{"id":7284,"date":"2021-08-29T13:20:00","date_gmt":"2021-08-29T16:20:00","guid":{"rendered":"http:\/\/latinoamerica21.com\/?p=7284"},"modified":"2021-08-30T13:24:51","modified_gmt":"2021-08-30T16:24:51","slug":"cabul-eua-e-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/cabul-eua-e-america-latina\/","title":{"rendered":"Cabul, EUA e Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"\n<p>Cabul caiu, <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/internacional\/noticia\/2021-08\/agencia-brasil-explica-talibas-retomam-poder-no-afeganistao\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">os Talib\u00e3s voltaram ao poder<\/a>, mas a derrota tamb\u00e9m impactar\u00e1 no \u00e2mbito internacional. Qu\u00e3o seguros os aliados dos Estados Unidos no mundo se sentem hoje? O que a OTAN pensar\u00e1? Ucr\u00e2nia? Cor\u00e9ia do Sul? Jap\u00e3o? E especialmente, como tudo isso impactar\u00e1 nossa regi\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>As cr\u00edticas s\u00f3 come\u00e7aram, a urg\u00eancia \u00e9 salvar os militares ocidentais e seus colaboradores afeg\u00e3os mais pr\u00f3ximos. Mas \u00e9 indubit\u00e1vel que a administra\u00e7\u00e3o Biden pagar\u00e1 custos severos. J\u00e1 vemos os primeiros sinais: os setores ultranacionalistas reclamam da debilidade e improvisa\u00e7\u00e3o do governo democrata \u2013 esquecendo que foi Trump quem iniciou acordos com o Talib\u00e3 \u2013 e os russos e chineses fizeram o mesmo h\u00e1 semanas e meses. O tema se transformar\u00e1 em um dos principais pontos da agenda dom\u00e9stica e eleitoral.<\/p>\n\n\n\n<p>Para come\u00e7ar, este resultado era previs\u00edvel, pois desde os tempos de Trump os norte-americanos haviam anunciado sua retirada. O que surpreendeu foi a rapidez com a qual desmoronou o governo pr\u00f3-ocidental e a dissolu\u00e7\u00e3o de seu ex\u00e9rcito. Com isso, em vez de uma retirada ordenada, assistimos a uma debandada de ocidentais que ainda n\u00e3o concluiu.<\/p>\n\n\n\n<p>A vit\u00f3ria talib\u00e3 n\u00e3o \u00e9 vital no quadro global, mas acarreta consequ\u00eancias importantes para sua regi\u00e3o mais imediata, em especial para \u00cdndia, Paquist\u00e3o, Ir\u00e3, China e R\u00fassia e seus aliados que fazem fronteira com os afeg\u00e3os (tajiques e uzbeques).<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a pot\u00eancia que sofre em especial com este colapso s\u00e3o os Estados Unidos. De fato, os antecedentes auguram um futuro fat\u00eddico para as mulheres afeg\u00e3s, somando-se \u00e0 triste situa\u00e7\u00e3o vivida pelas mulheres em outros pa\u00edses mu\u00e7ulmanos e, em especial, ao sequestro e escravid\u00e3o que grupos terroristas submetem meninas e mulheres jovens em regi\u00f5es da \u00c1frica.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste contexto, a principal repercuss\u00e3o da queda de Cabul ser\u00e1 nos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>De Saigon a Cabul, as derrotas dos EUA.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em maio de 1975, Saigon caiu. Os mais velhos se recordam dos helic\u00f3pteros abarrotados abandonando a embaixada estadunidense e dos milhares de refugiados a bordo de todo tipo de embarca\u00e7\u00e3o. A primeira grande derrota militar da pot\u00eancia ocidental em sua hist\u00f3ria. A sociedade norte-americana atacou duramente seus dirigentes, mais de 50.000 jovens mortos a milhares de quil\u00f4metros, muitos mais lesionados para toda a vida, um gasto militar colossal e um gigantesco arsenal abandonado \u00e0s tropas norte-vietnamitas.<\/p>\n\n\n\n<p>A derrota agravou a posi\u00e7\u00e3o do presidente Richard Nixon, que j\u00e1 enfrentava ventos contr\u00e1rios pelo esc\u00e2ndalo de espionagem do partido Democrata. Nixon sofreu o mesmo destino de Saigon. Na dura cr\u00edtica interna se imp\u00f4s a m\u00e1xima de nunca mais intervir em guerras distantes. O futuro veria os Estados Unidos usando sua diplomacia, sua economia, a coopera\u00e7\u00e3o militar e at\u00e9 mesmo seu poder brando, como foi a pol\u00edtica de direitos humanos do Presidente Carter. Naturalmente, a CIA e outras ag\u00eancias de intelig\u00eancia aumentaram suas a\u00e7\u00f5es encobertas. Tudo era poss\u00edvel, menos enviar tropas. At\u00e9 que a Al Qaeda atacou os Estados Unidos em 11 de setembro.