L21

|

|

Leer en

Aspirantes à presidência na Colômbia: que país querem governar?

A reta final da campanha presidencial colombiana deixa o país preso entre a polarização, a violência política e discursos que minam a convivência democrática.

Ao entrarmos na última semana do primeiro turno da campanha presidencial na Colômbia, o país está mergulhado em agressividade. De atos de violência, como o assassinato de membros da campanha de Abelardo de la Espriella e o vandalismo contra os comitês de campanha de Paloma Valencia e Iván Cepeda, à própria retórica dos candidatos e seus inúmeros subordinados, a hostilidade é a moeda corrente. Parece que a única maneira de chamar a atenção neste mundo regido por algoritmos é inflamar as emoções das pessoas, apelar para seus instintos mais básicos, retratar o oponente como um inimigo desprezível e lutar para erradicar ideias contrárias, ao menos em um nível moral. Isso levanta uma questão: quando a poeira da eleição baixar, que tipo de país teremos para governar?

Não houve deliberação. Além da ausência de debates e do fato de os candidatos se sentirem mais à vontade para falar em espaços onde não há perguntas de acompanhamento ou pontos de vista alternativos que se beneficiariam ao menos de serem ouvidos e analisados, a comparação entre as campanhas tem sido caracterizada por confrontos e ataques pessoais. O Presidente da República e vários de seus ministros aderiram entusiasticamente a isso. Apesar da proibição da participação política, membros do governo não perderam a oportunidade de citar publicações da oposição e usar adjetivos estigmatizantes contra seus candidatos, deixando abundantemente claro quem é o candidato preferido da Casa de Nariño.

A oposição também não demonstrou qualquer decência ou civilidade. Enquadraram o processo democrático como uma “guerra espiritual”, semearam a ideia de que esta seria a última eleição livre caso o candidato do governo vencesse e chegaram a brigar entre si, acusando-se mutuamente de crimes e atos desprezíveis. Poucas propostas são ouvidas quando o objetivo é obter o máximo de interações nas redes sociais. Ler, por exemplo, as contas de redes sociais dos principais estrategistas por trás das campanhas do X é como entrar em um ninho de desinformação, manipulação e mensagens elaboradas para promover a ideia de que estamos à beira de um abismo catastrófico. Não há espaço para moderação, para perspectivas matizadas, para análises que reconheçam que a realidade exige múltiplos pontos de vista para ser compreendida.

Estamos, portanto, sujeitos a uma eleição onde a palhaçada, os memes e a raiva prevalecem. O problema é que esses discursos que incitam o ódio estão corroendo a consciência coletiva de que a Colômbia é um projeto compartilhado, de que os cidadãos que pensam diferente não são inimigos, mas sim pessoas com quem precisamos coexistir. O conceito de “inimigo” é facilmente distorcido e serve para fazer com que as pessoas temam a diferença e se afastem da possibilidade de chegar a acordos. A romantização do protesto social que degenera em vandalismo leva a uma preocupante cumplicidade na destruição dos espaços de campanha, enquanto a ideia predominante é que a única solução é uma mão de ferro que atropela os direitos dos cidadãos.

A suposta superioridade moral de alguns sobre outros, longe de ser uma retórica elevada, nada mais é do que outra maneira de criar dicotomias onde existem mocinhos e bandidos, onde aqueles que não votam de uma certa maneira são vistos como cidadãos fracos. Em meio a tanta agressão, o que acontecerá quando tivermos um novo ocupante da Casa de Nariño (Palácio Presidencial) e a outra metade do país se sentir excluída?

*Texto originalmente publicado no jornal El Espectador, Colômbia.

Tradução automática revisada por Isabel Lima

Autor

Otros artículos del autor

Diretor do jornal El Espectador. Vencedor do Prêmio Nacional de Jornalismo Simón Bolívar. Mestre em Jornalismo com ênfase em Gestão de Jornais pela Northwestern University. É graduado em Filosofia pela Universidade dos Andes, em Bogotá.

spot_img

Postagens relacionadas

Você quer colaborar com L21?

Acreditamos no livre fluxo de informações

Republicar nossos artigos gratuitamente, impressos ou digitalmente, sob a licença Creative Commons.

Marcado em:

Marcado em:

COMPARTILHE
ESTE ARTIGO

Mais artigos relacionados