{"id":7331,"date":"2021-09-05T05:45:00","date_gmt":"2021-09-05T08:45:00","guid":{"rendered":"http:\/\/latinoamerica21.com\/?p=7331"},"modified":"2021-09-05T06:17:59","modified_gmt":"2021-09-05T09:17:59","slug":"a-ponta-do-iceberg-da-violencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/a-ponta-do-iceberg-da-violencia\/","title":{"rendered":"A ponta do iceberg da viol\u00eancia"},"content":{"rendered":"\n<p>A terceira d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI est\u00e1 despertando os medos e incertezas acumulados ao longo da hist\u00f3ria: doen\u00e7as pand\u00eamicas, crise clim\u00e1tica, radicaliza\u00e7\u00e3o e extremismo, autoritarismo, invas\u00f5es, tens\u00f5es nucleares e a prolifera\u00e7\u00e3o do crime e do terrorismo. Parece que este s\u00e9culo, em vez de ver os problemas do passado resolvidos, \u00e9 uma lembran\u00e7a \u201cFrankensteiniana\u201d de velhas desgra\u00e7as. Paradoxalmente, mesmo com os avan\u00e7os cient\u00edficos mais sofisticados, as amea\u00e7as e os problemas parecem se agravar, formando uma perigosa colcha de retalhos que cobre o mundo de medo e ang\u00fastia.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora o terrorismo tenha uma carreira importante em toda a humanidade, o 11 de setembro de 2001 marcou a seguran\u00e7a internacional contempor\u00e2nea. O rosto de Osama Bin Laden materializou, durante v\u00e1rios anos, a figura do terrorismo logo que ele chegou ao estrelato ap\u00f3s os espetaculares atentados que ceifaram a vida de tr\u00eas mil pessoas em Nova York e no Pent\u00e1gono.<\/p>\n\n\n\n<p>O inimigo estava claramente definido, tinha nome, aparecia nas telas de televis\u00e3o e se tornou o principal alvo do empreendimento de seguran\u00e7a internacional de Washington. N\u00e3o obstante, apesar da morte de Osama bin Laden dez anos depois, o problema n\u00e3o cessou e o terrorismo continua vivo. Na verdade, novos grupos extremistas surgiram e os antigos sofreram muta\u00e7\u00f5es, mas nenhum se extinguiu.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vivemos em um mundo inseguro?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A resposta possui nuances, o <a href=\"https:\/\/repositorio.ual.pt\/bitstream\/11144\/282\/1\/DISSERTA%C3%87%C3%83O%20Ricardo%20Caiado%2028JUN13.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">que \u00e9 inseguran\u00e7a ou seguran\u00e7a de fato?<\/a> Os Estados podem se sentir seguros? Existem brechas entre a sensa\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os e a dos l\u00edderes pol\u00edticos? A seguran\u00e7a nunca foi exclusivamente sobre as din\u00e2micas militares e a presen\u00e7a de tanques, avi\u00f5es e destacamentos regulares de tropas. A seguran\u00e7a tem mais a ver com a preven\u00e7\u00e3o de amea\u00e7as que colocam civis em risco em todo o mundo: o que \u00e9 mais perigoso, e para quem, a falta de \u00e1gua pot\u00e1vel ou uma usina nuclear no Ir\u00e3? A xenofobia na Europa ou a contamina\u00e7\u00e3o de um rio na \u00c1frica?<\/p>\n\n\n\n<p>A narrativa predominante da seguran\u00e7a internacional \u00e9 perigosa e, paradoxalmente, leva a perigos e inseguran\u00e7as. Ainda \u00e9 uma leitura bin\u00e1ria, manique\u00edsta e contraproducente. Sob esta l\u00f3gica, o mundo de hoje tem uma tend\u00eancia maior de experimentar viol\u00eancias do que guerras e, em termos absolutos e conservadores, a guerra entre Estados \u00e9 menos prov\u00e1vel do que conflitos violentos. Portanto, na atualidade, as pistas para construir uma seguran\u00e7a sustent\u00e1vel passam pela compreens\u00e3o do que leva \u00e0 viol\u00eancia e aos conflitos, e que as liga\u00e7\u00f5es para construir uma melhor seguran\u00e7a s\u00e3o os civis e as pr\u00f3prias v\u00edtimas da viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outras palavras, a quest\u00e3o \u00e9 que a tarefa de minimizar o risco de sofrer novas explos\u00f5es e ataques n\u00e3o pode ser deixada exclusivamente para os militares. Ao contr\u00e1rio, \u00e9 uma tarefa que, para realmente ter \u00eaxito, deve ser constru\u00edda junto com as v\u00edtimas da viol\u00eancia e dos conflitos. De fato, isto reafirma a ideia de que se pode alcan\u00e7ar maiores n\u00edveis de seguran\u00e7a se o objetivo principal for proteger os cidad\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se de construir legitimidade global e substituir as governan\u00e7as criminosas e terroristas que definiram algumas das regras do jogo, desde Cabul e Bagd\u00e1 at\u00e9 Bogot\u00e1 e Rio de Janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>A chave da luta moderna contra o terrorismo e o crime organizado est\u00e1 no desenvolvimento de institui\u00e7\u00f5es baseadas nos cidad\u00e3os. E enquanto as armas do talib\u00e3 no Afeganist\u00e3o e as rotas dos cart\u00e9is de narcotr\u00e1fico na Col\u00f4mbia e no M\u00e9xico devem preocupar os governos, os olhos devem se centrar em dois problemas geracionais: os filhos da viol\u00eancia, recrutados e for\u00e7ados a lutar, e a cultura da viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema das crian\u00e7as criadas na viol\u00eancia pode ser mais perigoso do que todas as armas nucleares juntas, enquanto <a href=\"http:\/\/latinoamerica21.com\/br\/o-crime-organizado-faz-o-mexico-ajoelhar-se\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">a cultura da viol\u00eancia e do crime \u00e9 um fen\u00f4meno profundamente enraizado na Am\u00e9rica Latina<\/a> e uma amea\u00e7a desenfreada \u00e0s nossas democracias.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, as crian\u00e7as criadas na viol\u00eancia e a apropria\u00e7\u00e3o cultural da viol\u00eancia se cruzam, e tal uni\u00e3o \u00e9 o ponto de inflex\u00e3o para a sustentabilidade da seguran\u00e7a internacional. O que estamos vendo no momento \u00e9 a ponta do iceberg, mas precisamos ver o bloco inteiro para encontrar a resposta.<\/p>\n\n\n\n<p><em><sub>*Tradu\u00e7\u00e3o do espanhol por Maria Isabel Santos Lima<\/sub><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A terceira d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI est\u00e1 despertando os medos e incertezas acumulados ao longo da hist\u00f3ria. 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