As eleições devem ser protegidas, defendidas e, o mais importante, seus resultados devem ser respeitados, como tem acontecido até agora. Embora linhas como essas não devessem ser necessárias em um país democrático como a Colômbia, o nível de visceralidade que o debate político assumiu em todas as frentes — incluindo as institucionais — e as ameaças diretas às convocatórias às urnas por parte de grupos criminosos que se recusam a abandonar o narcotráfico e outras fontes ilegais, obrigam a insistir nelas.
Os órgãos eleitorais estão sendo alvo de ataques de diversos lados, com insinuações de uma suposta intenção de interferir nos resultados das votações de 8 de março (Congresso e consultas) e 31 de maio (Presidência). Chegaram mesmo a questionar os mecanismos de transparência que estão sendo aplicados, apesar de se estimar que haverá mais de seis milhões de testemunhas eleitorais e vigilância direta de cerca de 150 observadores internacionais, incluindo a União Europeia e o Centro Carter dos Estados Unidos.
Seria ridículo afirmar que nosso sistema eleitoral não tem muitas coisas a melhorar. Por exemplo, a falta de legitimidade do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), um órgão partidário que surge de indicações e votações dos congressistas. Isso faz com que suas decisões — todas de caráter administrativo — tenham sempre um peso de interesses por trás, e como as tentativas de reformá-lo fracassam legislatura após legislatura por essa mesma razão. Outros males têm sido impossíveis de erradicar, como a manipulação de votos, o clientelismo ou a coerção violenta, para citar alguns.
Esse sistema imperfeito por muitos anos tem, no entanto, apresentado resultados aceitos por todos, com correções ao longo do caminho quando problemas foram detectados, e esses resultados têm mantido nossa democracia funcionando. Há apenas quatro anos, esse mesmo sistema imperfeito permitiu uma transição significativa do poder para levar o primeiro governo de esquerda revolucionária à Casa de Nariño. Um governo ao qual agora parecem atrapalhar os procedimentos que o levaram ao poder.
Por mais que se aspire legitimamente à continuidade imediata desse projeto de esquerda hoje no poder, ou que outro de direita queira recuperar os espaços perdidos nas urnas há quatro anos, essa operacionalidade eleitoral que tem sustentado nossa democracia deve ser preservada. As oportunidades de melhoria não surgirão da eliminação do adversário, mas da defesa da própria democracia.
Por isso, justamente agora que o país assiste a uma reconfiguração de seu mapa político e que a ilegalidade ganhou terreno a ponto de gerar riscos eleitorais em mais de 700 municípios, ganha relevância o que disse recentemente o registrador nacional, Hernán Penagos, ao jornal El Espectador: “Não há nenhuma norma na Colômbia que possa levar à suspensão ou cancelamento das eleições nacionais; por nenhum motivo, nem de ordem pública, nem circunstâncias decorrentes de emergências de uma ou outra natureza. (…) Um novo Congresso e um novo presidente serão eleitos com transparência e integridade”.
É assim que deve ser. Os olhos do país estão, com razão, voltados para o Registro Nacional e o CNE, porque de sua idoneidade dependerá em grande parte a tranquilidade democrática necessária para que a tradicional sucessão do poder em 7 de agosto a cada quatro anos continue ocorrendo sem contratempos. Mas passar daí a lançar suspeitas sem fundamento factual para deixar no ar a ideia de que está sendo orquestrada uma fraude maior é uma enorme irresponsabilidade. Recusamo-nos a aceitar que, como há quem avise, esta seja, além disso, uma estratégia planejada para depois desconsiderar os resultados.
Os cidadãos devem ter certeza de que seu Estado, que permite que funcionemos como país, tem maturidade suficiente para contornar tanto o caudilhismo quanto o populismo nesta que talvez seja a campanha mais polarizada das últimas décadas. Não brinquemos com nossas eleições, pilar central de nossa democracia que nos permitiu ter uma transição serena do poder a cada quatro anos. Respeitando seus resultados, o aperfeiçoamento do sistema ainda é possível. Sem reconhecê-los, nosso sistema democrático morreria.
Tradução automática revisada por Isabel Lima










