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O narcotráfico, a pedra angular na relação do México com os Estados Unidos

A pressão dos Estados Unidos desvia a agenda bilateral do combate ao narcotráfico para as estruturas políticas mexicanas e reduz a margem de manobra de Sheinbaum.

As relações entre os Estados Unidos e o México em matéria de segurança sofreram um forte abalo no estado de Sinaloa quando a Promotoria do Distrito Sul de Nova York solicitou formalmente a prisão e a extradição de Rubén Rocha Moya, governador do Morena desse estado do noroeste mexicano, e de nove funcionários por supostos vínculos com o crime organizado.

Esta notícia ganha especial relevância porque não há precedente na história das relações bilaterais de uma exigência desse tipo, embora alguns ex-governadores tenham sido detidos e cumprido penas em prisões estadunidenses.

A notícia não surpreendeu porque o presidente estadunidense, Donald Trump, tem sustentado durante todo o seu mandato que o México está capturado pelo crime organizado e afirmou que este país chegou a se tornar uma espécie de narcoestado, algo que se encaixa na narrativa de que é preciso combater várias organizações criminosas classificadas como terroristas.

Entre elas, é claro, está o Cartel de Sinaloa, considerado uma das organizações criminosas mais poderosas do mundo por sua extensa rede de contatos, que atravessa continentes inteiros.

No entanto, embora haja interesse bilateral em combatê-las, como ocorreu com a prisão e extradição para os Estados Unidos de figuras como Joaquín “El Chapo” Guzmán e Ismael “El Mayo” Zambada, líderes indiscutíveis do Cartel de Sinaloa, e a captura e morte em cativeiro de Nemesio Oseguera Cervantes, El Mencho, líder do Cartel Jalisco Nova Geração, a relação entre os dois países continua complicada, porque o governo Trump exige de sua contraparte mexicana “ir além”: os políticos que prestaram apoio político e logístico.

E é por isso que o pedido de extradição do governador Rocha Moya se torna uma pedra angular nas relações bilaterais, pois altera as coordenadas nas quais a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, vinha atuando, já que essa exigência põe no centro um peso-pesado do morenismo.

Agora, Sheinbaum se encontra no dilema de entregar os supostos colaboradores do crime organizado ou rejeitar o pedido, argumentando que ele não está devidamente fundamentado com provas. É claro que seria no México que finalmente se confirmaria se a acusação tem fundamento, o que leva à possibilidade de especular que as provas nunca serão suficientes, dadas as consequências que isso poderia ter no entorno presidencial.

E é que atender ao que esse promotor estadunidense solicita significa abalar as estruturas do Morena, onde a liderança de Andrés Manuel López Obrador continua a ter um peso importante. Aceitar o pedido estadunidense seria dar um tiro no próprio pé, por isso a primeira reação foi ganhar tempo exigindo provas às autoridades estadunidenses. No entanto, tudo é uma questão de tempo, e se, mesmo com a apresentação dessas provas, Sheinbaum mantiver a mesma posição, e como sabemos pela experiência do Irã, a tensão aumentará.

Assim, ao tomar essa decisão, Sheinbaum privilegia, desde o início, o equilíbrio interno de seu movimento e protege os pesos pesados de seu partido para que não sejam alcançados pela justiça americana. Eventualmente, ao conceder a extradição de alguns ou de todos os que constam da lista da Promotoria do Distrito Sul de Nova York, ela buscaria evitar, numa lógica de custo-benefício, que a relação se complique ainda mais em outros campos, particularmente nas rodadas de negociação em andamento sobre o espinhoso T-MEC.

A isso há que acrescentar que o país atravessa um momento econômico crítico, com dificuldades expressas pelo próprio Banco do México, que alerta que a previsão de crescimento para este ano é de 0,1%. Segundo alguns observadores econômicos, trata-se de um eufemismo para não dizer que, este ano, a economia nacional terá um crescimento nulo, e o pior que pode acontecer é que haja maus resultados nas rodadas trilaterais de negociação.

Assim, as margens de negociação da presidente são estreitas e tendem perigosamente a obrigá-la a continuar cedendo ao governo dos Estados Unidos naquilo que possa servir ao presidente Trump para melhorar seu índice de aprovação até as eleições legislativas no início de novembro, quando, como se sabe, as previsões sugerem que os republicanos perderão terreno e não manterão a maioria.

Trump precisa mostrar que sua estratégia de pressão é bem-sucedida no âmbito da imigração ilegal e da luta contra o crime organizado e, se possível, sair ileso da guerra contra o Irã. Portanto, esperam-se meses intensos nas relações bilaterais, e o caso Rocha Moya é um elo de uma estratégia mais ampla que busca dois objetivos: submeter a presidente Sheinbaum aos seus interesses e garantir que seus aliados na América Latina continuem vencendo as eleições.

Tradução automática revisada por Isabel Lima

Autor

jeronimogiorgi@hotmail.com |  Otros artículos del autor

Jornalista, mestre em Jornalismo pela Universidade de Barcelona e em Estudos Latino-Americanos pela Universidade Complutense de Madrid.

Professor da Universidade Autônoma de Sinaloa. Doutor em Ciência Política e Sociologia pela Universidade Complutense de Madri. Membro do Sistema Nacional de Pesquisadores do México.

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