L21

|

|

Leer en

O relato oficial sobre a segurança contrasta com a realidade no México

Embora o governo afirme ter havido uma forte queda nos homicídios, o aumento dos desaparecimentos, a expansão do controle criminoso e a violência territorial traçam um quadro muito mais alarmante.

O secretário de Segurança, Omar García Harfuch, vem percorrendo o país há semanas ao lado da presidente Claudia Sheinbaum, destacando que os índices de homicídio diminuíram no México e que isso é resultado de sua estratégia política. O governo relata uma redução de 44% na média diária de homicídios dolosos entre setembro de 2024 e fevereiro de 2026, passando de 87 para 49 casos diários. Mas a realidade é que o México está enfrentando um dos momentos mais violentos de sua história.

O governo precisa mostrar resultados aos Estados Unidos, enquanto o sistema político local se encontra perplexo, sem saber realmente o que está acontecendo. O certo é que a governança criminosa está mais disseminada do que nunca, o que se manifesta no aumento do número de desaparecidos, nos níveis muito elevados de homicídios registrados e na impunidade criminal em todo o território. Isso gerou uma crescente desconfiança nas informações apresentadas pelo governo.

A estratégia de segurança

O governo tem se concentrado na consolidação, ampliação e expansão de uma Guarda Nacional já totalmente integrada à Secretaria da Defesa Nacional. E, nessa linha, anunciou o fortalecimento de um aparato de inteligência que atua de forma coordenada com as Forças Armadas. Além disso, implementou operações cirúrgicas contra criminosos, políticos e policiais que atuam a serviço de organizações criminosas.

No final de 2024, o governo deu início à “Operação Enxame”, com o objetivo de prender autoridades em diferentes estados. Desde então, laboratórios de drogas foram destruídos, operações contra centros de extorsão por telefone foram realizadas e uma grande rede de contrabando de hidrocarbonetos foi desmantelada, também relacionada a crimes fiscais e operada por funcionários da Secretaria da Marinha.

Ademais, o governo extraditou do Paraguai Hernán Bermúdez Requena, ex-secretário de segurança pública em Tabasco e líder da organização criminosa “La Barredora”, colaborador muito próximo do líder morenista no Senado, Adan Agusto López Hernández. E como maior troféu, o governo de Sheinbaum eliminou “El Mencho”, líder máximo do Cartel Jalisco Nova Geração, o que gerou bloqueios, incêndios e violência pontual em diferentes partes do país.

Na sequência da decapitação da organização, desencadeou-se a luta entre os antigos grupos do Cartel de Sinaloa que fazem parte das organizações fiéis a Mayo Zambada, aos “Chapitos” ou a outros líderes como José Caro Quintero. Os confrontos ocorrem principalmente em Sinaloa e Sonora, mas também por todo o território nacional, especialmente onde há conflitos entre os grupos pelo controle territorial.

A violência continua muito intensa em estados como Michoacán, onde o prefeito de Uruapan, Carlos Manzo, que criou um movimento político pela paz, foi assassinado no centro da cidade. E continua grave nas zonas rurais de Morelos e Guerrero e em muitas outras partes do país. De fato, importantes corredores industriais, comerciais e turísticos operam em conivência com altos índices de violência.

O caso de Chiapas é paradigmático das consequências das concessões feitas aos Estados Unidos. Em 2019, o México blindou a fronteira sul diante das pressões do governo norte-americano para conter a passagem de migrantes. Diante do fechamento da passagem de fronteira, o crime organizado encontrou um negócio muito lucrativo: controlar e cobrar pela movimentação de pessoas. Isso fez com que, a partir de 2021, disparasse a chegada de venezuelanos, haitianos, asiáticos e africanos. Como consequência, intensificou-se a disputa entre organizações criminosas por diferentes zonas do estado.

O aumento dos desaparecimentos

Embora o número de homicídios aparentemente tenha diminuído, o número de desaparecidos no México aumentou de 4.126 pessoas em 2015 para 12.663 em 2025, totalizando mais de 92.000 desaparecidos entre 2015 e 2025. Isso acendeu o sinal de alerta das Nações Unidas, que insistem cada vez mais na necessidade de conter esse fenômeno.

O problema da violência no México é muito profundo e se estende de diferentes formas por todo o território nacional.

A administração de Omar García Harfuch teve que enfrentar simultaneamente uma grande mudança administrativa e institucional. Fortaleceu as Forças Armadas, tentou controlar o sistema de inteligência e criou uma força de reação rápida que responde diretamente às suas ordens. Até o momento, as ações têm sido mais pontuais e cirúrgicas, como exige o modelo Trump, e menos abrangentes no território, deixando as polícias municipais e estaduais sem capacidade de ação.

Diante dessa realidade, a estratégia de comunicação do governo tenta manter o otimismo e as “boas notícias”; no entanto, a realidade do país é muito diferente. Em grande parte do território mexicano, as pessoas vivem com medo, sujeitas à extorsão e à taxa de proteção exigida pelos criminosos, e sofrem as consequências de uma violência que se alastra devido à disputa pelo controle do território e à ausência do Estado.

Tradução automática revisada por Isabel Lima

Autor

Otros artículos del autor

Pesquisadora Nacional de Nível II afiliada ao El Colegio de la Frontera Sur. Doutora em Ciência Política e Sociologia pela Universidade Nacional de Educação a Distância de Madrid.

spot_img

Postagens relacionadas

Você quer colaborar com L21?

Acreditamos no livre fluxo de informações

Republicar nossos artigos gratuitamente, impressos ou digitalmente, sob a licença Creative Commons.

Marcado em:

COMPARTILHE
ESTE ARTIGO

Mais artigos relacionados