desemprego ou o aumento da pobreza, empalidecem em compara\u00e7\u00e3o com as conseq\u00fc\u00eancias que o mundo poderia sofrer se a temperatura m\u00e9dia global subisse acima de 2,0 C\u00ba. <\/p>\n","protected":false},"author":213,"featured_media":7028,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"episode_type":"","audio_file":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[16897,16708,16897,16708,16750,16750,14456],"tags":[],"gps":[],"class_list":{"0":"post-7030","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-cambio-climatico-pt-br","8":"category-politica-pt-br","11":"category-economia-pt-br","13":"category-meio-ambiente"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7030","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/213"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7030"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7030\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7028"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7030"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7030"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7030"},{"taxonomy":"gps","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gps?post=7030"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}