<\/p>\n\n\n\n<p>A rea\u00e7\u00e3o nacionalista foi gigantesca e demandou castigo aos culpados, e foi ent\u00e3o que os Estados Unidos voltaram a intervir, desta vez na \u00c1sia Central, no Iraque e no Afeganist\u00e3o. A hist\u00f3ria \u00e9 conhecida, e terminou h\u00e1 poucos dias, outra vez com helic\u00f3pteros e uma angustiante ponte a\u00e9rea.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Gulliver na Am\u00e9rica Latina<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das imagens, os Estados Unidos seguem sendo a principal pot\u00eancia militar e econ\u00f4mica do mundo, e na regi\u00e3o isso \u00e9 ainda mais not\u00e1vel. Apenas um dado: o poder estrat\u00e9gico do Comando Sul \u00e9 superior \u00e0 totalidade do potencial de todas as for\u00e7as armadas latino-americanas, supondo que elas atuam de maneira combinada. O que dizer da economia.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/latinoamerica21.com\/es\/podria-ee-uu-crear-leyes-para-protegernos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">E o que est\u00e1 acontecendo na Am\u00e9rica Latina?<\/a> Estamos em tempo de pandemia e recess\u00e3o econ\u00f4mica, que retroalimenta a temporada de protestos e mobiliza\u00e7\u00f5es que sacodem os diferentes pa\u00edses do continente h\u00e1 alguns anos. Nesta conjuntura, se sobressaem alguns gestos que desafiam diretamente a pot\u00eancia do Norte.<\/p>\n\n\n\n<p>Vejamos. Em El Salvador, o presidente Bukele, que goza de amplo apoio, pretende abandonar o d\u00f3lar e mostra sua simpatia por Pequim. No Haiti, o desastre \u00e9 sist\u00eamico e, al\u00e9m de terremotos e tempestades, h\u00e1 tamb\u00e9m assassinatos de figuras importantes por mercen\u00e1rios colombianos contratados por uma empresa sediada em Miami. E em Cuba e na Nicar\u00e1gua, as autoridades n\u00e3o acusam o recebimento das mensagens de Washington.<\/p>\n\n\n\n<p>A Am\u00e9rica do Sul n\u00e3o fica muito atr\u00e1s, e em v\u00e1rios pa\u00edses estamos testemunhando diversos processos nacionais que p\u00f5em em quest\u00e3o a hegemonia dos Estados Unidos. A OEA mostra seus limites para servir de espa\u00e7o de di\u00e1logo enquanto a UNASUL desmoronou e o PROSUL nunca nasceu. A pot\u00eancia pode se abrigar na regi\u00e3o enquanto passa o mau momento afeg\u00e3o? Grande pergunta.<\/p>\n\n\n\n<p>As duas pot\u00eancias sub-regionais, Brasil e M\u00e9xico, se encontram em momentos diferentes. Os brasileiros est\u00e3o muito ocupados internamente. Pouco espa\u00e7o de manobra.&nbsp; Por outro lado, o M\u00e9xico ativou sua diplomacia: assumiu o comando da CELAC e, sobretudo, serve de sede para uma nova rodada de negocia\u00e7\u00f5es entre o governo de Maduro e a oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Se olharmos a hist\u00f3ria recente, ap\u00f3s a derrota no Vietn\u00e3, os americanos oscilaram na Am\u00e9rica Latina de diversas formas, como paladinos dos direitos humanos com Carter, at\u00e9 os duros dias de Reagan e a contra-insurg\u00eancia na Am\u00e9rica Central. Pode-se argumentar qual foi mais frut\u00edfero, mas ningu\u00e9m pode negar que ap\u00f3s a derrota no sudeste asi\u00e1tico, os americanos intensificaram sua presen\u00e7a no continente.<\/p>\n\n\n\n<p>Acrescentemos que a fraqueza de que os conservadores acusam Biden hoje tem na Fl\u00f3rida um de seus principais redutos, e muitas vezes Miami pautou a pol\u00edtica de Washington para a Am\u00e9rica Latina. Ocorrer\u00e1 o mesmo agora com a queda de Cabul?<\/p>\n\n\n\n<p><em><sub>*Tradu\u00e7\u00e3o do espanhol por Maria Isabel Santos Lima<\/sub><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cabul caiu, o Talib\u00e3 voltou ao poder, mas a derrota tamb\u00e9m ter\u00e1 impacto na arena internacional. O qu\u00e3o seguros os aliados americanos em todo o mundo se sentem hoje? 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