{"id":9271,"date":"2022-03-05T09:00:00","date_gmt":"2022-03-05T12:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/latinoamerica21.com\/?p=9271"},"modified":"2022-03-07T07:26:15","modified_gmt":"2022-03-07T10:26:15","slug":"por-un-orden-internacional-de-pueblos-libres-ayudemos-a-ucrania-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/por-un-orden-internacional-de-pueblos-libres-ayudemos-a-ucrania-2\/","title":{"rendered":"Por uma ordem internacional de povos livres: ajudemos a Ucr\u00e2nia"},"content":{"rendered":"\n<p>O ataque n\u00e3o provocado do Governo russo \u00e0 Ucr\u00e2nia \u00e9 uma amea\u00e7a para a comunidade internacional. Al\u00e9m das diferen\u00e7as te\u00f3rico-metodol\u00f3gicas no estudo das rela\u00e7\u00f5es internacionais ou das prefer\u00eancias pol\u00edtico-ideol\u00f3gicas, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que se trata de um uso injustificado da for\u00e7a militar, de uma agressiva tentativa de reconfigura\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rea de influ\u00eancia hegem\u00f4nica e da imposi\u00e7\u00e3o de um \u201cnovo Tordesilhas\u201d global que beneficia alguns poucos. Se trata de uma renova\u00e7\u00e3o da antiga pol\u00edtica do \u201cbig stick\u201d, uma manifesta\u00e7\u00e3o ileg\u00edtima de imperialismo que, certamente, n\u00e3o tem sido uma pr\u00e1tica exclusiva do Estado russo, mas com a qual n\u00e3o se pode transigir.<\/p>\n\n\n\n<p>Da perspectiva do direito internacional, o ataque \u00e0 Ucr\u00e2nia viola quase todos os princ\u00edpios, valores e fundamentos sobre os quais se assentam as rela\u00e7\u00f5es entre Estados soberanos. Isto inclui uma tentativa de relativiza\u00e7\u00e3o de crit\u00e9rios essenciais das rela\u00e7\u00f5es internacionais, tais como o de n\u00e3o interven\u00e7\u00e3o nos assuntos internos de outros Estados, o respeito pela soberania, independ\u00eancia e integridade territorial, a resolu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica das controv\u00e9rsias, a absten\u00e7\u00e3o do uso da for\u00e7a, a autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos, a credibilidade dos tratados e a igualdade jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<p>Para os pa\u00edses latino-americanos, que durante muito tempo foram objetos de abusos imperialistas estadunidenses e europeus, manter e reivindicar tais crit\u00e9rios \u00e9 absolutamente crucial, inestim\u00e1vel e inquestion\u00e1vel. Este \u00e9 um desafio claro e direto contra o esfor\u00e7o orientado para a constru\u00e7\u00e3o de uma ordem internacional de povos livres. Reconhecer e apoiar o povo da Ucr\u00e2nia em sua luta para defender-se de uma agress\u00e3o externa e em um momento decisivo de sua hist\u00f3ria seria, de uma perspectiva latino-americana, o correto, justo e necess\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo lado dos estudos de seguran\u00e7a internacional e quest\u00f5es estrat\u00e9gicas contempor\u00e2neas \u00e9 evidente que no c\u00e1lculo estrat\u00e9gico de Moscou aparecem considera\u00e7\u00f5es que v\u00e3o al\u00e9m do estritamente bilateral com seu vizinho. Outros atores estatais e n\u00e3o estatais incidem neste conflito, como os separatistas pr\u00f3-russos no leste da Ucr\u00e2nia, a amplia\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte (OTAN), as rela\u00e7\u00f5es euro-asi\u00e1ticas com a China e at\u00e9 mesmo t\u00f3picos etno-pol\u00edticos e civilizacionais. Nada disso, entretanto, autorizaria implementar em pleno s\u00e9culo XXI uma agress\u00e3o imperialista, expansionista e militarista como a observada.