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O Plano Colômbia cumpriu seu objetivo: agora o país precisa de uma nova estratégia

Depois de transformar um país que parecia à beira do colapso, a Colômbia enfrenta agora o desafio de adaptar suas políticas de segurança a ameaças criminosas mais complexas e transnacionais.

Há vinte e cinco anos, muitos analistas temiam que a Colômbia estivesse à beira do colapso estatal. As guerrilhas controlavam amplas zonas do território, o narcotráfico financiava a violência e o Estado parecia incapaz de recuperar o controle. Hoje, a realidade é bem diferente. Mas, à medida que a Colômbia se aproxima das eleições presidenciais de 2026, o debate sobre segurança, controle territorial e crime organizado voltou ao centro da política nacional.

Essa transformação não ocorreu por acaso. Foi o resultado do esforço de milhões de colombianos, acompanhado por uma das iniciativas de cooperação internacional mais ambiciosas das últimas décadas: o Plano Colômbia. O balanço histórico é claro. O Plano Colômbia ajudou a salvar o país.

A violência diminuiu notavelmente em relação aos níveis extremos do início dos anos 2000. O Estado recuperou o controle territorial em muitas regiões. E as FARC, que durante décadas representaram a maior ameaça insurgente ao Estado colombiano, acabaram assinando um acordo de paz em 2016.

Mas o êxito de uma estratégia não significa que essa mesma estratégia possa responder aos desafios do presente. O debate se intensificou durante o governo de Gustavo Petro em torno de sua política de “Paz Total”, que buscou negociar simultaneamente com múltiplos atores armados e criminosos. Seus defensores afirmam que a Colômbia precisa de uma estratégia menos militarizada, enquanto seus críticos argumentam que alguns grupos ilegais têm aproveitado o processo para expandir seu controle territorial e fortalecer economias ilícitas.

As ameaças que a Colômbia enfrenta hoje são diferentes das do final do século XX. Elas não são mais definidas principalmente por insurgências ideológicas que buscam tomar o poder do Estado. Em vez disso, o país enfrenta redes criminosas transnacionais altamente adaptáveis que operam em múltiplas economias ilícitas.

O narcotráfico continua sendo um desafio importante, mas não é mais o único motor da violência nem necessariamente o mais lucrativo. A mineração ilegal, o contrabando, o tráfico de pessoas e outras atividades ilícitas geram lucros enormes para as organizações criminosas que operam além das fronteiras e que, muitas vezes, se infiltram nas instituições locais.

Essas redes criminosas não representam só uma ameaça para a Colômbia. Seus efeitos são sentidos em toda a região e têm impactos diretos nos mercados internacionais de drogas, minerais e outras mercadorias ilícitas. Por essa razão, a cooperação internacional continua sendo importante, embora também deva evoluir.

O Plano Colômbia foi, em grande medida, uma estratégia centrada na segurança. Essa prioridade respondia à realidade do momento. No entanto, os desafios atuais exigem uma abordagem mais ampla que combine segurança com governança territorial, desenvolvimento econômico sustentável e fortalecimento institucional.

Em muitas regiões rurais da Colômbia, a ausência histórica do Estado continua sendo o fator que permite a expansão das economias ilícitas. Quando as comunidades não têm acesso a infraestrutura, mercados legais ou serviços públicos básicos, as alternativas ilegais tendem a preencher esse vazio.

Por isso, qualquer estratégia futura deve se concentrar, não apenas no combate às organizações criminosas, mas também na consolidação da presença efetiva do Estado no território. Isso implica investir em infraestrutura, fortalecer os sistemas de justiça locais, melhorar o acesso à educação e à saúde e criar oportunidades econômicas legítimas para as comunidades rurais.

O próximo presidente da Colômbia herdará um contexto nacional muito mais complexo em torno do debate sobre segurança, presença estatal e governabilidade territorial. Nesse contexto, as próximas eleições provavelmente marcarão um ponto de inflexão sobre como o país enfrentará essas ameaças durante a próxima década.

A Colômbia já não é o país que era quando o Plano Colômbia teve início. Hoje é um parceiro muito mais forte, com maior capacidade institucional e maior influência regional. Essa nova realidade deveria se refletir em laços mais fortes entre os países. Em vez de continuar dependendo do modelo centrado principalmente na assistência externa, o futuro da Colômbia poderia ser construído em torno de uma parceria estratégica com países que compartilham interesses em segurança regional, desenvolvimento econômico e estabilidade democrática.

As redes criminosas transnacionais que operam na América Latina representam desafios que nenhum país pode enfrentar sozinho. Uma cooperação renovada poderia se concentrar em áreas como o combate ao crime organizado transnacional, o fortalecimento das instituições judiciais, o desenvolvimento rural sustentável e a proteção dos recursos naturais contra a exploração ilegal.

A Colômbia demonstrou uma notável capacidade de resiliência. Como escreveu Gabriel García Márquez, “a Colômbia é um país onde acontecem coisas extraordinárias todos os dias”. Essa capacidade de se reinventar tem sido uma constante em sua história moderna.

O êxito do Plano Colômbia demonstrou que estratégias ousadas podem mudar o destino de um país. Mas também demonstra que cada geração deve elaborar suas próprias respostas aos desafios de seu tempo.

A Colômbia já demonstrou que pode evitar o colapso. O desafio agora é demonstrar que também pode construir uma segurança sustentável para o século XXI.

Tradução automática revisada por Isabel Lima

Autor

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Advogado e ex-funcionário de alto escalão do governo dos EUA com décadas de experiência na América Latina. Foi consultor sênior para a América do Sul na Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID).

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