{"id":7225,"date":"2021-08-27T08:45:00","date_gmt":"2021-08-27T11:45:00","guid":{"rendered":"http:\/\/latinoamerica21.com\/?p=7225"},"modified":"2021-08-26T20:55:09","modified_gmt":"2021-08-26T23:55:09","slug":"somos-uma-das-regioes-mais-ameacadas-pela-mudanca-climatica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/somos-uma-das-regioes-mais-ameacadas-pela-mudanca-climatica\/","title":{"rendered":"Somos uma das regi\u00f5es mais amea\u00e7adas pela mudan\u00e7a clim\u00e1tica"},"content":{"rendered":"\n<p>H\u00e1 uma alta probabilidade de exceder o aumento m\u00e9dio da temperatura global de 1,5 graus Celsius durante a pr\u00f3xima d\u00e9cada, falhando assim no cumprimento da meta estabelecida no Acordo de Paris. Se continuarmos neste caminho, o mundo atingir\u00e1 um ponto sem retorno, levando a mudan\u00e7as complexas nos processos f\u00edsicos, qu\u00edmicos e biol\u00f3gicos em todo o planeta, resultando em alta imprevisibilidade no clima, especialmente nos padr\u00f5es pluviom\u00e9tricos. Estas foram as conclus\u00f5es da sexta edi\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio do <a href=\"https:\/\/www.ipcc.ch\/languages-2\/spanish\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC)<\/a> das Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n\n\n\n<p>O documento apresenta um quadro extremamente preocupante dos efeitos do aquecimento global, revelando como nunca antes os riscos e desafios que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas representam para o planeta. O relat\u00f3rio destaca a necessidade de medidas mais radicais para reduzir a concentra\u00e7\u00e3o de gases de efeito estufa na atmosfera, seja pela redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es, seja pela sequestro de di\u00f3xido de carbono e metano.<\/p>\n\n\n\n<p>O relat\u00f3rio sugere corte ambicioso nas emiss\u00f5es l\u00edquidas globais de gases de efeito estufa. O corte proposto de 7% ao ano ajudaria a manter o aquecimento global na casa dos 1,5 graus Celsius at\u00e9 2050. O relat\u00f3rio reafirma que a atividade humana na era industrial (s\u00e9culo XVIII para c\u00e1) tem sido preponderante para o aquecimento global, respondendo por 1,07 graus Celsius.<\/p>\n\n\n\n<p>Todavia, alguns processos j\u00e1 iniciados n\u00e3o se reverteriam t\u00e3o cedo. O aumento do n\u00edvel dos oceanos, por raz\u00e3o do derretimento das regi\u00f5es polares, se manteria (<em>carry over<\/em>) ainda durante todo esse s\u00e9culo, ainda que atenuado e em mudan\u00e7a de rota, dando esperan\u00e7as \u00e0s pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es de vida sob menor risco clim\u00e1tico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os riscos clim\u00e1ticos que at\u00e9 pouco tempo eram \u201cpossibilidades\u201d passaram a ser vistos como \u201crealidades\u201d nas \u00faltimas d\u00e9cadas e, mais especialmente, nos \u00faltimos anos. A ocorr\u00eancia de eventos extremos relacionados ao clima tem chamado mais aten\u00e7\u00e3o ao redor do mundo ao trazer n\u00e3o apenas perdas econ\u00f4micas j\u00e1 estimadas na casa dos muitos trilh\u00f5es de d\u00f3lares, como tamb\u00e9m milhares de mortes, tanto em pa\u00edses mais pobres como em na\u00e7\u00f5es consideradas desenvolvidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto secas prolongadas afetam pa\u00edses latino-americanos e africanos, e inunda\u00e7\u00f5es se tornam uma constante em toda a \u00c1sia, ondas de calor excessivo atingiram Canad\u00e1, EUA e Gr\u00e9cia. Alemanha e Jap\u00e3o, por seu turno, foram surpreendidas com impactantes tempestades torrenciais que deixaram morte e destrui\u00e7\u00e3o em seu caminho.