Ao entrarmos na última semana do primeiro turno da campanha presidencial na Colômbia, o país está mergulhado em agressividade. De atos de violência, como o assassinato de membros da campanha de Abelardo de la Espriella e o vandalismo contra os comitês de campanha de Paloma Valencia e Iván Cepeda, à própria retórica dos candidatos e seus inúmeros subordinados, a hostilidade é a moeda corrente. Parece que a única maneira de chamar a atenção neste mundo regido por algoritmos é inflamar as emoções das pessoas, apelar para seus instintos mais básicos, retratar o oponente como um inimigo desprezível e lutar para erradicar ideias contrárias, ao menos em um nível moral. Isso levanta uma questão: quando a poeira da eleição baixar, que tipo de país teremos para governar?
Não houve deliberação. Além da ausência de debates e do fato de os candidatos se sentirem mais à vontade para falar em espaços onde não há perguntas de acompanhamento ou pontos de vista alternativos que se beneficiariam ao menos de serem ouvidos e analisados, a comparação entre as campanhas tem sido caracterizada por confrontos e ataques pessoais. O Presidente da República e vários de seus ministros aderiram entusiasticamente a isso. Apesar da proibição da participação política, membros do governo não perderam a oportunidade de citar publicações da oposição e usar adjetivos estigmatizantes contra seus candidatos, deixando abundantemente claro quem é o candidato preferido da Casa de Nariño.
A oposição também não demonstrou qualquer decência ou civilidade. Enquadraram o processo democrático como uma “guerra espiritual”, semearam a ideia de que esta seria a última eleição livre caso o candidato do governo vencesse e chegaram a brigar entre si, acusando-se mutuamente de crimes e atos desprezíveis. Poucas propostas são ouvidas quando o objetivo é obter o máximo de interações nas redes sociais. Ler, por exemplo, as contas de redes sociais dos principais estrategistas por trás das campanhas do X é como entrar em um ninho de desinformação, manipulação e mensagens elaboradas para promover a ideia de que estamos à beira de um abismo catastrófico. Não há espaço para moderação, para perspectivas matizadas, para análises que reconheçam que a realidade exige múltiplos pontos de vista para ser compreendida.
Estamos, portanto, sujeitos a uma eleição onde a palhaçada, os memes e a raiva prevalecem. O problema é que esses discursos que incitam o ódio estão corroendo a consciência coletiva de que a Colômbia é um projeto compartilhado, de que os cidadãos que pensam diferente não são inimigos, mas sim pessoas com quem precisamos coexistir. O conceito de “inimigo” é facilmente distorcido e serve para fazer com que as pessoas temam a diferença e se afastem da possibilidade de chegar a acordos. A romantização do protesto social que degenera em vandalismo leva a uma preocupante cumplicidade na destruição dos espaços de campanha, enquanto a ideia predominante é que a única solução é uma mão de ferro que atropela os direitos dos cidadãos.
A suposta superioridade moral de alguns sobre outros, longe de ser uma retórica elevada, nada mais é do que outra maneira de criar dicotomias onde existem mocinhos e bandidos, onde aqueles que não votam de uma certa maneira são vistos como cidadãos fracos. Em meio a tanta agressão, o que acontecerá quando tivermos um novo ocupante da Casa de Nariño (Palácio Presidencial) e a outra metade do país se sentir excluída?
*Texto originalmente publicado no jornal El Espectador, Colômbia.
Tradução automática revisada por Isabel Lima










