{"id":8655,"date":"2021-12-21T09:00:00","date_gmt":"2021-12-21T12:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/latinoamerica21.com\/?p=8655"},"modified":"2021-12-20T14:12:56","modified_gmt":"2021-12-20T17:12:56","slug":"a-pandemia-fortalece-as-relacoes-china-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/a-pandemia-fortalece-as-relacoes-china-america-latina\/","title":{"rendered":"A pandemia fortalece as rela\u00e7\u00f5es China-Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"\n<p>Aproveitando-se do v\u00e1cuo de pol\u00edticas estrat\u00e9gicas para a Am\u00e9rica Latina por parte dos Estados Unidos, a China <a href=\"http:\/\/latinoamerica21.com\/br\/pandemia-desigualdade-e-geopolitica\/\">aprofundou as suas rela\u00e7\u00f5es<\/a> com a regi\u00e3o durante a pandemia de Covid-19. A agenda tem crescido em torno de tr\u00eas eixos especialmente: com\u00e9rcio, investimentos e a\u00e7\u00f5es conjuntas contra a pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta \u00faltima, Pequim ampliou seu leque de a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas, oferecendo aquilo que Washington se mostrou incapaz de fornecer: vacinas, respiradores e outros equipamentos m\u00e9dicos essenciais para combater o coronav\u00edrus. Diversos pa\u00edses latino-americanos recorreram ao governo e \u00e0s empresas chinesas para obter esses materiais essenciais. No caso do Brasil, <a href=\"http:\/\/latinoamerica21.com\/br\/o-dragao-e-o-capitao-brasileiro\/\">com um presidente muitas vezes cr\u00edtico a Pequim<\/a>, os governadores estaduais constru\u00edram essas pontes com a China, realizando seus pr\u00f3prios acordos \u00e0 revelia de Bras\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>O crescimento da influ\u00eancia da China na Am\u00e9rica Latina ocorre em meio \u00e0s crises nos Estados Unidos, com iniciativas diplom\u00e1ticas err\u00e1ticas para a regi\u00e3o, que com frequ\u00eancia se destacaram mais pela hostilidade contra os regimes de Cuba, Nicar\u00e1gua e Venezuela do que em uma agenda construtiva com os grandes parceiros regionais em quest\u00f5es como com\u00e9rcio e migra\u00e7\u00f5es. Ainda n\u00e3o h\u00e1 diretrizes claras sobre o que mudar\u00e1 com o governo do presidente Joe Biden, cuja pol\u00edtica latino-americana tem sido guiada mais pela resposta a emerg\u00eancias do que por uma vis\u00e3o estrat\u00e9gica de longo prazo.<\/p>\n\n\n\n<p>O aprofundamento tamb\u00e9m se deu por meio da expans\u00e3o dos investimentos no setor-chave da tecnologia da informa\u00e7\u00e3o. Em meio \u00e0s disputas comerciais entre China e Estados Unidos, os pa\u00edses latino-americanos t\u00eam optado por manter as portas abertas para a atua\u00e7\u00e3o da Huawei, permitindo \u00e0 gigante chinesa fornecer equipamentos para a implementa\u00e7\u00e3o do padr\u00e3o 5G de Internet. \u00c9 um padr\u00e3o diferente daquele que tem marcado a a\u00e7\u00e3o da Austr\u00e1lia, Canad\u00e1 ou Uni\u00e3o Europeia, no qual prevalecem vetos ou outras restri\u00e7\u00f5es aos investimentos chineses.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/latinoamerica21.com\/br\/a-aguia-e-o-dragao-na-america-central\/\">Outra quest\u00e3o importante \u00e9 o modo como a Am\u00e9rica Central se tornou um palco das disputas entre China, Estados Unidos e Taiwan<\/a>. Desde 2008 diversos pa\u00edses da regi\u00e3o deixaram de reconhecer diplomaticamente a ilha e estabeleceram rela\u00e7\u00f5es com Pequim. Isso aconteceu com Costa Rica, El Salvador, Nicar\u00e1gua, Panam\u00e1 e Rep\u00fablica Dominicana. A presidente-eleita de Honduras anunciou que far\u00e1 o mesmo, reduzindo ainda mais os 14 Estados que atualmente reconhecem Taiwan \u2013 menos da metade do que eram h\u00e1 20 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Pequim tamb\u00e9m preenche certo v\u00e1cuo oriundo das dificuldades dos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina em promover a integra\u00e7\u00e3o regional em meio \u00e0 polariza\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica e a disputas partid\u00e1rias que ultrapassaram as fronteiras.<\/p>\n\n\n\n<p>A regi\u00e3o n\u00e3o conseguiu responder de forma efetiva \u00e0 crise na Venezuela, por exemplo. O Brasil no <a href=\"http:\/\/latinoamerica21.com\/es\/la-miopia-politica-de-bolsonaro-en-sudamerica\/\">governo Jair Bolsonaro se retirou de iniciativas de integra\u00e7\u00e3o<\/a> como a Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) e a Unasul. A pr\u00f3pria influ\u00eancia crescente da China tem dividido partidos e governos, indo da hostilidade de Bolsonaro ao entusiasmo das na\u00e7\u00f5es do Pac\u00edfico, que buscam acordos de livre com\u00e9rcio com Pequim. O Uruguai tamb\u00e9m quer firmar tratado semelhante, apesar das restri\u00e7\u00f5es do Mercosul.