{"id":7602,"date":"2021-09-30T09:00:00","date_gmt":"2021-09-30T12:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/latinoamerica21.com\/?p=7602"},"modified":"2021-09-30T06:47:31","modified_gmt":"2021-09-30T09:47:31","slug":"a-regiao-mais-perigosa-para-a-defesa-do-meio-ambiente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/a-regiao-mais-perigosa-para-a-defesa-do-meio-ambiente\/","title":{"rendered":"A regi\u00e3o mais perigosa para a defesa do meio ambiente"},"content":{"rendered":"\n<p>2020 foi o ano mais letal para aqueles que defendem seus lares, seus meios de subsist\u00eancia, a terra e os ecossistemas. Assim diz a ONG brit\u00e2nica <a href=\"https:\/\/environment-rights.org\/pt\/event\/relatorio-anual-da-global-witness\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Global Witness em seu relat\u00f3rio \u201c\u00daltima linha de defesa\u201d<\/a>. Al\u00e9m dos terr\u00edveis efeitos sobre a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, a explora\u00e7\u00e3o irrespons\u00e1vel dos recursos, baseada <a href=\"http:\/\/latinoamerica21.com\/br\/defensores-do-ambiente-sao-ameacados-tratados-como-criminosos-e-assassinados\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">na gan\u00e2ncia sem freio, desencadeou uma viol\u00eancia que vem crescendo<\/a> e que fez da Am\u00e9rica Latina o lugar mais perigoso do mundo para os defensores da terra.<\/p>\n\n\n\n<p>Os exploradores, entretanto, j\u00e1 n\u00e3o se limitam a atentar contra os l\u00edderes de grupos ambientalistas, agora tamb\u00e9m atacam simples alde\u00f5es que procuram resguardar seus entornos e suas parcelas. Tr\u00eas em cada quatro pessoas assassinadas por raz\u00f5es ambientais no mundo s\u00e3o latino-americanas. No total, 227 pessoas foram mortas em 2020, em compara\u00e7\u00e3o com as 219 do ano anterior na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A n\u00edvel global, os pa\u00edses que lideram a lista dos mais perigosos s\u00e3o a Col\u00f4mbia com 65 assassinatos, o M\u00e9xico com 30, e as Filipinas com 29 mortes. Al\u00e9m dos homic\u00eddios, h\u00e1 toda uma s\u00e9rie de ataques de v\u00e1rios tipos e gravidades, tais como pris\u00f5es arbitr\u00e1rias, amea\u00e7as, ass\u00e9dio, campanhas de difama\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia sexual, ass\u00e9dio e processos judiciais n\u00e3o fundamentados (lawfares).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Col\u00f4mbia, o pa\u00eds mais perigoso do mundo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na Col\u00f4mbia, o pa\u00eds mais perigoso do mundo para os defensores do meio ambiente, aproximadamente um ter\u00e7o das agress\u00f5es foram contra nativos de diferentes etnias e contra popula\u00e7\u00f5es afrodescendentes. Quase metade desses ataques foram contra pessoas envolvidas na agricultura de pequena escala. Estes dados devem se enquadrar em um contexto geral de ataques sistem\u00e1ticos contra l\u00edderes sociais e ex-combatentes das FARC que assinaram o acordo de paz.<\/p>\n\n\n\n<p>No M\u00e9xico, onde a situa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 muito grave, foi registrado o maior aumento de viol\u00eancia e assassinatos de defensores ambientais em compara\u00e7\u00e3o com o ano anterior. De acordo com informa\u00e7\u00f5es oficiais e ONGs ambientalistas, a explora\u00e7\u00e3o florestal est\u00e1 vinculada a um ter\u00e7o desses ataques, e metade deles foram dirigidos contra as comunidades ind\u00edgenas. No M\u00e9xico, aproximadamente 95% dos crimes ficam impunes.<\/p>\n\n\n\n<p>Os n\u00fameros da Col\u00f4mbia e do M\u00e9xico s\u00e3o seguidos pelo Brasil com 20 assassinatos, Honduras com 17 e Guatemala com 13. Mas se levarmos em conta o n\u00famero de assassinatos per capita, ou seja, o n\u00famero de pessoas mortas em rela\u00e7\u00e3o ao tamanho da popula\u00e7\u00e3o total, Nicar\u00e1gua, Honduras, Col\u00f4mbia e Guatemala encabe\u00e7am a lista.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por que os matam?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o relat\u00f3rio da Global Witness, mais de um ter\u00e7o dos ataques mortais est\u00e3o vinculados \u00e0 explora\u00e7\u00e3o de recursos florestais, minera\u00e7\u00e3o e agroneg\u00f3cio em grande escala. Esta \u00faltima ind\u00fastria \u00e9 especialmente perigosa no Brasil e no M\u00e9xico, de acordo com dados de ONGs n\u00e3o inclu\u00eddas no relat\u00f3rio da Global Witness. Outras causas de atentados s\u00e3o as disputas sobre a constru\u00e7\u00e3o de barragens hidrel\u00e9tricas e outras infraestruturas, em grande parte ilegais ou pelo menos irregulares.