{"id":7659,"date":"2021-10-05T09:00:00","date_gmt":"2021-10-05T12:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/latinoamerica21.com\/?p=7659"},"modified":"2021-10-05T05:12:55","modified_gmt":"2021-10-05T08:12:55","slug":"a-seca-no-rio-parana-atinge-a-economia-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/a-seca-no-rio-parana-atinge-a-economia-brasileira\/","title":{"rendered":"A seca no rio Paran\u00e1 atinge a economia brasileira"},"content":{"rendered":"\n<p>As \u00faltimas semanas foram de grande turbul\u00eancia no Brasil. Em meio a uma crise pol\u00edtica entre os tr\u00eas poderes da Rep\u00fablica, <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-58479785\">manifesta\u00e7\u00f5es antidemocr\u00e1ticas<\/a> e uma economia cambaleante, a quest\u00e3o clim\u00e1tica surge como outro elemento chave. A amea\u00e7a das secas, dos eventos extremos e agora de apag\u00f5es el\u00e9tricos colocam em risco a atividade econ\u00f4mica brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/latinoamerica21.com\/br\/o-desmonte-da-politica-ambiental-no-governo-bolsonaro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A agenda ambiental j\u00e1 \u00e9 motivo de press\u00f5es internas e externas ao Brasil<\/a>. Por\u00e9m, o clima, mais do que nunca, tem se mostrado uma vari\u00e1vel impeditiva de maior dinamismo econ\u00f4mico em fun\u00e7\u00e3o da mais grave seca enfrentada pelo pa\u00eds nos \u00faltimos 91 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Naturalmente, outono e inverno s\u00e3o as esta\u00e7\u00f5es \u201csecas\u201d em grande parte do territ\u00f3rio brasileiro. Ainda assim, as m\u00e9dias pluviom\u00e9tricas em todo o pa\u00eds est\u00e3o abaixo daquelas dos anos anteriores, com especial aten\u00e7\u00e3o para os registros do Centro-Oeste, Sul e Sudeste, regi\u00f5es onde se concentram grande parte da popula\u00e7\u00e3o e da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e da Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas (ANA) indicam que quase 45% dos 5565 munic\u00edpios brasileiros est\u00e3o sofrendo algum grau (severas, extremas ou excepcional) de seca.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao atingir importantes regi\u00f5es agr\u00edcolas e de gera\u00e7\u00e3o de energia, a seca acarreta preju\u00edzos bilion\u00e1rios, ao mesmo tempo que traz preocupa\u00e7\u00f5es quanto ao futuro econ\u00f4mico dessas regi\u00f5es. Por exemplo, no sul do Estado de Minas Gerais, onde se produz quase 50% da produ\u00e7\u00e3o brasileira de caf\u00e9 (a maior do mundo), a combina\u00e7\u00e3o de seca com recentes geadas destruiu lavouras inteiras, em grande escala, culminando no aumento do pre\u00e7o ao consumidor final na casa dos 40%, segundo a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria de Caf\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>Pela primeira vez em anos <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/agronegocios\/noticia\/2021\/09\/01\/agropecuaria-cai-28percent-no-2o-trimestre-e-e-o-setor-com-maior-queda-no-pib.ghtml\">o PIB agropecu\u00e1rio brasileiro caiu, com redu\u00e7\u00e3o de 2,8% no segundo trimestre do ano<\/a>, sendo determinante para a queda de 0,1% observada para o PIB total do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A seca em um importante rio do Cone Sul<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um ponto especial dentro desse contexto \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o do Rio Paran\u00e1. Segundo maior rio sul-americano em termos de comprimento (quase 5.000 quil\u00f4metros), o Paran\u00e1 est\u00e1 desde 2019 enfrentando redu\u00e7\u00e3o de seu fluxo de \u00e1guas, tornando algumas partes, antes caudalosas, poss\u00edveis de travessia a p\u00e9. <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/internacional-58478106\">Essa \u00e9 a maior seca pela qual passa o rio desde 1941.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O rio Paran\u00e1 \u00e9 o mais importante para a geopol\u00edtica do Cone Sul, especialmente por seu papel de integrador do com\u00e9rcio entre as na\u00e7\u00f5es do Mercosul. Suas \u00e1guas s\u00e3o utilizadas para o escoamento da produ\u00e7\u00e3o brasileira, argentina, paraguaia e boliviana.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da riqu\u00edssima biodiversidade, que garante o sustento de milhares de pessoas por meio da pesca, e do papel fertilizador sobre as terras dos pa\u00edses em que serpenteia at\u00e9 chegar \u00e0 foz, pr\u00f3xima \u00e0 Buenos Aires, o rio t\u00eam papel central na produ\u00e7\u00e3o hidroel\u00e9trica brasileira e paraguaia, via Usina de Itaipu, e argentina, via Usina de Yacyret\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 consenso sobre se a situa\u00e7\u00e3o do rio Paran\u00e1 se deve \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas ou faz parte de seu ciclo natural, j\u00e1 observado em outras \u00e9pocas. Ainda assim, dois pontos precisam ter destaque: 1) atualmente, qualquer seca tem impactos muito maiores que as anteriores por raz\u00e3o da maior densidade demogr\u00e1fica e econ\u00f4mica \u201cao redor\u201d do rio; 2) ainda que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas possam n\u00e3o ser as \u00fanicas respons\u00e1veis, as queimadas observadas todos os anos tanto na Amaz\u00f4nia quanto no Cerrado brasileiros poderiam estar contribuindo para mudan\u00e7as no padr\u00e3o pluviom\u00e9trico da regi\u00e3o. Altera\u00e7\u00e3o dos \u201crios voadores\u201d que se formam a partir da gigante floresta ou alguma altera\u00e7\u00e3o no aqu\u00edfero Guarani, uma das maiores reservas de \u00e1gua doce do mundo, ao qual a nascente do Rio Paran\u00e1 est\u00e1 diretamente associada, podem contribuir ou explicar a atual seca.