{"id":9143,"date":"2022-02-15T11:02:19","date_gmt":"2022-02-15T14:02:19","guid":{"rendered":"http:\/\/latinoamerica21.com\/?p=9143"},"modified":"2022-02-15T11:02:21","modified_gmt":"2022-02-15T14:02:21","slug":"organizacoes-criminosas-governam-secoes-da-fronteira-colombia-venezuela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/organizacoes-criminosas-governam-secoes-da-fronteira-colombia-venezuela\/","title":{"rendered":"Organiza\u00e7\u00f5es criminosas governam se\u00e7\u00f5es da fronteira Col\u00f4mbia-Venezuela"},"content":{"rendered":"\n<p>Durante a visita do presidente Duque e da lideran\u00e7a militar a Arauca, em 16 de janeiro, no \u00e2mbito de um conselho de seguran\u00e7a, a 18,4 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia, membros do Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional (ELN) transitaram pelas ruas de La Esmeralda, no munic\u00edpio de Arauquita, atemorizando a popula\u00e7\u00e3o. Este \u00e9 mais um dos eventos que ocorrem h\u00e1 pelo menos 30 anos na zona. Na fronteira entre Col\u00f4mbia e Venezuela, coabitam grupos \u00e0 margem da lei como o ELN, o Ex\u00e9rcito Popular de Liberta\u00e7\u00e3o (EPL), as extintas FARC \u2014 a partir do s\u00e9culo XXI, come\u00e7am a migrar para a Venezuela \u2014 e atores criminosos h\u00edbridos que se chocam por alugu\u00e9is ilegais.<\/p>\n\n\n\n<p>A zona compartilhada entre ambos os pa\u00edses t\u00eam testemunhado a transforma\u00e7\u00e3o e muta\u00e7\u00e3o do conflito armado junto com a prec\u00e1ria presen\u00e7a estatal, tanto de Caracas quanto de Bogot\u00e1. Embora a viol\u00eancia e a inseguran\u00e7a na \u00e1rea persistam h\u00e1 tr\u00eas d\u00e9cadas, entre 2021 e 2022 a situa\u00e7\u00e3o se deteriorou a ponto dos atores envolvidos serem cada vez mais difusos.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta zona fronteiri\u00e7a \u00e9 um microcomplexo geogr\u00e1fico de grande import\u00e2ncia estrat\u00e9gica que fomentou o desenvolvimento de uma rede criminosa binacional de grande alcance. Do lado venezuelano se encontram os territ\u00f3rios de Alto Apure, compostos por Guasdualito, El Amparo, Puerto P\u00e1ez e Elorza. Do lado colombiano, est\u00e3o os munic\u00edpios de Arauquita, Saravena, Fortul e Tame, em Arauca; e Cubar\u00e1 em Boyac\u00e1. Nessa \u00e1rea, somada \u00e0 aus\u00eancia de institui\u00e7\u00f5es formais de ambos os pa\u00edses, quem exerce o controle e governa s\u00e3o os criminosos que competem pelas rotas do narcotr\u00e1fico, tr\u00e1fico de pessoas e armas.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre 2016 e 2022, em Arauca e Apure, as estruturas do ELN e do grupo D\u00e9cimo Frente Mart\u00edn Villa convivem como dissidentes das FARC. Ambos competem pelos mercados il\u00edcitos realizando a\u00e7\u00f5es armadas que resultaram em mais de 30 mortos e 400 pessoas deslocadas no come\u00e7o de 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>V\u00e1rias s\u00e3o as raz\u00f5es dos problemas atuais. Por um lado, a narrativa venezuelana sustenta que existe uma campanha de desestabiliza\u00e7\u00e3o da Col\u00f4mbia atrav\u00e9s do envio de atores violentos para cometer atos criminosos em seu territ\u00f3rio. De fato, nos \u00faltimos 14 meses houve combates entre as for\u00e7as armadas venezuelanas contra grupos irregulares colombianos. Isso levou a um grave deslocamento de fam\u00edlias e agravou a crise humanit\u00e1ria na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, a vers\u00e3o colombiana sobre a crise na zona \u00e9 que foram lan\u00e7adas opera\u00e7\u00f5es militares de Bogot\u00e1 contra as dissid\u00eancias das antigas FARC. Vers\u00e3o compartilhada pelo relat\u00f3rio 2020 da Human Rights Watch sobre o aumento da viol\u00eancia em Apure e Arauca.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o agravante \u00e9 que h\u00e1 um ator que tem sido pouco nomeado na m\u00eddia e tem recebido pouca import\u00e2ncia na an\u00e1lise sobre o assunto. Trata-se da guerrilha venezuelana \u201cFor\u00e7as Patri\u00f3ticas de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional\u201d que, segundo v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es internacionais, t\u00eam uma estreita rela\u00e7\u00e3o e aprova\u00e7\u00e3o para operar com as autoridades locais venezuelanas.