<\/p>\n\n\n\n<p>O caso da l\u00edder Berta C\u00e1ceres, que foi assassinada por se opor \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da barragem no rio Gualcarque em Honduras, teve o maior impacto a n\u00edvel internacional e \u00e9 um claro exemplo da situa\u00e7\u00e3o prevalecente.<\/p>\n\n\n\n<p>A Global Witness aponta em seu relat\u00f3rio que, apesar da gravidade dos dados, este n\u00e3o \u00e9 um verdadeiro reflexo da extens\u00e3o do problema, pois em muitos pa\u00edses a situa\u00e7\u00e3o real enfrentada pelos defensores do meio ambiente \u00e9 quase imposs\u00edvel de ser medida. O relat\u00f3rio observa que as restri\u00e7\u00f5es \u00e0 liberdade de imprensa e a aus\u00eancia de registros independentes de ataques resultam em subnotifica\u00e7\u00f5es significativas. Portanto, os n\u00fameros publicados no relat\u00f3rio s\u00e3o, infelizmente, uma subestimativa do estado real da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O papel das empresas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O relat\u00f3rio observa que \u201cmuitas empresas se envolvem em um modelo econ\u00f4mico extrativista que prioriza o lucro de forma esmagadora\u201d sobre quest\u00f5es como os direitos humanos e o meio ambiente. Este poder corporativo desproporcional e irrespons\u00e1vel \u201c\u00e9 a for\u00e7a subjacente que n\u00e3o s\u00f3 levou a crise clim\u00e1tica \u00e0 beira do colapso, mas perpetuou a matan\u00e7a de seus defensores\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em muitos pa\u00edses ricos em recursos, esses predadores operam com impunidade quase total e, em algumas ocasi\u00f5es, em cumplicidade com os governos, por isso \u00e9 pouco frequente que os culpados paguem por seus crimes. E nos casos onde a justi\u00e7a interfere, ela acaba agindo contra os autores materiais, mas nunca contra os respons\u00e1veis intelectuais. No caso do assassinato de Berta C\u00e1ceres e outros l\u00edderes Lencas, embora os autores materiais tenham sido condenados, a justi\u00e7a se nega a abrir uma investiga\u00e7\u00e3o sobre os autores intelectuais.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora n\u00e3o seja comum que os criminosos paguem por seus crimes, em muitos casos s\u00e3o os pr\u00f3prios defensores do meio ambiente que acabam presos. Em Honduras, esta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 evidente. No caso do rio Guapinol, os defensores do rio que se opuseram a um projeto de minera\u00e7\u00e3o est\u00e3o em pris\u00e3o preventiva h\u00e1 dois anos, em um julgamento baseado em argumentos insustent\u00e1veis e orquestrado pelo poder pol\u00edtico-institucional e em defesa dos interesses de um empres\u00e1rio local.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Neste contexto, cabe afirmar que enquanto os recursos continuarem sendo explorados de forma irrespons\u00e1vel e com total impunidade, os ataques contra os defensores do meio ambiente e a pr\u00f3pria crise clim\u00e1tica continuar\u00e3o se agravando. Somente os governos, aprovando novas leis e aplicando-as, podem reverter esta situa\u00e7\u00e3o para proteger o meio ambiente e os direitos humanos.<\/p>\n\n\n\n<p><em><sub>*Tradu\u00e7\u00e3o do espanhol por Maria Isabel Santos Lima<\/sub><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><sub>Foto de Monk fotografia<\/sub><\/em><a href=\"http:\/\/latinoamerica21.com\/#facebook\" rel=\"noreferrer noopener\" target=\"_blank\"><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A explora\u00e7\u00e3o irrespons\u00e1vel dos recursos, baseada na gan\u00e2ncia desenfreada, desencadeou uma escalada de viol\u00eancia que fez da Am\u00e9rica Latina o lugar mais perigoso do mundo para os defensores da terra.<\/p>\n","protected":false},"author":168,"featured_media":7599,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"episode_type":"","audio_file":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[17039,546],"tags":[],"gps":[],"class_list":{"0":"post-7602","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-internet-es-en","8":"category-sociedad-br"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7602","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/168"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7602"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7602\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7599"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7602"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7602"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7602"},{"taxonomy":"gps","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gps?post=7602"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}