Se esta colaboração com Latinoamérica21 tivesse um subtítulo, sem dúvida seria: “Como governar sem crescimento econômico”. O crescimento de 0,3% registrado no México em 2025 marca o ponto de partida para o ano de 2026, em que as previsões mais otimistas antecipam um crescimento baixo e frágil, o que poderia acentuar os problemas econômicos, políticos e institucionais.
Não será um ano fácil. Além da previsão de crescimento, está pendente a renegociação do T-MEC, na qual o governo dos Estados Unidos buscará um reequilíbrio da balança comercial, até agora favorável ao México. Isso poderia se traduzir em uma diminuição das exportações devido ao aumento das tarifas estadunidenses. O secretário da Economia mexicano sinalizou que o México fará o mesmo, mas com um efeito proporcional ao tamanho de ambas economias.
Esse desequilíbrio não se explica apenas por fatores externos, mas também pela persistente mediocridade do crescimento, dado que o governo mexicano tem sido incapaz — por razões associadas ao projeto populista — de absorver fiscalmente a informalidade, aumentar a produtividade e, dessa forma, sustentar a mobilidade social.
Diz-se que quando uma economia não cresce o suficiente, a política se torna distributiva e não transformadora. Ou seja, o governo administra a escassez porque não gera riqueza, o que se reflete em uma baixa arrecadação estrutural, altos gastos sociais através de programas sociais e um fraco investimento público produtivo.
Esse coquetel explosivo gera um dilema político de primeira ordem: o governo tem que optar entre uma reforma do sistema fiscal — que acarreta um alto custo político — ou continuar financiando seu projeto político através de um maior endividamento, cortes nos gastos públicos ou um enfraquecimento institucional gradual.
Durante o mandato do presidente Andrés Manuel López Obrador, a dívida externa do México teria aumentado consideravelmente, passando de aproximadamente nove para dezessete bilhões de dólares. Esse aumento exige recorrer a um maior endividamento para cobrir essa dívida, sem que exista um respaldo estrutural sólido que a sustente a longo prazo.
O orçamento de despesas para 2026, por exemplo, prevê uma contratação de dívida de mais de um bilhão de dólares. Se essa tendência se mantiver nos próximos anos, o problema econômico se agravará consideravelmente. A isso se somaria um problema adicional de legitimidade política, uma vez que, diante da falta de resultados tangíveis do projeto da chamada Quarta Transformação, o governo buscaria sustentar sua legitimidade mediante uma narrativa moral, da polarização social e da construção constante de inimigos internos e externos.
Por isso, talvez, o principal desafio do governo seja manter a legitimidade sem resultados econômicos claros, o que inevitavelmente se traduz em pouca tolerância à crítica, menor disposição para aceitar o pluralismo e uso crescente do aparato estatal como ferramenta política.
E isso já está em andamento com a captura da Suprema Corte de Justiça e a recente nomeação da nova procuradora-geral da República, Ernestina Godoy Ramos, que, poucos dias após assumir o cargo, abriu processos contra figuras políticas opositoras e críticas ao projeto morenista sob o argumento de corrupção.
Assim, se a previsão econômica para 2026 se consolidar, é altamente provável que haja uma maior centralização do poder e um enfraquecimento dos contrapesos institucionais e midiáticos. Não é uma dinâmica nova: o manejo político das crises costuma indicar que, quando um governo não consegue distribuir prosperidade, opta por distribuir controle.
Essa distribuição do controle provavelmente não implicará uma ruptura institucional, mas sim cortes maiores nos orçamentos públicos, a manutenção de autonomias erodidas, a judicialização seletiva e uma regulamentação discricionária. Se isso ocorrer, afetará sem dúvida a segurança jurídica e a confiança dos investidores, que há algum tempo tomam com cautela suas decisões de investimento e reinvestimento diante do viés de um poder judiciário notoriamente partidário.
Isso resultaria em uma espécie de silogismo: quanto maior for a incerteza institucional, menor o investimento; quanto menor for o investimento, menor o crescimento; e quanto menor for o crescimento, maior a pressão sobre as instituições do Estado mexicano.
Diante desse cenário complicado, as alternativas não parecem muito promissoras. O ano de 2026 é politicamente importante, pois no ano seguinte estará em jogo a integração da Câmara dos Deputados e de dezesseis estados da federação. Isso exigirá um fluxo de dinheiro público e uma redução dos níveis de tensão vividos em 2025, quando setores importantes da sociedade mexicana se manifestaram ruidosamente e se registraram reações de baixa tolerância a essa oposição social heterogênea. Portanto, alguns analistas preveem eleições altamente competitivas e difíceis em muitas regiões, devido ao ativismo desenfreado de grupos do crime organizado.
Além disso, a margem de manobra para os operadores políticos do governo é muito estreita, gerando tensões que se multiplicam exponencialmente nas redes sociais e afetam a base eleitoral do partido Morena.
Não menos importante é a guinada à direita do eleitorado, que vem sendo observada rapidamente em diversos países da América Latina e ameaça continuar no Brasil e na Colômbia, onde as eleições serão realizadas em 2026. Vale ressaltar o efeito psicológico que isso já teve no comportamento eleitoral, como visto na Argentina e em Honduras, e que pode impactar um eleitorado profundamente preocupado com a crise econômica e a violência do crime organizado.
Em última análise, as possíveis soluções dependem da disposição — maior ou menor — de implementar uma profunda reforma econômica e institucional, o que poderia implicar um recuo do Judiciário, ou de persistir na gestão da escassez e continuar no caminho rumo a um maior controle político.
Do ponto de vista deste autor, e com base nas decisões tomadas nos últimos meses, especialmente a postura da presidente Claudia Sheinbaum em relação à Venezuela e Honduras — e também as posições adotadas em países onde o “progressismo” foi derrotado — pode-se inferir que as decisões tomadas no Palácio Nacional serão guiadas mais por ideologia do que por considerações estruturais. Em outras palavras, o país continuará sendo governado sem crescimento econômico. E os agentes da Casa Branca, que pressionam o México diariamente, já perceberam isso.
Tradução automática revisada por Isabel Lima










