{"id":8164,"date":"2021-11-09T10:52:00","date_gmt":"2021-11-09T13:52:00","guid":{"rendered":"http:\/\/latinoamerica21.com\/?p=8164"},"modified":"2021-11-11T20:00:37","modified_gmt":"2021-11-11T23:00:37","slug":"a-cidade-como-um-palco-para-a-construcao-do-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/a-cidade-como-um-palco-para-a-construcao-do-futuro\/","title":{"rendered":"A cidade como um palco para a constru\u00e7\u00e3o do futuro"},"content":{"rendered":"\n<p><a href=\"http:\/\/memoria.ebc.com.br\/agenciabrasil\/noticia\/2010-03-25\/quatro-em-cada-cinco-habitantes-da-america-latina-vivem-em-cidades-diz-onu\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Quatro em cada cinco latino-americanos vivem em cidades<\/a> e quase 100 milh\u00f5es de pessoas vivem nas seis maiores megacidades da regi\u00e3o. O que acontece ali afeta vidas e altera o futuro. As cidades sempre foram um lugar de transforma\u00e7\u00e3o para a humanidade. Com seu surgimento h\u00e1 5000 anos, os horizontes das pessoas foram ampliados, permitindo que as id\u00e9ias circulassem mais rapidamente e que grandes avan\u00e7os na ci\u00eancia, nas artes e na produ\u00e7\u00e3o se desenvolvessem. Hoje as cidades s\u00e3o tamb\u00e9m o palco dos principais desafios que enfrentamos como sociedades: a desigualdade e a mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Na Am\u00e9rica Latina, a regi\u00e3o mais urbana do mundo, estes desafios s\u00e3o ampliados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 sabemos que a Am\u00e9rica Latina \u00e9 a regi\u00e3o mais desigual do mundo, com pa\u00edses como Brasil, Col\u00f4mbia, Guatemala, M\u00e9xico e Panam\u00e1 atingindo coeficientes de Gini acima de 0,50. Mas \u00e9 nas cidades onde esta desigualdade \u00e9 objetivada na forma de segrega\u00e7\u00e3o espacial, exclus\u00e3o social e informalidade econ\u00f4mica. A falta de capacidade, recursos e poder dos governos para responder \u00e0 hipertrofia das grandes cidades resultou em um crescimento dominado pela l\u00f3gica do mercado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A consequ\u00eancia \u00e9 uma segrega\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria dos setores mais ricos, fechados e privatizados; e a segrega\u00e7\u00e3o involunt\u00e1ria dos setores populares em assentamentos prec\u00e1rios e informais e em \u00e1reas de risco. No meio, <a href=\"http:\/\/latinoamerica21.com\/br\/adeus-a-cidade-de-classe-media\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">uma classe m\u00e9dia fr\u00e1gil e encolhida resiste<\/a>. Atualmente, o emprego informal na regi\u00e3o ultrapassa 50% dos trabalhadores, com uma porcentagem maior para as mulheres. Da mesma forma, os quase 100 milh\u00f5es de ind\u00edgenas e afrodescendentes que vivem nas cidades s\u00e3o em m\u00e9dia 30% mais pobres que o conjunto da popula\u00e7\u00e3o e t\u00eam cerca de quatro anos a menos de escolaridade, enfrentando piores situa\u00e7\u00f5es de superlota\u00e7\u00e3o, despejos e viol\u00eancia. As cidades se dividem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em paralelo, o principal impacto da regi\u00e3o sobre a mudan\u00e7a clim\u00e1tica global vem das cidades. Tanto a concentra\u00e7\u00e3o populacional quanto o desenvolvimento urbano n\u00e3o planejado nas cidades tiveram consequ\u00eancias dram\u00e1ticas. Uma das causas \u00e9 o consumo excessivo de recursos naturais, especialmente \u00e1gua, com a superexplora\u00e7\u00e3o de aq\u00fc\u00edferos, costas, etc. Outra \u00e9 o uso do transporte, o principal contribuinte de CO2 para a atmosfera, que na regi\u00e3o \u00e9 agravado pelas longas dist\u00e2ncias a serem percorridas e a falta de transporte p\u00fablico de qualidade com o consequente uso excessivo dos autom\u00f3veis. A terceira causa \u00e9 a destrui\u00e7\u00e3o do solo devido \u00e0 invas\u00e3o excessiva de florestas e \u00e1reas \u00famidas e a perda da biodiversidade. As cidades n\u00e3o s\u00e3o sustent\u00e1veis.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os dois desafios est\u00e3o, \u00e9 claro, completamente interligados. A fim de responder \u00e0 crescente emiss\u00e3o de gases de efeito estufa, \u00e0 deteriora\u00e7\u00e3o dos ecosistemas e \u00e0 polui\u00e7\u00e3o do ar e do solo, devemos tamb\u00e9m responder \u00e0 crescente divis\u00e3o social. Os setores mais vulner\u00e1veis da popula\u00e7\u00e3o vivem cada vez mais longe dos centros urbanos com condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias de moradia, falta de infraestrutura e um ambiente insalubre.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 por isso que precisamos pensar em solu\u00e7\u00f5es socioecol\u00f3gicas que incluam a redu\u00e7\u00e3o do consumo de energia, a sustentabilidade, a redu\u00e7\u00e3o das desigualdades sociais, o desenvolvimento de espa\u00e7os de vida adequados e a justi\u00e7a ambiental.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Essas medidas devem necessariamente emergir de um processo democr\u00e1tico para a cria\u00e7\u00e3o de arranjos sociais e institucionais de longo prazo. Como observa a urbanista Jane Jacobs, &#8220;as<\/p>\n\n\n\n<p>cidades t\u00eam a capacidade de fornecer algo para todos, mas somente porque, e somente quando, elas s\u00e3o criadas por todos&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em outras palavras, o terceiro grande desafio que enfrentamos, e talvez o mais importante, \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de uma nova governan\u00e7a democr\u00e1tica. Precisamos desenvolver a infraestrutura pol\u00edtica e os mecanismos de funcionamento que possam construir acordos sociopol\u00edticos que sejam abrangentes, de longo prazo e socialmente participativos. A chave est\u00e1 nos modelos de governan\u00e7a de base territorial, com participa\u00e7\u00e3o efetiva do cidad\u00e3o, institucionalizando espa\u00e7os de intelig\u00eancia coletiva apoiados por redes de organiza\u00e7\u00f5es, universidades e outros coletivos. Esta \u00e9 a \u00fanica maneira de construir um consenso para uma urbaniza\u00e7\u00e3o equitativa, produtiva, ordenada e sustent\u00e1vel que melhore a qualidade de vida, a ordem espacial e a sustentabilidade ambiental de nosso planeta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A transforma\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel e as cidades s\u00e3o o palco. Assim como as cidades nos permitiram emergir da era neol\u00edtica, hoje elas podem ser o espa\u00e7o onde podemos construir nosso caminho para sair de um modelo de cidades excludentes. \u00c9 nas cidades que se concentra a riqueza, o poder de decis\u00e3o e o conhecimento sobre os desafios e solu\u00e7\u00f5es que temos pela frente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>*CILA 2021- Latin American Cities in Action, Southern Affairs e Smart Citizenship convidam ao debate sobre as cidades que queremos construir na regi\u00e3o. www.cila.org&nbsp;<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, as cidades s\u00e3o o palco onde se encontram os principais desafios que enfrentamos como sociedade: desigualdade e mudan\u00e7a clim\u00e1tica. 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