<\/p>\n\n\n\n<p>Queimadas t\u00eam atingido constantemente grande parte do territ\u00f3rio da Am\u00e9rica do Norte, enquanto furac\u00f5es alcan\u00e7am com maior frequ\u00eancia e for\u00e7a na\u00e7\u00f5es do Caribe e Am\u00e9rica Central e a costa oeste dos EUA. H\u00e1 poucas semanas, v\u00e1rias cidades brasileiras foram atingidas por frio polar intenso, trazendo temperaturas pr\u00f3ximas a zero em regi\u00f5es de agricultura tropical.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso chamar aten\u00e7\u00e3o que a crise clim\u00e1tica que vivemos \u00e9 resultado de um processo de longo prazo que foi a industrializa\u00e7\u00e3o e urbaniza\u00e7\u00e3o global. Assim, as na\u00e7\u00f5es mais ricas foram aquelas que mais contribu\u00edram para o aquecimento global enquanto expandiam suas emiss\u00f5es de gases de efeito estufa junto ao crescimento de suas ind\u00fastrias e cidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Dizer isso n\u00e3o significa excluir as na\u00e7\u00f5es mais pobres da responsabilidade de empreender a\u00e7\u00f5es de combate \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, mas sim mostrar que medidas globais deveriam considerar um paradoxo: aqueles pa\u00edses e povos que menos contribu\u00edram com as emiss\u00f5es acumuladas de gases de efeito estufa s\u00e3o aquelas em maior risco dos efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Essas regi\u00f5es e pa\u00edses t\u00eam por certo menos recursos dispon\u00edveis para financiar as mudan\u00e7as necess\u00e1rias e tamb\u00e9m n\u00e3o possuem infraestrutura social b\u00e1sica em quantidade e qualidade suficientes que permita maior seguran\u00e7a sob os eventos clim\u00e1ticos extremos ao grosso de sua popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>E a Am\u00e9rica Latina e o Caribe nessa conjuntura? Quais os riscos iminentes que podem ser tra\u00e7ados a partir do conjunto de dados e informa\u00e7\u00f5es do relat\u00f3rio do IPCC? A Am\u00e9rica Latina e o Caribe est\u00e3o entre as regi\u00f5es com maior risco derivado da emerg\u00eancia clim\u00e1tica. Densamente povoada e ainda com consider\u00e1veis d\u00e9ficits urbanos e sociais, os pa\u00edses da regi\u00e3o j\u00e1 sentem o agravar dos efeitos relacionados aos eventos extremos.<\/p>\n\n\n\n<p>O relat\u00f3rio do IPCC aprofunda as preocupa\u00e7\u00f5es dado que a regi\u00e3o pode ter mudan\u00e7as que talvez inviabilize atividades econ\u00f4micas centrais para a gera\u00e7\u00e3o de renda e empregos locais (agricultura familiar e turismo mais diretamente), afora o pr\u00f3prio risco \u00e0 vida, que j\u00e1 vem aumentando na regi\u00e3o o n\u00famero de refugiados clim\u00e1ticos, aqueles que precisam sair for\u00e7osamente de suas regi\u00f5es origin\u00e1rias por conta de limites e riscos impostos pelo clima.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pa\u00edses latino-americanos e caribenhos apresentam historicamente acentuados d\u00e9ficits de desenvolvimento produtivo e de infraestrutura urbana e social b\u00e1sica. Os anos imediatamente anteriores \u00e0 pandemia j\u00e1 se mostravam dif\u00edceis dada a crise econ\u00f4mica ent\u00e3o vivida pelas maiores na\u00e7\u00f5es de toda a regi\u00e3o. A pandemia atinge esses pa\u00edses, por assim, em meio a um cen\u00e1rio dom\u00e9stico duro e complexo, fazendo por agravar a situa\u00e7\u00e3o social de milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Estimativas da Organiza\u00e7\u00e3o do Trabalho (OIT) apontam que o n\u00famero de desempregados e desocupados desde o M\u00e9xico at\u00e9 a Patag\u00f4nia possa chegar a casa dos 50 milh\u00f5es de desempregados. A Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para Am\u00e9rica Latina e o Caribe calcula avan\u00e7o significativa na pobreza, tendo alcan\u00e7ado 209 milh\u00f5es (at\u00e9 US$ 5,5 por dia), sendo que 78 milh\u00f5es destes vivendo em extrema pobreza (menos US$ 2,0 por dia).