<\/p>\n\n\n\n<p>Independentemente dos atores armados que ali operam, a popula\u00e7\u00e3o civil que tem sido a v\u00edtima e o centro de gravidade da situa\u00e7\u00e3o. Nesse sentido, ao acorrentar a s\u00e9rie de fen\u00f4menos e quest\u00f5es da crise, as explica\u00e7\u00f5es podem ser aprofundadas ainda mais. A seguran\u00e7a na Col\u00f4mbia n\u00e3o passa por seu melhor momento. O pa\u00eds entrou em uma espiral de inseguran\u00e7as e viol\u00eancias de distintas naturezas devido \u00e0 prolifera\u00e7\u00e3o de diversos grupos que buscam controlar territ\u00f3rios devido a alugu\u00e9is ilegais.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, a baixa implementa\u00e7\u00e3o do Acordo de Paz assinado em 2016 (30%) preocupa o pa\u00eds devido ao assassinato de l\u00edderes sociais e ambientais, deslocamento for\u00e7ado e assassinato de ex-combatentes. Esse fen\u00f4meno e a impossibilidade do Estado&nbsp; colombiano&nbsp; de chegar a&nbsp; todo o&nbsp; territ\u00f3rio poderia levar a um terceiro ciclo de viol\u00eancia onde Arauca desempenha um&nbsp; papel importante.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, as autoridades de seguran\u00e7a colombianas tentaram recuperar o controle na \u00e1rea, mas acham que nem para os militares nem para a pol\u00edcia a \u00e1rea \u00e9 vi\u00e1vel. Uma das explica\u00e7\u00f5es das causas da viol\u00eancia entre Arauca e Apure tem a ver com a no\u00e7\u00e3o err\u00f4nea de seguran\u00e7a militarizada da administra\u00e7\u00e3o Duque.<\/p>\n\n\n\n<p>O excesso de militares n\u00e3o implica uma maior seguran\u00e7a. Ademais, existe uma desconex\u00e3o entre a ideia de seguran\u00e7a dos tomadores de decis\u00f5es e o cotidiano da viol\u00eancia territorial. E, por \u00faltimo, h\u00e1 uma permissividade da Venezuela que permite que ELN aja como uma guerrilha binacional. Enquanto isso, as Chancelarias de ambos os pa\u00edses desconhecem a import\u00e2ncia de ter rela\u00e7\u00f5es desideologizadas para o bem dos territ\u00f3rios e comunidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora Bogot\u00e1 e Caracas n\u00e3o tenham restabelecido rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas, os grupos armados irregulares ter\u00e3o mais capacidade para administrar Arauca e Apure do que as institui\u00e7\u00f5es estatais. Nem a Casa de Nari\u00f1o nem Miraflores governam a \u00e1rea, os criminosos que o fazem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00e1rea compartilhada pelos dois pa\u00edses testemunhou a transforma\u00e7\u00e3o e a muta\u00e7\u00e3o do conflito armado, a prolifera\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es criminosas e a presen\u00e7a prec\u00e1ria do Estado tanto em Caracas quanto em Bogot\u00e1.<\/p>\n","protected":false},"author":114,"featured_media":9138,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"episode_type":"","audio_file":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[16736,16721,16717,16719,546],"tags":[],"gps":[],"class_list":{"0":"post-9143","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-crimen-organizado-pt-br","8":"category-venezuela-pt-br","9":"category-colombia-pt-br","10":"category-debates-pt-br","11":"category-sociedad-br"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9143","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/114"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9143"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9143\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9138"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9143"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9143"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9143"},{"taxonomy":"gps","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gps?post=9143"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}