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Da retórica à ação: Colômbia e o desafio de articular a América Latina e o Caribe

Em um contexto global caracterizado pelo isolamento, pelas guerras comerciais, conflitos e pela crescente fragmentação política, a América Latina e o Caribe estão chamados a atuar de maneira coordenada.

A América Latina e o Caribe enfrentam a necessidade de fortalecer seus vínculos estratégicos e avançar rumo a uma integração regional mais efetiva em um período marcado por tensões geopolíticas, o aumento do protecionismo e o enfraquecimento da ordem internacional baseada em regras. Historicamente, a região tem demonstrado dificuldades para impulsionar agendas comuns, articular posições diante dos desafios globais e estabelecer mecanismos que dinamizem suas economias. No entanto, esse contexto oferece a oportunidade de repensar o papel da América Latina e do Caribe na arena internacional, consolidando uma voz unificada que priorize o interesse coletivo acima de divisões ideológicas.

Nesse sentido, a integração deve ser entendida como uma política de Estado capaz de enfrentar desafios que transcendem fronteiras, como a segurança alimentar, a mudança climática, os fluxos comerciais e as crises migratórias. Seu caráter transnacional exige respostas coordenadas entre os países da região. A Colômbia, em um contexto de crescente abertura ao diálogo regional e participação em fóruns multilaterais, tem a oportunidade de impulsionar uma agenda baseada na cooperação, na confiança mútua e na construção de consensos.

Assumir esse papel implica que a Colômbia aproveite sua posição como presidência pro tempore de organismos como a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), a Aliança do Pacífico (AP), a Comunidade Andina (CAN) e a Associação de Estados do Caribe (AEC). Nesses espaços, é necessária uma diplomacia ativa que fortaleça as capacidades de concertação, fomente o diálogo político permanente e assegure que as iniciativas respondam às demandas legítimas da cidadania.

Integração além do discurso

A América Latina e o Caribe contam com uma arquitetura institucional ampla e diversa que proclama objetivos comuns como a concertação política, o desenvolvimento sustentável, a equidade social e a integração econômica. No entanto, muitos desses organismos não conseguem traduzir seus mandatos em resultados concretos. Isso se deve, em grande parte, à visão de curto prazo dos Estados-membros, às persistentes disputas ideológicas e à duplicidade de esforços, que enfraquecem a efetividade dos compromissos assumidos e travam o avanço de uma integração com impacto real.

Nesse sentido, fomentar um comércio intrarregional mais dinâmico desponta como um passo essencial para superar as barreiras que têm limitado a implementação de iniciativas regionais com potencial para melhorar a qualidade de vida na região. A América Latina e o Caribe ainda têm uma dívida pendente no que diz respeito à integração econômica: enquanto na Europa o comércio intrarregional representou cerca de 68% das trocas totais em 2024, segundo estimativas da UNCTAD, na América Latina e no Caribe alcançou 13%, levemente acima dos 12% reportados pela África, o continente com a taxa mais baixa do mundo. Essa diferença reflete não apenas uma integração comercial frágil, mas também uma tarefa pendente para o fortalecimento dos mercados.

Para avançar nessa direção, não basta o diálogo entre os atores regionais; é necessário coordenar estratégias entre os diferentes blocos para reduzir a fragmentação institucional e evitar duplicidades. A convergência entre aliados é indispensável para gerar sinergias voltadas a uma maior coesão regional, particularmente no cenário internacional. Em uma ordem global em transformação, a América Latina e o Caribe precisam atuar de maneira coordenada para impulsionar agendas comuns que maximizem suas capacidades e benefícios coletivos.

Grandes desafios, novas oportunidades

Historicamente, a Colômbia orientou sua política externa sob a doutrina do respice polum (“olhar para o norte”), priorizando relações estreitas com Washington em matéria de cooperação bilateral. No entanto, essa abordagem contribuiu para um relativo distanciamento dos processos de integração com seus vizinhos latino-americanos. Diante dos desafios atuais, surge uma oportunidade para revitalizar o enfoque do respice similia (“olhar para os semelhantes”), promovendo vínculos mais sólidos com os países da região. Essa mudança é respaldada pelo artigo 9º da Constituição Política, que estabelece como mandato o impulso da integração latino-americana e caribenha como orientação fundamental da política externa colombiana.

A Colômbia assumiu um papel protagonista na articulação de posições e na promoção do diálogo regional na Cúpula do Grande Caribe, realizada em Cartagena e Montería entre os dias 26 e 30 de maio de 2025, que reuniu chefes de Estado e de governo, organismos internacionais e líderes regionais para debater temas como transformação digital, justiça climática e economia azul. Esse espaço permitiu ao país projetar-se como uma ponte estratégica para a construção de consensos e a coordenação de agendas comuns. Sua localização geográfica privilegiada a converte em um elo de conexão natural — e político — entre a América Central, a América do Sul e o Caribe, reforçando seu perfil como Estado-pivô na integração regional.

A presidência pro tempore da Colômbia em diversos organismos multilaterais, como mencionado anteriormente, representa uma oportunidade estratégica para reconfigurar sua política externa com um enfoque regional. Isso implica a transição de um esquema predominantemente bilateral com os Estados Unidos para uma diversificação de alianças na América Latina e no Caribe, fortalecendo o multilateralismo regional e promovendo soluções coletivas para os desafios compartilhados.

Em um contexto global caracterizado pelo isolamento, pelas guerras comerciais, pela proliferação de conflitos e pela crescente fragmentação política, a América Latina e o Caribe estão chamados a atuar coordenadamente para mitigar os efeitos adversos sobre suas economias e sociedades. A Colômbia, como eixo de articulação regional, não pode desperdiçar esta conjuntura histórica: assumir uma liderança integradora já não é uma opção, mas uma necessidade inadiável para revitalizar o projeto regional.

Por isso é importante que o governo do presidente Gustavo Petro assuma com coerência e responsabilidade os compromissos adquiridos no marco dos organismos multilaterais. A integração regional não exige apenas vontade política, mas também gestos concretos de compromisso. Nesse sentido, causou preocupação a ausência do mandatário colombiano, na qualidade de anfitrião, durante o encerramento da Cúpula do Grande Caribe em 30 de maio. Esse tipo de situação enfraquece a liderança regional que a Colômbia busca exercer e põe em xeque sua capacidade de articular consensos a partir de uma diplomacia ativa e confiável.

*Tradução automática revisada por Janaína da Silva

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Mestre em Relações Internacionais pela Universidade Externado da Colômbia. Consultor e pesquisador em política externa e relações internacionais. Membro da Rede Colombiana de Relações Internacionais da Corporação REDINTERCOL.

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