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O risco de apag\u00f5es em uma economia fragilizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto as estimativas da Comiss\u00e3o para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (CEPAL) apontam um crescimento de 5,9% em 2021 e 2,99% em 2022, as proje\u00e7\u00f5es para o Brasil s\u00e3o ainda menores: de 5,2% e 2,2%, respectivamente. No entanto, analistas do mercado j\u00e1 indicam <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/noticia\/2021\/06\/08\/banco-mundial-ve-alta-de-45percent-no-pib-brasileiro-em-2021-abaixo-da-previsao-para-a-america-latina.ghtml\">possibilidade de crescimento abaixo dos 5,0%<\/a>, a depender do comportamento dos mercados globais de commodities (notadamente min\u00e9rio de ferro), a oferta interna de energia e a pol\u00edtica monet\u00e1ria posta em a\u00e7\u00e3o pelo Banco Central do Brasil com vistas ao controle da infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um cen\u00e1rio otimista, o pa\u00eds poderia alcan\u00e7ar o n\u00edvel pr\u00e9-pandemia em 2023 ou 2024, por\u00e9m, em um cen\u00e1rio mais pessimista, essa recupera\u00e7\u00e3o poderia demorar ainda mais, chegando apenas em meados da segunda metade da d\u00e9cada.<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil e grande parte das economias latino-americanas j\u00e1 vinham apresentando baixo dinamismo produtivo antes de 2020. A pandemia, por assim, piorou muito um quadro, fazendo explodir o n\u00famero de desempregados, reduzindo ainda mais o investimento declinante e aumentando press\u00f5es inflacion\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, a regi\u00e3o \u00e9 considerada a mais afetada, tanto do ponto de sanit\u00e1rio, quanto econ\u00f4mico. Portanto, a retomada econ\u00f4mica, e a conseguinte recupera\u00e7\u00e3o, se tornaram quase um imperativo, considerando que em dois ou tr\u00eas anos se completariam 10 anos de baix\u00edssimo crescimento econ\u00f4mico, ou seja, uma nova \u201cd\u00e9cada perdida\u201d, a segunda vivida pelo pa\u00eds em quarenta anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Frente a este cen\u00e1rio, <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/09\/27\/apagao-no-sudeste-especialista-aponta-risco-de-falta-de-energia-eletrica-ja-em-outubro\">autoridades brasileiras confirmaram o iminente risco de \u201capag\u00f5es\u201d no fornecimento de energia<\/a> caso os n\u00edveis de \u00e1gua dos reservat\u00f3rios n\u00e3o aumentem ou n\u00e3o haja redu\u00e7\u00e3o do consumo de eletricidade. Os apag\u00f5es seriam catastr\u00f3ficos para a din\u00e2mica de uma economia que precisa voltar a crescer para gerar empregos para 20 milh\u00f5es de desempregados e retirar 10 milh\u00f5es da extrema pobreza.<\/p>\n\n\n\n<p>A quebra de colheitas, o aumento do pre\u00e7o da energia, o uso de termel\u00e9tricas (mais poluidoras e onerosas) e o aumento do custo de transportes em v\u00e1rias cadeias que dependem das \u00e1guas do Rio Paran\u00e1 para o escoamento da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, resultam em aumento generalizado dos pre\u00e7os que fizeram com que a infla\u00e7\u00e3o do pa\u00eds alcan\u00e7asse os dois d\u00edgitos, algo visto pela \u00faltima vez em 2000,<a href=\"https:\/\/economia.uol.com.br\/faq\/o-que-foi-o-apagao-de-2001-risco-racionamento-energia-eletrica.htm\"> ano que outra crise energ\u00e9tica se apresentou ao pa\u00eds.&nbsp;<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A seca no Brasil deixa mais do que evidente os efeitos das altera\u00e7\u00f5es no padr\u00e3o pluviom\u00e9trico por conta das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas sobre a atividade econ\u00f4mica. O Brasil, apesar de sua rica biodiversidade, pode ser um dos pa\u00edses mais afetados por secas prolongadas, especialmente por ser grande produtora agr\u00edcola que usa de modo intenso e, muitas vezes pouco racional, seus recursos h\u00eddricos. Adicionalmente, tamb\u00e9m mostra o poder da natureza sobre as atividades humanas, indicando o qu\u00e3o terr\u00edvel e potencialmente destrutivo seria um lockdown clim\u00e1tico, ou seja, a paralisia for\u00e7osa de atividades econ\u00f4micas por quest\u00f5es exclusivamente clim\u00e1ticas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O pa\u00eds enfrenta a seca mais severa dos \u00faltimos 91 anos. Em meio a uma grave crise econ\u00f4mica agravada pela pandemia, o clima provou, como nunca antes, ser uma vari\u00e1vel impeditiva para uma economia mais din\u00e2mica. <\/p>\n","protected":false},"author":71,"featured_media":7657,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"episode_type":"","audio_file":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[16897,16750,16719,16751],"tags":[],"gps":[],"class_list":{"0":"post-7659","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-cambio-climatico-pt-br","8":"category-economia-pt-br","9":"category-debates-pt-br","10":"category-medioambiente-pt-br"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7659","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/71"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7659"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7659\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7657"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7659"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7659"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7659"},{"taxonomy":"gps","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gps?post=7659"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}