L21

|

|

Leer en

O conflito no Oriente Médio reabre o dilema energético global: dependência fóssil ou transição

A volatilidade do mercado e os riscos de escassez estão levando as grandes economias a repensar urgentemente suas estratégias de segurança energética.

A ofensiva militar lançada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã está repercutindo no setor energético, com fortes efeitos na configuração do mercado futuro. A escalada do conflito e a ameaça iraniana sobre o estreito de Ormuz, ponto geográfico estratégico para o comércio mundial de petróleo, paralisaram o tráfego marítimo na região. Ademais, os ataques iranianos às refinarias da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar afetam diretamente a oferta. Se o conflito se prolongar, o aumento do preço dos combustíveis poderá ser ainda mais acentuado, gerando uma nova escalada inflacionária a nível global.

Em contraste com o quadro sombrio que enfrentam os produtores do Oriente Médio, os exportadores de petróleo e gás podem ser favorecidos pelo conflito. Na Argentina, a Southern Energy (consórcio formado pela YPF, Pan American Energy, Pampa Energía, Harbour Energy e Golar LN) acaba de assinar um contrato de fornecimento de Gás Natural Liquefeito com a empresa alemã SEFE.

O aumento dos preços do petróleo gera um efeito benéfico sobre os preços no mercado externo, uma melhoria que poderia significar entre US$1,3 bilhão e US$1,7 bilhão a mais por ano para o governo de Milei. Além disso, foi recentemente apresentado um projeto da Transportadora de Gas del Sur (TGS) que implicaria um investimento de três bilhões de dólares, prevendo-se que o mesmo gere receitas anuais superiores a 1,2 bilhão.

Esses benefícios destacam a crescente relevância do campo de Vaca Muerta, que permite ao país obter dólares após a sangria de divisas que cada aumento do petróleo implicava no passado. No entanto, esse entusiasmo não deve influenciar na hora de avaliar novos investimentos, pois estes também devem considerar as decisões tomadas pelos compradores (atuais ou potenciais).

A disputa no Oriente Médio não só trouxe maior incerteza aos mercados. Ela também destacou a forte dependência que o uso de combustíveis fósseis acarreta, aspecto que associa o fornecimento de energia à geopolítica. A chamada segurança energética continua gerando tensões e gerando disputas que afetam a própria soberania dos produtores. Basta observar o caso da Venezuela.

Mas a segurança não deve necessariamente estar associada ao destino do complexo petrolífero. O abastecimento a partir de fontes limpas não gera nenhum tipo de dependência, pois nenhum país controla a intensidade do sol ou a velocidade do vento. A energia verde amplia o espaço de decisão do soberano.

Essa é a leitura que os países importadores estão fazendo, que agora avaliam o custo de depender de fontes tradicionais de energia. Para os países da Ásia-Pacífico, o conflito não só os confronta com preços mais elevados, como a perturbação dos contratos obriga os asiáticos a reconsiderar questões de segurança energética, uma vez que a sua prolongação acarreta fortes riscos de escassez.

A situação também expõe a vulnerabilidade que a União Europeia ainda apresenta em matéria energética. A invasão da Ucrânia obrigou a repensar a forte dependência que esses países mantinham do gás russo e, a partir de então, a região decidiu embarcar em uma estratégia de diversificação do abastecimento e acelerar a transformação da matriz energética.

Embora, nos últimos anos, a União Europeia tenha avançado com fortes investimentos em energias renováveis, a urgência imposta pela necessidade de substituir os hidrocarbonetos provenientes da Rússia levou as autoridades europeias a buscar alternativas de abastecimento. Mas os parceiros acabaram se mostrando pouco confiáveis (Trump) ou se envolveram em um conflito (Catar).

Mesmo que possam adicionar novos parceiros, o lógico seria que a Europa e a Ásia reforçassem a aposta nas energias renováveis. Observando o contexto atual, o secretário de energia britânico, Ed Milliban, destacou a importância de avançar com a transição como único caminho para garantir o abastecimento energético e assegurar que essas decisões sejam tomadas de forma soberana.

Comentários idênticos têm sido ouvidos em diversos centros de poder na Ásia, região onde o conflito começa a ser considerado um ponto de inflexão em matéria de segurança energética. O conflito transforma a concepção de segurança energética na Ásia-Pacífico, cada quilowatt proveniente de fontes renováveis representa maior autonomia estratégica.

Com preços em queda, melhorias tecnológicas contínuas e autonomia estratégica, a aposta nas energias renováveis implica uma opção segura para os países que buscam minimizar sua exposição ao risco. De uma perspectiva estratégica, a aposta na transição é a opção mais lógica, caso contrário, a segurança energética continuará vinculada às oscilações das disputas geopolíticas.

Nesse contexto, os países latino-americanos devem considerar que seguir avançando na exploração de hidrocarbonetos aumentará o risco financeiro, pois os projetos petrolíferos em construção eventualmente não conseguirão se amortizar. O momento atual, em definitiva, nos coloca questões fundamentais. Ou continuamos ligados ao petróleo, cuja demanda não é garantida, ao mesmo tempo em que se agrava o problema climático. Ou apostamos nas energias renováveis para ganhar autonomia e começar a reverter o aumento da temperatura do planeta.

Tradução automática revisada por Isabel Lima

Autor

Otros artículos del autor

Pesquisador Associado do Centro de Estudos do Estado e da Sociedade -CEDES (Buenos Aires). Autor de "Latin America Global Insertion, Energy Transition, and Sustainable Development", Cambridge University Press, 2020.

spot_img

Postagens relacionadas

Você quer colaborar com L21?

Acreditamos no livre fluxo de informações

Republicar nossos artigos gratuitamente, impressos ou digitalmente, sob a licença Creative Commons.

Marcado em:

COMPARTILHE
ESTE ARTIGO

Mais artigos relacionados