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Prosperidade na América Latina: uma região fragmentada

A América Latina avança em várias frentes, mas a falta de articulação entre os avanços econômicos, sociais e institucionais impede que esses avanços se traduzam em bem-estar sustentável.

A América Latina e o Caribe (ALC) alcançaram avanços significativos nas últimas décadas nas áreas de educação, saúde, governança democrática e redução da pobreza. No entanto, a região continua estagnada. Não porque não haja progresso, mas porque os avanços em algumas áreas não se articulam sistematicamente com os de outras. O resultado é uma região onde conquistas parciais raramente se traduzem em melhorias sustentáveis no padrão de vida.

Progresso sem rumo

Um pequeno número de países, entre eles Chile, Costa Rica e Uruguai, combina instituições eficazes, amplo acesso a serviços públicos e ambientes empresariais relativamente sólidos. Eles demonstram que é possível alcançar maior prosperidade dentro das limitações da região.

Mas são a exceção. A maioria dos países da região avançou em algumas frentes enquanto estagnou em outras. Um país pode fortalecer suas instituições enquanto seu setor empresarial continua improdutivo. Outro pode crescer economicamente enquanto a desigualdade se agrava. Outros podem aumentar a matrícula escolar enquanto a qualidade da educação continua deficiente. Existem avanços, mas eles não se conectam entre si.

Um pequeno grupo de países enfrenta simultaneamente limitações em múltiplas dimensões. Nesses casos, melhorias isoladas, como um ano de maior crescimento e uma nova lei anticorrupção, não alteram o panorama geral. As fragilidades em outras áreas permanecem profundamente enraizadas.

Crescimento que não transforma

A América Latina e o Caribe passaram por períodos de verdadeira expansão econômica. O boom das commodities na década de 2000 tirou milhões de pessoas da pobreza e ampliou a classe média. No entanto, quando os preços mundiais caíram, grande parte desse progresso revelou-se frágil. A região tem crescido mais lentamente do que a maior parte do mundo em desenvolvimento há mais de uma década. As projeções atuais estimam o crescimento médio anual em torno de 2%, valor muito baixo para diminuir a diferença em relação às economias mais avançadas ou para gerar o investimento necessário para melhores serviços públicos.

O problema de fundo reside no que impulsiona esse crescimento. Grande parte da região depende fortemente da exportação de matérias-primas, como petróleo, minerais e produtos agrícolas. Isso a torna vulnerável às flutuações dos preços mundiais. Também limita o tipo de transformação produtiva que gera melhores empregos e um maior nível de vida a longo prazo. As empresas da região investem menos de 0,5% do seu PIB em pesquisa e desenvolvimento, muito abaixo dos níveis da Ásia Oriental ou das economias avançadas. A inovação continua concentrada em um pequeno número de grandes empresas. A maioria das empresas, em particular as menores, opera com tecnologia limitada, acesso restrito ao financiamento e pouca conexão com os mercados globais.

Democracia sem resultados concretos

A região é formalmente uma das mais democráticas do mundo. Realizam-se eleições periodicamente e existem instituições formais em quase todos os países. No entanto, o que varia enormemente é se essas instituições cumprem sua função na prática.

Em grande parte da região, o Estado de Direito é aplicado de forma inconsistente. A maioria dos países da América Latina e do Caribe obtém pontuações inferiores às esperadas para seu nível de renda nos indicadores relevantes. A corrupção continua muito disseminada. Os sistemas judiciais são lentos e frequentemente politizados. Em vários países, a situação piorou desde 2016.

Essas deficiências têm consequências econômicas diretas. Quando os contratos não são cumpridos de forma confiável, quando as regulamentações são aplicadas arbitrariamente ou quando o investimento público é desviado por meio de redes corruptas, enfraquece-se o incentivo para investir, contratar e inovar. As deficiências na governança limitam silenciosamente as condições econômicas necessárias para a prosperidade.

Uma preocupação particular é a crescente concentração do poder executivo em vários países. As eleições democráticas coexistem com instituições de fiscalização enfraquecidas, poderes judiciais pressionados e administrações públicas politizadas. A diminuição da confiança nos partidos políticos é uma tendência regional. O apoio a candidatos que prometem segurança e ordem em detrimento da moderação institucional aumentou nos últimos ciclos eleitorais.

Uma distribuição desigual do progresso

Desde a década de 1990, a região ampliou significativamente o acesso à educação e à saúde. A pobreza extrema diminuiu e a expectativa de vida aumentou. Essas são conquistas genuínas.

No entanto, a América Latina e o Caribe continuam sendo a região mais desigual do mundo. Os 10% mais ricos detêm mais de um terço da renda total, enquanto os 10% mais pobres recebem menos de 2%. Essa disparidade condiciona o funcionamento das economias, limita a demanda interna, restringe a mobilidade social e reduz a produtividade da força de trabalho.

A educação ilustra claramente esse problema. Apesar de uma matrícula quase universal no ensino fundamental, os resultados de aprendizagem permanecem muito abaixo do que seria de se esperar, considerando os níveis de renda. Os alunos da América Latina e do Caribe obtêm sistematicamente algumas das notas mais baixas do mundo nas avaliações de matemática e leitura. Os alunos de famílias de baixa renda enfrentam as maiores disparidades, com consequências para a produtividade e as oportunidades que se agravam com o tempo.

O acesso digital acrescenta outra camada de exclusão. Cerca de três quartos da população utilizam a internet, mas a conectividade continua limitada nas áreas rurais e entre as famílias de baixa renda. A participação digital desigual reforça as disparidades sociais e econômicas mais amplas.

Quando o progresso não se acumula

Os avanços na América Latina e no Caribe têm sido reais, mas desconexos. Instituições mais sólidas nem sempre geraram empresas mais produtivas. O crescimento econômico não se traduziu de forma consistente em inclusão social. As melhorias nos sistemas educacionais ampliaram o acesso, mas não melhoraram a qualidade de maneira consistente.

A região possui importantes ativos, como recursos naturais, uma população jovem em muitos países, uma infraestrutura digital em expansão e centros de excelência nos setores empresarial, científico e da administração pública. Transformar esses ativos em prosperidade generalizada exige que o progresso nas dimensões econômica, institucional e social avance de forma conjunta. Em grande parte da região, isso ainda não aconteceu.

*Este artigo baseia-se nas conclusões do Relatório de Prosperidade da América Latina e do Caribe 2026 do Centro de Competitividade Global do IMD.

Tradução automática revisada por Isabel Lima

Autor

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Economista sênior do Centro de Competitividade Mundial do IMD. Doutora em Política e Estudos Internacionais pela Universidade de Warwick e mestre em Ciências Sociais e Governo pela Universidade de Harvard.

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