{"id":8899,"date":"2022-01-21T09:00:00","date_gmt":"2022-01-21T12:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/latinoamerica21.com\/?p=8899"},"modified":"2022-01-20T06:05:07","modified_gmt":"2022-01-20T09:05:07","slug":"retrocessos-na-participacao-laboral-das-mulheres-no-chile","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/retrocessos-na-participacao-laboral-das-mulheres-no-chile\/","title":{"rendered":"Retrocessos na participa\u00e7\u00e3o laboral das mulheres no Chile"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Co-autora Renata L\u00f3pez<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s mulheres temos sofrido historicamente lacunas no mundo laboral, que apesar dos avan\u00e7os, <a href=\"http:\/\/latinoamerica21.com\/br\/as-respostas-a-covid-19-nao-devem-esquecer-as-mulheres\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">se aprofundaram durante a pandemia<\/a>. Portanto, um dos grandes desafios para a recupera\u00e7\u00e3o social e econ\u00f4mica \u00e9 atender os direitos trabalhistas das mulheres e que o Estado se encarregue de garantir que possamos gerar nossa pr\u00f3pria renda, alcan\u00e7ar autonomia e ter oportunidades de emprego com condi\u00e7\u00f5es seguras de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>As lacunas que muitas mulheres sofrem, no Chile e no resto da Am\u00e9rica Latina, s\u00e3o desafios que devem ser assumidos, n\u00e3o s\u00f3 em uma esfera geral, mas tamb\u00e9m devem ser enfrentados a n\u00edvel subnacional. Portanto, \u00e9 necess\u00e1rio n\u00e3o apenas se debru\u00e7ar sobre a realidade chilena em geral, mas o problema deve ser abordado de maneira descentralizada e com uma perspectiva territorial.<\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar, deve-se assinalar que a desigualdade na participa\u00e7\u00e3o laboral feminina \u00e9 produto da divis\u00e3o sexual do trabalho. Tradicionalmente, as mulheres t\u00eam realizado o trabalho de reprodu\u00e7\u00e3o e cuidado (sem remunera\u00e7\u00e3o), servi\u00e7os e com\u00e9rcio, enquanto em \u00e1reas como ind\u00fastria, agricultura e mercados financeiros a for\u00e7a de trabalho \u00e9 composta, majoritariamente, por homens. Em 2010, no Chile, os homens atingiram uma participa\u00e7\u00e3o laboral m\u00e9dia de 74,2%, enquanto as mulheres atingiram 46,8%, segundo <a href=\"https:\/\/www.ine.cl\/docs\/default-source\/genero\/documentos-de-an%C3%A1lisis\/documentos\/g%C3%A9nero-y-empleo-impacto-de-la-crisis-econ%C3%B3mica-por-covid19.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">dados do Instituto Nacional de Estat\u00edstica (INE, 2021)<\/a>.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a \u00faltima d\u00e9cada, as mulheres aumentaram progressivamente sua participa\u00e7\u00e3o no trabalho remunerado. Entre novembro de 2019 e dezembro de 2020, a participa\u00e7\u00e3o laboral feminina alcan\u00e7ou seu valor m\u00e1ximo de 53,3%. Mas esse aumento foi afetado pela crise sanit\u00e1ria e economia produzida pela Covid-19, de tal maneira que para o trimestre abril-junho de 2020 a participa\u00e7\u00e3o das mulheres reduziu para 41,2%, enquanto os homens chegaram a 62,7%. Embora entre novembro e dezembro de 2020, com o avan\u00e7o da pandemia, a participa\u00e7\u00e3o feminina tenha aumentado para 45,3%, \u00e9 evidente que houve um retrocesso quando comparado ao cen\u00e1rio anterior \u00e0 crise sanit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Quase um ter\u00e7o das mulheres mencionaram como raz\u00e3o principal para n\u00e3o participar no mercado laboral a situa\u00e7\u00e3o familiar permanente, ou seja, a necessidade de trabalho dom\u00e9stico e de cuidados n\u00e3o remunerados (INE, 2021). O impacto econ\u00f4mico e trabalhista sobre as mulheres \u00e9 importante devido a muitos lares serem encabe\u00e7ados por mulheres, por isso a poupan\u00e7a rapidamente se esgota e cresce o endividamento dessas fam\u00edlias, segundo o Banco Central do Chile (2021).<\/p>\n\n\n\n<p>Mas al\u00e9m da pandemia, um dos grandes desafios na participa\u00e7\u00e3o desigual do trabalho entre homens e mulheres \u00e9 a concilia\u00e7\u00e3o da vida laboral e familiar. Portanto, as pol\u00edticas de reativa\u00e7\u00e3o laboral com foco nas mulheres devem acompanhar a institucionaliza\u00e7\u00e3o de um sistema de cuidados que permita p\u00f4r fim \u00e0s lacunas que v\u00eam das quest\u00f5es estruturais. Por exemplo, os trabalhos de cuidado t\u00eam sido historicamente uma responsabilidade exclusiva das mulheres, o que se traduz em jornadas laborais extremas no caso de mulheres que tamb\u00e9m t\u00eam trabalhos remunerados.