O panorama político no Equador em 2026 reitera o contexto de 2025. A principal prioridade para a população é eliminar a insegurança, pois o ano anterior foi o mais violento da história: foram registradas aproximadamente 50 mortes por cada 100 mil habitantes na zona considerada de maior perigo, que envolve as províncias da costa, onde se encontram os portos que servem para o armazenamento e distribuição de drogas que saem para a Europa e os EUA, especialmente cocaína. Em segundo e terceiro lugares estão as preocupações com a economia e o desemprego, seguidas pela saúde, devido à crise do sistema sanitário.
O governo de Daniel Noboa chega enfraquecido após a derrota eleitoral sofrida na consulta popular de novembro, que propunha uma mudança drástica na governabilidade, principalmente pelo interesse em instalar bases militares estrangeiras para combater o crime organizado internacional e pela possibilidade de uma nova Constituição com uma arquitetura institucional renovada e outras regras do jogo na economia voltadas para o livre mercado. A maioria do povo disse não e isso o obriga a repensar sua estratégia, que, aliás, não foi comunicada. Também não há evidências de mudanças significativas em seu gabinete. Ele continua governando com seu círculo inicial, sem que os indicadores tenham melhorado nos aspectos mais complexos.
O resultado da última eleição mostrou que a boa aceitação do presidente não significava apoio nas urnas para uma mudança de rumo. Após dois anos de gestão, Noboa joga um segundo tempo com dificuldades. 2026 é um ano de campanha eleitoral, porque se aproximam as eleições para alcades e prefeitos, e isso reconfigura as forças políticas a nível local e regional, sobretudo nas principais cidades, onde governam opositores, como em Guayaquil, Quito e Cuenca. Até o momento, o chefe do Estado não conta com autoridades locais, já que seu partido é de recente criação e isso implica provar sua força organizacional.
Quanto à relação entre o Executivo e a Assembleia, ela está sendo testada, pois, embora o governo tenha maioria absoluta, o comportamento de seus aliados pode mudar diante das eleições, além de não haver clareza sobre a agenda do legislativo. Quanto à relação com os outros poderes do Estado, há questionamentos da oposição e de vários setores da opinião pública por sua afinidade com autoridades questionadas do Conselho da Magistratura e do Conselho de Participação Cidadã e Controle Social, acusadas de corrupção. Nesse cenário, se o presidente não se distanciar das autoridades deslegitimadas, seu governo poderá se desgastar ainda mais.
Há também uma frente interna de alta complexidade para o presidente, que é a pasta da saúde, juntamente com a da previdência social, devido à corrupção, à falta de medicamentos nos hospitais, à escassez de especialistas e a um modelo de gestão colapsado, sem perder de vista a alta rotatividade de ministros e altos funcionários nessas dependências, pelo que não houve continuidade em nenhuma iniciativa dos próprios co-ideais do Executivo. Simultaneamente, não se consegue configurar um plano social que articule a atenção aos setores mais vulneráveis, que na maioria dos casos se encontram nas áreas rurais das três regiões: Costa, Serra e Oriente.
Após a paralisação dos setores indígenas localizados na serra norte e o apoio que receberam de vários coletivos de esquerda, não há sinais da execução de acordos entre o governo e os líderes que possam diminuir as tensões a médio e longo prazo. Nos últimos seis anos, o Equador sofreu três paralisações de alta explosão política em 2019, 2022 e 2025, que deixaram como saldo uma ruptura do tecido social.
No entanto, Noboa mostra-se otimista em relação à economia, pois os números macroeconómicos revelam uma redução drástica do risco-país para 460 pontos, quando estava em 2.016 pontos há dois anos, além de um aumento das reservas internacionais de 9.975 milhões de dólares. Mantém a inflação controlada em 2,1% e um salário básico mensal de 482 dólares, com um aumento de 11 dólares. No entanto, há um déficit fiscal de US$ 5,312 bilhões, sem clareza sobre como será coberto. Paralelamente, ele conta com o apoio do Fundo Monetário Internacional devido às suas decisões de eliminar os subsídios aos combustíveis, propor um corte na burocracia e uma melhoria notável na arrecadação de impostos.
Menção especial merece a política externa do presidente, marcada pelo pragmatismo: sensatez nas ações de Donald Trump, busca e ampliação de aliados comerciais em vários países, além da ajuda ao Equador em questões de segurança, reforma da justiça e inteligência.
As relações de vizinhança com a Colômbia e o Peru, essenciais por sua proximidade, comércio e laços históricos, foram mantidas apesar das diferenças ideológicas com Gustavo Petro e da instabilidade política do segundo. Muitas tarefas a resolver em um ano intenso e de amplas demandas cidadãs.
Tradução automática revisada por Isabel Lima