<\/p>\n\n\n\n<p>A crise clim\u00e1tica ent\u00e3o \u00e9 mais uma a se somar \u00e0 realidade latino-americana e caribenha, e tal como o observado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 covid-19, tamb\u00e9m \u00e9 atingida pelo <a href=\"http:\/\/latinoamerica21.com\/br\/o-desmonte-da-politica-ambiental-no-governo-bolsonaro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">negacionismo de parte da popula\u00e7\u00e3o e de alguns entre os presidentes<\/a> das principais pot\u00eancias econ\u00f4micas da regi\u00e3o, tal como observado no Brasil, pa\u00eds-chave para se pensar os desafios clim\u00e1ticos globais tanto por seu papel de grande produtor agropecu\u00e1rio mundial, como pelos biomas que est\u00e3o em seu territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>O alto desemprego e a necessidade de recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica trazem consigo o risco do refor\u00e7o a medidas de est\u00edmulo econ\u00f4mico curto-prazistas, com o uso do capital social produtivo j\u00e1 instalado e que \u00e9 amplamente baseado em carbono. Assim, h\u00e1 o risco de que a chamada recupera\u00e7\u00e3o p\u00f3s-pandemia possa ampliar investimentos em novas estruturas produtivas e em outras j\u00e1 existentes que sejam ainda muito poluidoras e emissoras de gases de efeito estufa.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso poderia tanto nos levar a um quadro de trag\u00e9dia dos comuns em n\u00edvel global, quanto ao poss\u00edvel \u201clockdown clim\u00e1tico\u201d como assinalado por Mariana Mazzucato, professora da Universidade de Sussex. Segundo ela, continuado o padr\u00e3o de destrui\u00e7\u00e3o ambiental que vivemos, os eventos clim\u00e1ticos extremos ser\u00e3o t\u00e3o mais intensos que logo as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es ter\u00e3o que conviver com per\u00edodos de lockdown for\u00e7ados por quest\u00f5es clim\u00e1ticas: polui\u00e7\u00e3o do ar, tempestades, secas e super-ondas de calor.<\/p>\n\n\n\n<p>Parece que tal como em uma pandemia, precisamos todos tamb\u00e9m achatar a curva das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas para evitarmos um colapso do sistema e planejarmos um novo normal, onde estejam assegurados a vida e condi\u00e7\u00f5es de sobreviv\u00eancia nossa e das futuras gera\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em><sub>Foto de 8zil em Foter.com<\/sub><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 uma alta probabilidade de exceder o aumento m\u00e9dio da temperatura global de 1,5\u00b0C durante a pr\u00f3xima d\u00e9cada, falhando assim a meta estabelecida no Acordo de Paris. Se isto continuar, chegaremos a um ponto de n\u00e3o retorno.<\/p>\n","protected":false},"author":71,"featured_media":7223,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"episode_type":"","audio_file":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[16897,16751,14456,546],"tags":[],"gps":[],"class_list":{"0":"post-7225","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-cambio-climatico-pt-br","8":"category-medioambiente-pt-br","9":"category-meio-ambiente","10":"category-sociedad-br"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7225","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/71"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7225"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7225\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7223"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7225"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7225"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7225"},{"taxonomy":"gps","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gps?post=7225"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}