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A ridícula guerra entre Equador e Colômbia

A escalada diplomática entre o Equador e a Colômbia ameaça agravar a crise na fronteira e afetar milhares de cidadãos e comerciantes de ambos os países.

É muito difícil levar a sério a hostilidade de Daniel Noboa, presidente equatoriano, em relação à Colômbia e ao presidente Gustavo Petro. Desde que iniciou sua guerra comercial e suas acusações bombásticas no X, o mandatário equatoriano difundiu desinformação, não apresentou provas de suas “denúncias” e parece muito à vontade ao se intrometer no processo eleitoral que a Colômbia está prestes a realizar. O presidente Gustavo Petro deve manter a prudência que tem demonstrado e ter cuidado para não fazer, por sua vez, acusações sem provas, pois a relação entre os dois países é mais importante do que os egos de dois líderes passageiros.

Há um mês, o Ministério da Produção, Comércio Exterior e Investimentos do Equador anunciou que a guerra comercial daquele país contra a Colômbia se intensificaria. As tarifas impostas aos produtos colombianos exportados passariam de 50% para 100%. No comunicado, o órgão subordinado aos desejos de Noboa escreveu que “após constatar a falta de implementação de medidas concretas e eficazes em matéria de segurança de fronteiras por parte da Colômbia, o Equador se vê na obrigação de adotar ações soberanas”. Apesar das múltiplas tentativas da Colômbia de dialogar, a resposta do governo equatoriano tem sido um não categórico. Há alguns dias, na conta do X de Noboa, o presidente Petro foi acusado de estar fomentando a violência no Equador.

O problema é que a realidade é muito mais complexa do que as mensagens do país vizinho levam a crer. Os 580 quilômetros de fronteira compartilhada sempre foram uma zona porosa, sob a influência de grupos criminosos, tanto colombianos quanto equatorianos. À medida que o Equador se tornou um dos principais exportadores de cocaína, o controle da passagem fronteiriça tornou-se mais difícil. Isso não é culpa do presidente Petro nem da Colômbia. O que Noboa tenta encobrir com suas exageradas reações é que a situação da ordem pública saiu do controle. No primeiro trimestre deste ano, segundo dados da polícia daquele país, ocorreram 1.857 homicídios, ou seja, uma média de 24 por dia. No ano passado, houve uma média total de 23 homicídios por dia. Isso fez com que a popularidade do presidente equatoriano caísse no chão. Segundo a empresa de pesquisas Imasen, mais de 60% dos equatorianos acreditam que o país não está no caminho certo.

Hoje, graças a esse desastre, os embaixadores de ambos os países foram chamados para consultas, não há mesas de diálogo ativas e X se tornou o local para troca de acusações. O presidente Petro, que até pouco tempo atrás mantinha uma postura diplomática, esgotou sua paciência e responsabilizou o Equador pela violência que temos visto. “Sei que setores da extrema direita na Colômbia, que viajaram para Miami e Quito, elaboraram uma espécie de estratégia para que a extrema direita de Uribe vença as eleições com sua candidata”, escreveu ele, sem apresentar provas. Essa, é claro, não é a maneira de reduzir as tensões, mas a Casa de Nariño parece ter desistido desse objetivo.

O que nos resta? Dois países historicamente aliados no meio de uma guerra comercial que só afeta as pessoas mais vulneráveis na fronteira, que dificulta a cooperação em segurança e que prejudica exportadores e importadores de ambos os lados. Ou seja, todos perdemos.

Tração automática revisada por Isabel Lima

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Diretor do jornal El Espectador. Vencedor do Prêmio Nacional de Jornalismo Simón Bolívar. Mestre em Jornalismo com ênfase em Gestão de Jornais pela Northwestern University. É graduado em Filosofia pela Universidade dos Andes, em Bogotá.

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