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Rela\u00e7\u00f5es j\u00e1 crescentes nos \u00faltimos anos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em meio a tudo isso, ocorreu em dezembro o f\u00f3rum da CELAC com a China, um encontro que ressaltou a import\u00e2ncia da organiza\u00e7\u00e3o como principal canal de di\u00e1logo e coopera\u00e7\u00e3o do pa\u00eds asi\u00e1tico com a regi\u00e3o. Mas j\u00e1 desde antes, as rela\u00e7\u00f5es de Pequim com os pa\u00edses latino-americanos vinham em uma crescente destac\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas duas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XXI, o interc\u00e2mbio econ\u00f4mico entre a China e a Am\u00e9rica Latina saiu de patamares pequenos para se tornar uma for\u00e7a consider\u00e1vel. O com\u00e9rcio bilateral ultrapassou US$300 bilh\u00f5es por ano, e o estoque de capital chin\u00eas na regi\u00e3o supera US$110 bilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O motor dessa expans\u00e3o foi o crescimento acelerado da China e sua demanda pelas commodities agr\u00edcolas e minerais exportadas pela regi\u00e3o, tais como carnes, cobre, min\u00e9rio de ferro, petr\u00f3leo e soja. Com frequ\u00eancia o mercado chin\u00eas se tornou o maior ou segundo maior para o com\u00e9rcio exterior regional, em especial para os pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul \u2013 no M\u00e9xico e Am\u00e9rica Central continua o predom\u00ednio econ\u00f4mico dos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na esteira do com\u00e9rcio, vieram os investimentos chineses, em geral para facilitar a extra\u00e7\u00e3o e transporte das commodities latino-americanas exportadas para o pa\u00eds asi\u00e1tico. Esses fluxos financeiros se concentram em setores como minera\u00e7\u00e3o e energia, financiando a constru\u00e7\u00e3o de infraestrutura como estradas, ferrovias, minas e oleodutos. No <a href=\"http:\/\/latinoamerica21.com\/br\/relacoes-china-brasil-reflexoes-sobre-um-centenario\/\">Brasil h\u00e1 um padr\u00e3o diferente<\/a>, com os investimentos da China focados na gera\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e transmiss\u00e3o de eletricidade para o mercado dom\u00e9stico brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Os la\u00e7os econ\u00f4micos mais fortes levaram tamb\u00e9m a mudan\u00e7as na diplomacia, com a constru\u00e7\u00e3o de um arcabou\u00e7o pol\u00edtico para ampliar canais de di\u00e1logo e coopera\u00e7\u00e3o. Desde o fim da d\u00e9cada de 2000 a China tem dado mais aten\u00e7\u00e3o \u00e0 Am\u00e9rica Latina, com a publica\u00e7\u00e3o de dois Livros Brancos com as diretrizes oficiais para esse relacionamento e a amplia\u00e7\u00e3o de suas parcerias estrat\u00e9gicas na regi\u00e3o. A partir da articula\u00e7\u00e3o original com o Brasil, em 1993, Pequim formulou iniciativas semelhantes com outros oito pa\u00edses latino-americanos, al\u00e9m dos la\u00e7os peculiares que desenvolve com Cuba, pela similaridade do sistema pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p>A China passou tamb\u00e9m a ter presen\u00e7a oficial e permanente em espa\u00e7os da integra\u00e7\u00e3o regional latino-americana, como a CELAC e o Banco Interamericano de Desenvolvimento. S\u00e3o medidas que representam a consolida\u00e7\u00e3o de sua influ\u00eancia como ator local. Dezenove dos 33 pa\u00edses da regi\u00e3o se juntaram \u00e0 Iniciativa do Cintur\u00e3o e Rota, o projeto chin\u00eas de investimentos globais em infraestrutura, mas at\u00e9 agora as maiores na\u00e7\u00f5es latino-americanas (Brasil, M\u00e9xico, Argentina, Col\u00f4mbia) optaram por ficar de fora.<\/p>\n\n\n\n<p>As rela\u00e7\u00f5es com a China representam boa oportunidade para a Am\u00e9rica Latina enfrentar problemas como a pandemia e o desafio de recuperar suas economias, mas a regi\u00e3o precisa melhorar seus processos de integra\u00e7\u00e3o de modo a extrair o m\u00e1ximo poss\u00edvel de seu di\u00e1logo com Pequim e obter mais recursos em suas negocia\u00e7\u00f5es com Washington.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aproveitando o v\u00e1cuo da pol\u00edtica estrat\u00e9gica americana para a Am\u00e9rica Latina, a China aprofundou suas rela\u00e7\u00f5es com a regi\u00e3o durante a pandemia de Covid-19. 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