L21

|

|

Leer en

Não basta proteger: é preciso também preparar para a vida

No México, completar 18 anos pode significar o fim da proteção residencial para jovens que nem sempre dispõem das ferramentas necessárias para enfrentar a vida adulta.

No México, completar 18 anos pode significar comemorar a chegada à vida adulta. Mas, para aqueles que cresceram ou permaneceram durante uma etapa importante de sua vida em um Centro de Assistência Social (espaço de proteção residencial para meninas, meninos e adolescentes cujos direitos foram violados), essa data também pode representar o fim de uma medida de proteção e o início de uma independência para a qual nem sempre tiveram tempo, condições ou acompanhamento suficiente.

De um dia para o outro, a sociedade pode deixar de ver um adolescente sob proteção e começar a exigir que ele aja como um adulto autônomo: conseguir emprego, administrar dinheiro, continuar os estudos, encontrar um lugar para morar, cuidar da saúde, tomar decisões e se sustentar emocionalmente. Tudo isso enquanto enfrenta, em muitos casos, um histórico de abandono, violência, uso de substâncias, separação familiar ou ausência de redes de apoio.

A maioridade legal muda em um instante. A maturidade, a autonomia e a segurança emocional, não. Por isso, proteger um adolescente não pode se resumir a oferecer-lhe alimentação, alojamento e cuidados enquanto ele permanece dentro de uma instituição. Proteger também significa prepará-lo para o momento em que ele tiver que tomar decisões fora dela.

Uma responsabilidade reconhecida, mas ainda pendente

Essa obrigação não é apenas moral. A Lei Geral dos Direitos das Meninas, Meninos e Adolescentes estabelece deveres de proteção integral para os Centros de Assistência Social. No âmbito internacional, as Diretrizes sobre Modalidades Alternativas de Cuidado Infantil e o Comitê dos Direitos da Criança das Nações Unidas indicam que aqueles que saem do cuidado alternativo precisam de preparação para a transição, acesso a emprego e moradia, apoio psicológico e serviços de acompanhamento.

No entanto, entre o que as normas reconhecem e o que muitos jovens vivem, ainda existe uma distância considerável. Frequentemente, a preparação começa tarde demais, limita-se a algumas oficinas ou depende de recursos fragmentados. O resultado é uma contradição: oferece-se proteção durante a adolescência, mas, ao atingir a maioridade, espera-se uma autossuficiência imediata que nem mesmo é exigida da maioria dos jovens que crescem com uma família e uma rede de apoio estável.

Sair de uma instituição não deveria significar ficar sozinho. A independência não pode se tornar uma nova forma de abandono.

Preparar para a vida é um processo

Preparar um adolescente para viver com autonomia não consiste em ministrar um curso algumas semanas antes de ele completar 18 anos. É um processo gradual que deve começar com antecedência, adaptar-se a cada história e permitir que o jovem participe das decisões que afetarão seu futuro.

Isso envolve aprender a obter e guardar documentos pessoais; administrar receitas e despesas; preparar refeições; utilizar meios de transporte; cuidar da saúde física e mental; continuar estudando ou ingressar no mercado de trabalho; reconhecer relacionamentos seguros; usar as ferramentas digitais de forma responsável; pedir ajuda e lidar com erros sem sentir que um tropeço anula todo o caminho percorrido.

Exige também algo menos visível, mas decisivo: construir confiança. Quem já passou por violência, perdas ou separações pode ter desenvolvido estratégias de sobrevivência úteis para resistir, embora nem sempre para se relacionar, planejar ou aceitar apoio. Exigir autonomia sem reconhecer essas experiências corre o risco de responsabilizá-lo por feridas que ele não causou.

O projeto de vida, portanto, não é um formulário que se preenche para cumprir um requisito. É uma conversa contínua sobre desejos, capacidades, medos, alternativas e limites reais. Deve ser revisado ao longo do tempo e traduzido em metas concretas: concluir um nível escolar, iniciar um treinamento, obter documentos, economizar uma quantia viável, identificar um local seguro para morar e saber a quem ligar durante uma crise.

O acompanhamento não termina na porta

Na Casa Mahayana Jóvenes, centro especializado em acolhimento que oferece não apenas assistência básica, mas também acompanhamento psicoeducativo a adolescentes e jovens, entendemos que a proteção residencial deve estar vinculada, desde o início, à restauração dos direitos anteriormente violados e à preparação para o futuro. O acompanhamento psicoeducativo, a assistência à saúde, a continuidade escolar, o desenvolvimento de habilidades para a vida e a construção de redes não são componentes separados: fazem parte de um mesmo caminho rumo à autonomia.

Nenhuma instituição pode trilhar esse caminho sozinha. É necessária a coordenação entre autoridades de proteção, famílias, quando sua participação for segura, escolas, serviços de saúde, universidades, empregadores, organizações sociais e comunidades. A transição deve contar com responsáveis identificáveis, acordos verificáveis e recursos que não desapareçam no dia da alta.

Um plano sério deve começar com antecedência suficiente e incluir, no mínimo, documentação pessoal, educação ou capacitação, opções de emprego digno, noções básicas de gestão financeira, moradia segura, continuidade de atendimento médico e psicológico, uma rede de apoio escolhida em conjunto com o jovem e acompanhamento posterior. Acima de tudo, é preciso ouvir a voz dele. Não se prepara alguém para tomar decisões ignorando-o no processo.

Construir uma ponte, não levá-lo à beira de um precipício

O objetivo não é prometer uma independência perfeita. Ninguém entra na vida adulta com todas as respostas. O objetivo é que a saída não ocorra como um corte abrupto, mas como uma transição acompanhada, com oportunidades reais e com a possibilidade de pedir ajuda sem perder a dignidade. Para tornar isso possível, o plano de saída deve incluir documentação oficial de maioridade como, no México, o INE, continuidade escolar ou profissional, moradia segura, atendimento à saúde, uma rede de apoio e acompanhamento posterior.

Quando um jovem sai de um Centro de Assistência Social, a pergunta não deve ser apenas se a instituição cumpriu seu papel enquanto ele esteve lá. Também devemos nos perguntar se, ao sair, ele conta com ferramentas, vínculos e condições mínimas para sustentar seu projeto de vida; e se a comunidade está disposta a não deixá-lo sozinho.

Completar 18 anos deve abrir portas para direitos e possibilidades, não uma queda no vazio. A proteção se completa quando se transforma em capacidades, redes de apoio e futuro. Não basta proteger até que a porta se feche. É preciso acompanhar para que, quando ela se abrir, haja um caminho do outro lado.

Autor

Otros artículos del autor

Director general de Desarrollo y Atención Psicoeducativa A.C. México. Desde hace diez años impulsa estrategias de atención, protección y desarrollo integral para adolescentes que enfrentan condiciones de vulnerabilidad.

spot_img

Postagens relacionadas

Você quer colaborar com L21?

Acreditamos no livre fluxo de informações

Republicar nossos artigos gratuitamente, impressos ou digitalmente, sob a licença Creative Commons.

Marcado em:

Marcado em:

COMPARTILHE
ESTE ARTIGO

Mais artigos relacionados