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Argentina: a corrupção se fortalece em um Estado que se debilita

Os escândalos recentes e a fraca resposta institucional reforçam a percepção de impunidade e agravam a crise de confiança na política e na justiça argentinas.

A corrupção na Argentina é estrutural e se enraizou ao longo dos anos. Desde uma classe política que utiliza as instituições do Estado para benefício pessoal até um sistema judiciário lento e ineficiente que coexiste com a impunidade. Assim, gerou-se um clima de desconfiança, no qual a imagem que a sociedade tem dos atores da política e da justiça é cada vez mais negativa.

Os resultados do Índice de Percepção da Corrupção (IPC), elaborado anualmente pela Transparência Internacional, destacam a tendência negativa do país. O resultado do índice de 2025, o último disponível, coloca a Argentina na 104ª posição entre 180 países, piorando em relação à 99ª posição alcançada no ano anterior.

Escândalos como o da criptomoeda $Libra, que envolve diretamente Milei, os possíveis pagamentos de subornos por fornecedores da Agência Nacional de Deficiência a funcionários públicos ou o suposto enriquecimento ilícito de Manuel Adorni, chefe de gabinete e ex-porta-voz do governo — uma das figuras de destaque de uma gestão que se propôs a “combater a casta” —, aprofundaram a percepção de corrupção.

O retorno da $Libra

Em 2025, Javier Milei promoveu uma criptomoeda que entrou em colapso após atrair investidores, gerando perdas totais para os usuários e lucros para seus criadores. Investigações jornalísticas revelaram um suposto acordo milionário ligando o presidente ao projeto e ao seu círculo próximo.

Este caso é um exemplo das falhas do sistema de pesos e contrapesos. A Câmara dos Deputados criou uma comissão de investigação, mas esta não tem capacidade para obrigar os funcionários a depor. Por outro lado, o Poder Judiciário foi denunciado, por essa mesma comissão, por atrasar a investigação. Enquanto isso, o Executivo montou sua própria Unidade de Tarefas de Investigação, encerrada após ter “concluído seu trabalho”. O resultado da investigação, supostamente enviado ao Poder Judiciário, não foi compartilhado com organizações da sociedade civil, o que constitui uma possível violação do direito de acesso à informação pública.

Este caso reflete as falhas de controle entre os poderes do Estado, além da falta de ferramentas para investigar e punir crimes relacionados à corrupção. Portanto, a posição negativa da Argentina no índice não se deve apenas ao escândalo, mas também à resposta ineficaz do Estado, que aprofunda a sensação de impunidade.

A Lei de Ética Pública em risco

A ascensão de Manuel Adorni ao cargo de Chefe de Gabinete pode ser interpretada como a consolidação de sua inserção no núcleo de poder que circunda Javier Milei, onde a proximidade com figuras-chave do governo funciona como principal critério para a acumulação de influência. Mais do que uma trajetória baseada em capacidades técnicas, sua trajetória demonstra o peso das lealdades pessoais em uma estrutura decisória altamente concentrada.

As controvérsias relacionadas a viagens oficiais e privadas, juntamente com as inconsistências na explicação de seu financiamento, levantam dúvidas sobre a transparência no exercício do cargo. A falta de documentação comprovativa, somada à relação com atores ligados a contratações estatais, sugere possíveis zonas cinzentas na gestão de recursos e na delimitação entre funções públicas e privadas.

Nesse contexto, as irregularidades patrimoniais e os benefícios indiretos em seu círculo próximo reforçam a hipótese de conflitos de interesse, colocando em tensão os princípios da ética pública. A possível violação de normas — como a proibição de receber benefícios indevidos ou de incorrer em incompatibilidades — não apenas compromete responsabilidades individuais, mas também expõe fragilidades institucionais nos mecanismos de controle e prestação de contas.

Nesse contexto, o governo enfrenta o desafio de se adequar mais rigorosamente à lei vigente, uma vez que costuma incorrer e justificar atitudes que poderiam ser contrárias à ética pública e levariam à degradação da qualidade das instituições democráticas. Uma melhor compreensão da Lei de Ética Pública e sua aplicação rigorosa implicariam um sistema mais íntegro e permitiriam que a Argentina pudesse, finalmente, melhorar sua posição no índice.

Tradução automática revisada por Isabel Lima

Autor

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Graduado em Ciência Política pela UNLaM e jornalista pelo TEA. Trabalha no Poder Ciudadano, capítulo argentino da Transparência Internacional, como chefe da área de Comunicação e como Gerente de Projetos da área do Setor Público e Fortalecimento Institucional.

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