A América Latina volta a se dividir entre aliados e punidos em um tabuleiro regional onde Washington impõe lealdades como condição para a estabilidade.
A captura de Maduro não deu início a uma transição democrática na Venezuela, mas sim a um precedente preocupante: o de uma soberania intervinda sem consentimento nem legalidade internacional.
A política dos Estados Unidos em relação à ilha já não visa administrar uma realidade, mas encerrar uma história inconclusiva, transformando o sofrimento econômico e a migração em provações morais.
A intervenção dos Estados Unidos na Venezuela reativou na América Latina e na Europa uma política externa marcada pelo realismo periférico: cautela, adaptação ao poder e defesa retórica de princípios sem confronto direto.
Sob a retórica moral de ontem e o cinismo descarnado de Trump hoje, as potências voltam a exibir uma verdade incômoda: sem regras nem disfarces, os Estados Unidos assumem-se como gendarme global a serviço dos seus interesses.
Quando Nicolás Maduro desafiou o mundo com um "venham me buscar", não imaginou que esse grito marcaria o princípio do fim de seu poder e abriria uma transição incerta para a Venezuela.