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a realidade das mulheres \u00e9 heterog\u00eanea. As lacunas de g\u00eanero variam \u00e0 medida que outros fatores aprofundam essa desigualdade. No caso de La Araucan\u00eda, \u2014 a regi\u00e3o mais pobre do Chile e onde h\u00e1 anos h\u00e1 um profundo conflito entre o Estado e o povo Mapuche \u2014 existe uma crise multidimensional com 17,4% de pobreza e 5,9% de pobreza extrema que a coloca entre as regi\u00f5es mais desfavorecidas a n\u00edvel nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa de Caracteriza\u00e7\u00e3o Socioecon\u00f4mica Nacional (CASEN, 2020) indica que nessa regi\u00e3o 61,5% das mulheres se encontravam inativas laboralmente e 32% delas indicaram que a principal raz\u00e3o para n\u00e3o procurar trabalho s\u00e3o as tarefas dom\u00e9sticas e o cuidado de terceiros. Um relat\u00f3rio do Observat\u00f3rio Laboral de La Araucan\u00eda (2021) indica que a participa\u00e7\u00e3o laboral feminina antes da pandemia chegou a 48% e que, devido \u00e0 situa\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria, nos \u00faltimos trimestres de 2020 isso foi reduzido para 36%. Al\u00e9m disso, desde que come\u00e7ou a crise, 42 mil empregos para mulheres foram perdidos na regi\u00e3o e apenas 19 mil foram recuperados.<\/p>\n\n\n\n<p>No Chile existem pol\u00edticas de inser\u00e7\u00e3o laboral para mulheres a cargo do Minist\u00e9rio da Mulher e da Equidade de G\u00eanero como, por exemplo, os programas \u201cMulheres chefas do Lar em La Araucan\u00eda Mujeres jefas de Hogar en La Araucan\u00eda\u201d, \u201c4 a 7\u201d ou \u201cMujer Emprende y Buenas Pr\u00e1cticas Laboral\u201d. Embora essas pol\u00edticas possam contribuir para enfrentar os desafios da reativa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e trabalhista, certamente n\u00e3o s\u00e3o suficientes. Diante do novo contexto da pandemia, \u00e9 necess\u00e1rio tamb\u00e9m redesenhar as pol\u00edticas, revisar seus instrumentos e distribui\u00e7\u00e3o de recursos com uma perspectiva regional, bem como, \u00e9 importante que o Estado reconhe\u00e7a as atividades de cuidado e de trabalho dom\u00e9stico. Tamb\u00e9m precisam ser tomadas decis\u00f5es que levem em conta as diferen\u00e7as regionais e atendam suas desigualdades espec\u00edficas.<\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o de emprego das mulheres teve um grande retrocesso pela pandemia e o impacto foi maior para mulheres com dificuldades estruturais que n\u00e3o podem alcan\u00e7ar autonomia econ\u00f4mica e pleno desenvolvimento laboral. Por isso, o avan\u00e7o para uma co-responsabilidade efetiva, o fim dos estere\u00f3tipos de g\u00eanero e a seguran\u00e7a laboral e prote\u00e7\u00e3o social de quem realiza trabalhos de cuidado s\u00e3o um passo urgente.<\/p>\n\n\n\n<p><sub><em>Renata L\u00f3pez Mart\u00ednez \u00e9 estagi\u00e1ria do <\/em>Centro de Pol\u00edticas P\u00fablicas <em>da Universidade Cat\u00f3lica de Temuco.<\/em> <em>Estudante de Servi\u00e7o Social da Universidade Cat\u00f3lica de Temuco.<\/em><\/sub><\/p>\n\n\n\n<p><em><sub>Foto de lauritadianita em Foter<\/sub><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Co-autora Renata L\u00f3pez<br \/>\nUm dos grandes desafios para a recupera\u00e7\u00e3o social e econ\u00f4mica \u00e9 abordar os direitos trabalhistas das mulheres e para o Estado garantir que possamos gerar nossa pr\u00f3pria renda, alcan\u00e7ar autonomia e ter oportunidades de emprego com condi\u00e7\u00f5es seguras de trabalho.<\/p>\n","protected":false},"author":248,"featured_media":8897,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"episode_type":"","audio_file":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[16741,16765,14477,546],"tags":[],"gps":[],"class_list":{"0":"post-8899","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mujeres-pt-br","8":"category-chile-es-pt-br","9":"category-mulheres","10":"category-sociedad-br"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8899","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/248"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8899"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8899\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8897"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8899"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8899"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8899"},{"taxonomy":"gps","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gps?post=8899"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}