{"id":9835,"date":"2022-04-15T09:00:00","date_gmt":"2022-04-15T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/latinoamerica21.com\/?p=9835"},"modified":"2022-04-14T11:01:17","modified_gmt":"2022-04-14T14:01:17","slug":"o-papel-incerto-da-america-central-na-agenda-dos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/o-papel-incerto-da-america-central-na-agenda-dos-eua\/","title":{"rendered":"O papel incerto da Am\u00e9rica Central na agenda dos EUA"},"content":{"rendered":"\n<p>A migra\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Central para os Estados Unidos aumentou, e segundo um relat\u00f3rio publicado no m\u00eas de mar\u00e7o pelo Comit\u00ea Internacional da Cruz Vermelha, \u00e9 prov\u00e1vel que em 2022 aumente ainda mais e se agravem os problemas de seguran\u00e7a para as pessoas que tentam cruzar a fronteira entre a pot\u00eancia norte-americana e o M\u00e9xico. A imigra\u00e7\u00e3o tornou-se um tema-chave para os Estados Unidos e v\u00e1rias pesquisas colocam-na entre os principais problemas dos norte-americanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas elei\u00e7\u00f5es de 2020, houve raz\u00f5es para o otimismo na Am\u00e9rica Central. Neste ano, na campanha presidencial, Joe Biden prometeu 4 bilh\u00f5es de d\u00f3lares para atender as causas da emigra\u00e7\u00e3o no M\u00e9xico e nos pa\u00edses do Tri\u00e2ngulo do Norte (El Salvador, Honduras e Guatemala). As causas s\u00e3o m\u00faltiplas, mas em sua maioria tem a ver com o desenvolvimento econ\u00f4mico e social dos pa\u00edses centroamericanos.<\/p>\n\n\n\n<p>As visitas do Secret\u00e1rio de Estado Anthony Blinken e da Vice-Presidente Kamala Harris \u00e0 Costa Rica e Guatemala, respectivamente, em junho do ano passado, poderiam ser interpretadas como um sinal de interesse da administra\u00e7\u00e3o Biden em cumprir essa meta. Tamb\u00e9m \u00e9 um bom sinal a presen\u00e7a de Kamala Harris \u00e0 transfer\u00eancia presidencial em Honduras, no \u00faltimo 27 de janeiro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Anteriormente, nenhum governo estadunidense havia manifestado tanta aten\u00e7\u00e3o aos problemas de desenvolvimento econ\u00f4mico e social da regi\u00e3o. No entanto, tamb\u00e9m havia raz\u00f5es para o ceticismo. Como bem assinalou um painel de peritos do Di\u00e1logo Interamericano, chefiado pela ex-Presidente Laura Chinchilla, a proposta do governo de Biden tinha v\u00e1rias limita\u00e7\u00f5es. Entre elas, a car\u00eancia de um enfoque regional, que, como demonstrou a hist\u00f3ria, \u00e9 fundamental para entender e enfrentar os problemas da Am\u00e9rica Central.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 certo que atrav\u00e9s de alian\u00e7as p\u00fablico-privadas promovidas pelos Estados Unidos, est\u00e3o sendo feitos esfor\u00e7os para atrair investimento para os pa\u00edses mais afetados. V\u00e1rias empresas norte-americanas manifestaram interesse, algo facilitado por um contexto de <em>nearshoring<\/em>. \u00c9 uma oportunidade, mas certamente requer uma influ\u00eancia do setor p\u00fablico, atrav\u00e9s de pol\u00edticas sociais em \u00e1reas-chave como a educa\u00e7\u00e3o e a sa\u00fade. De qualquer forma, os efeitos ser\u00e3o vistos a longo prazo.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, de acordo com uma nota publicada pela revista Time em janeiro passado, em meados de 2021, apenas cerca de 250 milh\u00f5es de d\u00f3lares da ajuda prometida tinham sido investidos. N\u00e3o est\u00e1 claro como e em qu\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p>Como salientaram os especialistas do Di\u00e1logo Interamericano, 4 bilh\u00f5es de d\u00f3lares na realidade \u00e9 pouco para as dimens\u00f5es dos problemas da regi\u00e3o. Ainda assim, parecia um bom come\u00e7o. Apesar disto, parece altamente improv\u00e1vel o cumprimento desta meta at\u00e9 o final dos quatro anos da administra\u00e7\u00e3o Biden-Harris. Especialmente se os democratas perderem o controle do Executivo em novembro de 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>O contexto internacional \u00e9 um dos fatores que leva ao ceticismo. Embora desde o in\u00edcio da administra\u00e7\u00e3o Biden, parte da sua estrat\u00e9gia de pol\u00edtica externa tenha sido centrada na recupera\u00e7\u00e3o de alian\u00e7as enfraquecidas durante o governo de Donald Trump (2017-2020) com democracias ocidentais, grande parte da aten\u00e7\u00e3o se dirigiu para o Sudeste Asi\u00e1tico, particularmente a ascens\u00e3o da China como prioridade de pol\u00edtica externa.