<\/p>\n\n\n\n<p>Desdenhar deste ataque contra o povo e o governo ucraniano incentivar\u00e1 condutas igualmente agressivas de outras grandes pot\u00eancias regionais ou mundiais. Portanto, levando em considera\u00e7\u00e3o a experi\u00eancia latino-americana, na qual n\u00e3o faltaram interven\u00e7\u00f5es imperialistas abusivas de car\u00e1ter semelhante, bem como as correspondentes rea\u00e7\u00f5es anti-imperialistas, entende-se que uma postura progressista e republicana deveria ser implementada contra as ambi\u00e7\u00f5es geopol\u00edticas do governo do presidente Vladimir Putin, dos oligarcas russos e colaboradores, como o Governo de Belarus.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, enquanto o Governo ucraniano foi eleito democraticamente, n\u00e3o se pode afirmar o mesmo da R\u00fassia, que \u00e9 considerada como um caso de autoritarismo competitivo. H\u00e1 aqui o risco de uma eros\u00e3o democr\u00e1tica e de autocratiza\u00e7\u00e3o derivada diretamente do assunto em quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A Am\u00e9rica Latina tem uma longa tradi\u00e7\u00e3o de luta anti-imperialista, contra-hegem\u00f4nica e de coopera\u00e7\u00e3o Sul-Sul. Portanto, denunciar a agress\u00e3o contra a Ucr\u00e2nia n\u00e3o significa, de modo algum, ser subordinado ou complacente com pot\u00eancias ocidentais como Estados Unidos que tamb\u00e9m tiveram pretens\u00f5es igualmente abusivas. Basicamente, trata-se de ser coerente, manter uma pol\u00edtica de princ\u00edpio anti-imperialista e seguir o caminho aberto pelos libertadores do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de uma semana de opera\u00e7\u00f5es militares contra a Ucr\u00e2nia que foram condenadas por quase todos os atores da comunidade internacional, especialmente no sistema das Na\u00e7\u00f5es Unidas, a sa\u00edda mais construtiva seria a negocia\u00e7\u00e3o direta e de boa f\u00e9 entre as partes. O Governo de Moscou deveria tomar nota de que sua agress\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 reconhecida ou passivamente aceita, inclusive dentro da pr\u00f3pria R\u00fassia. Uma negocia\u00e7\u00e3o sem condi\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias, com uma agenda aberta e em p\u00e9 de igualdade ajudaria a resolver suas diverg\u00eancias com o Governo de Kiev e reduziria as crescentes tens\u00f5es globais.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma eventual vit\u00f3ria pol\u00edtico-militar russa na Ucr\u00e2nia implicaria, entre muitas outras coisas, retroceder \u00e0 era da pol\u00edtica da barb\u00e1rie, das canhoneiras ou das \u201cguerras das bananas\u201d. Seria um erro e uma trag\u00e9dia para a inser\u00e7\u00e3o internacional de seguran\u00e7a de pa\u00edses menores e m\u00e9dios.<\/p>\n\n\n\n<p>Igualmente, outras pot\u00eancias regionais, encorajadas pelo precedente do ataque russo \u00e0 Ucr\u00e2nia, poderiam se sentir legitimadas a invadir outros pa\u00edses porque discordam de suas prefer\u00eancias, prioridades e condutas. Portanto, a amea\u00e7a do uso da for\u00e7a na pol\u00edtica e seguran\u00e7a internacional n\u00e3o pode ser tolerada passiva, ing\u00eanua ou candidamente, seja no leste da Europa, na Am\u00e9rica Latina ou em qualquer outra regi\u00e3o do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>A agress\u00e3o contra a Ucr\u00e2nia merece uma profunda e detalhada reflex\u00e3o, principalmente das for\u00e7as progressistas latino-americanas. O povo daquele pa\u00eds necessita e reivindica nosso apoio, solidariedade e fraternidade. Como afirmaram alguns fil\u00f3sofos: \u201cOnde h\u00e1 agressor e v\u00edtima, a neutralidade sempre beneficia o agressor\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Os Governos do planeta, a sociedade civil transnacional emergente e o mundo acad\u00eamico devem levantar suas vozes. A esta altura, somente assim se poder\u00e1 avan\u00e7ar na constitui\u00e7\u00e3o de uma ordem mundial de povos livres.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ataque n\u00e3o provocado do governo russo \u00e0 Ucr\u00e2nia \u00e9 uma amea\u00e7a para a comunidade internacional. 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