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas suas suposi\u00e7\u00f5es tiveram de mudar rapidamente. Surgiram quest\u00f5es imprevistas, como o enfraquecimento da sua imagem pela ca\u00f3tica sa\u00edda das suas for\u00e7as armadas do Afeganist\u00e3o. Al\u00e9m disso, evidentemente a invas\u00e3o russa \u00e0 Ucr\u00e2nia \u00e9 uma afronta ao seu status de pot\u00eancia hegem\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<p>No plano dom\u00e9stico, a aten\u00e7\u00e3o das e dos eleitores est\u00e1 centrada na infla\u00e7\u00e3o, no meio das elei\u00e7\u00f5es intercalares de novembro. A estrutura de um sistema pol\u00edtico bicameral, com elei\u00e7\u00f5es presidenciais a cada quatro anos, elei\u00e7\u00f5es em outros n\u00edveis a meio mandato e sistema bipartid\u00e1rio, j\u00e1 coloca negocia\u00e7\u00f5es muito complicadas para um partido governante fr\u00e1gil no Congresso. Assim, uma agenda a longo prazo para a Am\u00e9rica Central encontrar\u00e1 dificuldades com um Executivo estadunidense que tem metas de curto prazo e interesses globais. No entanto, um segundo governo democrata seria, sem d\u00favida, vantajoso.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta l\u00f3gica se mescla com os problemas pol\u00edticos centro-americanos. O governo estadunidense declarou que quer evitar que a ajuda financeira caia em saco roto, devido \u00e0 profunda corrup\u00e7\u00e3o que \u00e9 amplamente conhecida. Isto \u00e9 agravado pelo autoritarismo que afeta principalmente a Nicar\u00e1gua e, em menor medida, El Salvador e amea\u00e7a os outros sistemas pol\u00edticos.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a Nicar\u00e1gua n\u00e3o entraria nas ajudas prometidas, complica as coisas. Os governos da Nicar\u00e1gua e de El Salvador responderam com medidas repressivas contra organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil que deveriam canalizar parte da coopera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica dos atores da comunidade internacional, como os Estados Unidos, para projetos de desenvolvimento social. Esperemos que outros governos da regi\u00e3o n\u00e3o sigam o exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p>Infelizmente, os milh\u00f5es de pessoas que precisam que estas promessas de desenvolvimento econ\u00f4mico e social sejam cumpridas est\u00e3o no meio do jogo pol\u00edtico. Portanto, milhares seguir\u00e3o tentando migrar para os Estados Unidos, mesmo que tenham que arriscar suas vidas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Neste momento, h\u00e1 pouca informa\u00e7\u00e3o sobre as pol\u00edticas que est\u00e3o sendo implementadas nesta \u00e1rea. Esperemos apenas que se mantenha o interesse apesar dos fatores debilitantes, tanto conjunturais como estruturais, na pol\u00edtica dom\u00e9stica dos Estados Unidos e dos pa\u00edses centro-americana, como tamb\u00e9m na pol\u00edtica internacional.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Juan Manuel Mu\u00f1oz Portillo \u00e9 Professor da Escola de Ci\u00eancias Pol\u00edticas da Universidade da Costa Rica. Doutor em Pol\u00edtica e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais pela Dublin City University (DCU), Irlanda. Foi pesquisador de p\u00f3s-doutorado na DCU e na Universidade de Cambridge, Inglaterra.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/es\/\"><em>www.latinoamerica21.com<\/em><\/a><em>, um meio plural comprometido com a divulga\u00e7\u00e3o de opini\u00e3o cr\u00edtica e informa\u00e7\u00e3o verdadeira sobre a Am\u00e9rica Latina. Siga-nos em <\/em><a href=\"https:\/\/twitter.com\/Latinoamerica21\"><em>&nbsp;<\/em><em>@Latinoamerica21<\/em><\/a><\/p>\n\n\n\n<p><em>*Tradu\u00e7\u00e3o do espanhol por Giulia Gaspar.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Anteriormente, nenhuma administra\u00e7\u00e3o dos EUA havia expressado tal aten\u00e7\u00e3o aos problemas de desenvolvimento econ\u00f4mico e social da regi\u00e3o. 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